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Riscos Globais 2012

quinta-feira, outubro 11th, 2012

O relatório Riscos Globais 2012, do Fórum Econômico Mundial, baseia-se em uma pesquisa junto a 469 especialistas de indústrias, governos, universidades e sociedade civil, que examina 50 riscos globais, distribuídos em 5 categorias.

Ao invés de concentrar-se em um único risco empírico, o relatório dá ênfase ao efeito singular de um determinado universo de riscos globais. O exame do conjunto de riscos deste ano levou à identificação de três universos de risco distintos, que representam uma ameaça bastante séria à nossa prosperidade e segurança futuras.

As três áreas de risco descrevem os elos entre uma seleção de riscos globais, sua inter-relação e sua provável evolução ao longo dos próximos 10 anos. As áreas baseiam-se inicialmente em uma análise quantitativa das interconexões identificadas na pesquisa, sendo então aprofundados por uma análise qualitativa realizada por meio de seminários conduzidos pelo Fórum em vários países e discussões de acompanhamento com consultores de projetos.

Caso 1: As sementes da distopia

Distopia, o contrário de utopia, é um lugar onde a vida é repleta de penúria e destituída de esperança. A análise do encadeamento dos diversos riscos globais revela um universo de riscos fiscais, demográficos e sociais que indicam um futuro distópico para boa parte da humanidade. A interação desses riscos pode levar a um mundo onde uma grande parte da população de jovens enfrente níveis elevados e crônicos de desemprego e, ao mesmo tempo, a maior população de aposentados da história torne-se dependente de governos já extremamente endividados. Tanto os jovens como os idosos podem deparar-se com uma defasagem de renda e de habilidades grande o suficiente para ameaçar a estabilidade social e política.

Essa área de riscos sublinha o perigo que poderia surgir caso o declínio nas condições econômicas rompa o contrato social entre o Estado e seus cidadãos. Na ausência de modelos alternativos viáveis, essa situação poderia levar a economia global para uma espiral descendente, alimentada pelos efeitos adversos do protecionismo, nacionalismo e populismo.

 

Caso 2: Até que ponto nossas salvaguardas são seguras?

Em um mundo cada vez mais complexo e interdependente, a capacidade de administrar os sistemas que fundamentam nossa prosperidade e segurança está se debilitando. A área de riscos relacionada ás tecnologias emergentes, interdependência financeira, esgotamento de recursos e mudanças climáticas expõe a fragilidade das salvaguardas existentes que são as políticas, normas, regulamentos ou instituições que servem de sistema de proteção. Nossas salvaguardas podem não ser mais adequadas à finalidade de gerir recursos vitais e assegurar a ordem nos mercados e a segurança pública.

A interdependência e complexidade inerentes à globalização exigem a mobilização de um grupo mais amplo de intervenientes para estabelecer salvaguardas mais flexíveis, capazes de aprimorar respostas eficazes e oportunas aos riscos que vierem a surgir.

 

Caso 3: O lado negro da conectividade

O impacto do crime, terrorismo e guerra no mundo virtual ainda não igualaram seus efeitos sobre o mundo real, mas há temores de que isso possa mudar. A hiperconectividade é uma realidade. Com mais de cinco bilhões de celulares, conectividade à Internet e aplicativos na nuvem, a vida quotidiana está mais vulnerável às ameaças cibernéticas e ao caos digital. Nesta área de riscos globais, destaca-se o descompasso dos incentivos para enfrentar esse desafio global. Hoje, a segurança online é considerada um bem público, sugerindo a necessidade urgente de estimular um envolvimento maior do setor privado para reduzir a vulnerabilidade dos sistemas essenciais de tecnologia da informação.

Apesar de, no passado, existir a necessidade de recursos materiais e humanos expressivos para exercer influência geopolítica ou geoeconômica, com o deslocamento do poder do mundo físico para o mundo virtual as fronteiras tornaram-se mais permeáveis. Um espaço digital saudável é necessário para assegurar a estabilidade da economia mundial e o equilíbrio do poder.

 

Relatório especial sobre o Japão

Esta seção do relatório apresenta uma análise especial das importantes lições aprendidas com o terremoto e tsunami de 2011 e a crise nuclear que se seguiu em Fukushima, no Japão. Ela se concentra no papel da liderança, nos desafios da comunicação eficaz nesta era da informação e em modelos de negócios mais resilientes para responder á crises de magnitude incomum.

 

50 riscos globais

Estruturada em uma perspectiva de 10 anos, a pesquisa apreendeu o impacto percebido, a probabilidade e o inter-relacionamento dos 50 riscos globais predominantes. As Figuras 4 e 5 mostram, respectivamente, as classificações agregadas dos cinco riscos classificados na pesquisa deste ano como apresentando a maior percepção de probabilidade e impacto potencial ao longo dos próximos 10 anos. (O Apêndice 2 traz um detalhamento completo das respostas da pesquisa).

Conforme explicado na seção sobre metodologia, o relatório 2012 introduz o conceito de Centros de Gravidade: – os riscos considerados pelos pesquisados como de maior importância sistêmica em cada uma das cinco categorias de risco. No planejamento relativo a riscos, os centros de gravidade devem servir como pontos focais para nortear as intervenções estratégicas. São os seguintes os Centros de Gravidade de 2012:

  • Desequilíbrios fiscais crônicos (Econômico)
  • Emissões de gases de efeito estufa (Ambiental)
  • Falência da governança global (Geopolítico)
  • Crescimento demográfico insustentável (Social)
  • Falência de sistemas fundamentais (Tecnológico)

 

Finalmente, o relatório também antecipa os Fatores X, que demandam pesquisa adicional. A noção de um inverno vulcânico, a epigenética e mega-acidentes são alguns Fatores X para consideração futura.

Este relatório serve de base de pesquisa para o funcionamento integrado das Redes de Resposta aos Riscos no mapeamento, monitoramento, gerenciamento e mitigação dos riscos globais.

 

Quadro 1: A evolução do cenário de riscos: comparação entre 2011 e 2012

O cenário de riscos neste relatório de 2012 baseia-se em um conjunto refinado e ampliado de 50 riscos, em comparação com 37 em anos anteriores. Isso significa que comparações com o relatório de 2011 não são unívocas; contudo, conforme apresentado no Quadro 1, fica evidente que as preocupações dos pesquisados passaram dos riscos ambientais em 2011 para os riscos socioeconômicos em 2012. Os riscos econômicos substituíram os riscos ambientais como os considerados mais prováveis. Em 2011, os riscos considerados como tendo o maior impacto potencial eram os riscos econômicos e ambientais; em 2012, são os riscos econômicos e sociais.