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FGV lança escola para formar nova geração de matemáticos

segunda-feira, setembro 26th, 2011

Ensino – Com curso de graduação e pós, instituição quer atender à demanda por profissionais mais treinados para analisar dados estrategicamente. Por Adriana Fonseca | De São Paulo

Carvalho, coordenador da graduação da Emap, diz que interesse na área cresceu

Para atender a uma demanda de mercado por profissionais capazes de visualizar e interpretar um grande volume de dados, a Fundação Getulio Vargas (FGV) criou a Escola de Matemática Aplicada (Emap). A instituição que já entrou em áreas como direito e economia, além da administração, parte assim para mais uma frente de ensino.

A escola, que terá seu primeiro vestibular neste ano para a graduação, já oferece um mestrado desde o início do ano. O objetivo é formar alunos capazes de aplicar a matemática de forma inovadora em contextos como planejamento estratégico, monitoramento ambiental, mercado financeiro entre outros.

Um levantamento da consultoria McKinsey, por exemplo, revelou que até 2018, somente nos Estados Unidos, devem faltar 1,5 milhão de gestores capazes de usar os dados disponíveis para orientar as decisões empresariais. “Constatamos um interesse crescente pelo uso de técnicas matemáticas cada vez mais sofisticadas em conjunto com a modelagem, extração, mineração e interpretação de dados nas empresas e instituições governamentais e sociais”, diz Paulo Cezar Carvalho, coordenador da graduação da Emap. “Queremos formar pessoas que consigam usar essa disciplina com eficiência em uma sociedade que tem acesso amplo a grandes quantidades de informação.”

A quantidade de dados digitais produzida no mundo se multiplica por dez a cada cinco anos. Hoje, estimativas da consultoria IDC indicam que já chegamos a 1,2 zettabytes. É tanta informação que caberia em duas pilhas de DVDs de 386 mil quilômetros cada uma – a mesma distância da Terra à Lua.

Criada formalmente em 2008, a Emap deu início, neste ano, à sua primeira turma de pós-graduação, um mestrado em modelagem matemática da informação. Com capacidade para atender 15 alunos, a instituição admitiu nove. “Tivemos pouco tempo de divulgação a partir da aprovação do programa pela Capes”, afirma Carvalho.

Até o dia 3 de outubro, a escola está com inscrições abertas para o seu curso de graduação pela primeira vez. Com 30 vagas disponíveis, a turma inicial do bacharelado em matemática aplicada começa em 2012 e o curso vai durar quatro anos.

A nova escola da FGV é um projeto antigo. Desde 2001, quando a fundação relançou seus tradicionais cursos com uma carga maior de horas-aula dedicadas à matemática, a direção da escola vem notando uma tendência de uso crescente da disciplina nas áreas de aplicação da FGV: administração, economia, direito e ciências sociais.

Fundada em 1944, a FGV nasceu com a objetivo de formar profissionais para a administração pública e privada do país. Anos depois, avançou para outras áreas ao criar a Escola de Pós-Graduação em Economia em 1961, a Escola de Ciências Sociais e História em 1973 e a FGV Direito Rio em 2002. Antes, esses programas tinham duas ou três matérias dedicadas à matemática. Com a reformulação, passaram a ter o dobro.

Uma escola não é independente da outra e, apesar de serem de áreas distintas, atuam de forma interdisciplinar. Até a mais recente inauguração da Fundação, a Emap, já tem um projeto em andamento junto com a escola de direito. O “Supremo em Números” tem a intenção de compreender melhor o comportamento e o funcionamento da jurisdição máxima do direito brasileiro.

Para isso, pesquisadores estão analisando as decisões processuais do Supremo Tribunal Federal (STF) e os andamentos dos processos: seu tempo, seus atores, suas origens geográficas e as regularidades e correlações entre esses e outros elementos. Desse modo, eles esperam fundamentar quantitativa e estatisticamente as discussões sobre o impacto da atuação do STF na democracia brasileira. “Estamos na etapa de extrair padrões de comportamento para compreender melhor algumas tendências”, explica Carvalho.

No entanto, o pró-reitor de ensino, pesquisa e pós-graduação da FGV, Antonio Freitas, ressalta, que a proposta da escola é mais ampla e vai além da formação de profissionais especialistas em análise de dados – ela visa também o desenvolvimento de acadêmicos na área da matemática. “Há uma carência de mestres e doutores nessa área no país. Queremos estreitar essa lacuna”, diz.


Empresas investem nos futuros “mineiros de dados”

Por De São Paulo

A necessidade de formar “mineiros de dados” não é uma preocupação exclusiva do Brasil. Empresas e universidades americanas também já se atentaram para esse problema. A IBM, por exemplo, firmou parceria com diversas escolas nos Estados Unidos para oferecer cursos nessa área. Desde abril, a companhia e o Centro de Inteligência a Clientes da Yale School of Management ministram uma disciplina que pretende dar aos alunos do MBA conhecimentos profundos em análise de dados. Além disso, eles vão discutir como essa habilidade pode ajudar as empresas a prever e a entender melhor as tendências de consumo, tendo em vista um aumento nas vendas.

Em classe, os estudantes têm a oportunidade de aplicar o que aprenderam na teoria em situações reais. Por meio de dados coletados nas mídias sociais, por exemplo, eles conseguem detectar se um empreendimento não está alcançando as expectativas dos clientes em relação ao atendimento em horários de grande movimento. Ao analisar tais relatórios, podem sugerir a contratação de mão de obra temporária para melhorar o serviço e evitar comentários negativos em relação à marca.

Nos últimos cinco anos, a IBM investiu US$ 14 bilhões (R$ 26 bilhões) em aquisições de empresas de análises de dados. A expectativa da companhia é dedicar outros US$ 16 bilhões (R$ 30 bilhões) em otimização e interpretação de informações até 2015.

A Deloitte é outra empresa que se uniu à academia para formar especialistas na área. Em parceria com a Kelley School of Business, da Universidade de Indiana, oferece desde 2010 uma especialização em análise de negócios aos seus funcionários. A meta é fazer com que os alunos interpretem os dados de uma perspectiva estratégica para os negócios.

Já a Faculdade de Comércio McIntire, da Universidade de Virgínia, vai introduzir, neste semestre, aulas eletivas focadas em análise de dados, antes direcionadas para estudantes de TI, também para interessados em marketing e finanças. (AF)

Fonte: Jornal Valor Econômico – 26/09/2011 – página D10