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Bolsas nos EUA fecham em patamar recorde e Valor de Mercado Mundial se encontra no maior patamar histórico

sexta-feira, setembro 5th, 2014

Nova York – Em 05 de setembro de 2014, o Índice S&P 500 fechou em novo patamar recorde de alta com variação positiva de 0,5%, a 2.007,71 pontos. O Índice Dow Jones subiu 0,4%, fechando em 17.137 pontos e o Nasdaq subiu 0,45%, fechando em 4.582 pontos.

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Em 05 de agosto de 2014, a Federação Mundial de Bolsas (World Federation of Exchanges) publicou o relatório com as Estatísticas do Mercado do primeiro semestre de 2014.

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Entre os destaques o relatório mostra a continuidade de um forte desempenho dos mercados de ações, com o Valor de Mercado Global atingindo USD 68,7 trilhões, o que representa um crescimento de 21% em relação ao mesmo período de 2013.

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Este valor é o maior patamar histórico do Valor de Mercado Global, se olharmos o Valor de Mercado Global com base nos dados da Mckinsey o topo anterior foi atingido entre o final de 2007 e o estouro da crise financeira em 2008, a única conclusão que podemos tirar é que em breve teremos momentos de correção nos preços das ações, este valor não reflete o momento econômico mundial que ainda não se recuperou plenamente da crise financeira.

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No Brasil, o Índice Bovespa (IBovespa) ainda não ultrapassou a máxima histórica obtida em 20 de maio de 2008, data em que alcançou 73.516 pontos. A euforia ocorreu após a S&P elevar o rating do País para grau de investimento em 30 de abril daquele ano, embora as outras duas agências de classificação de risco (Fitch e Moody’s) tenham tomado a mesma decisão nos meses subsequentes, o índice foi aos poucos se distanciando de sua pontuação histórica e revertendo a tendência de alta a partir do 2º semestre do ano, quando a crise do subprime norte-americano se alastrou pelo mundo.

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Ranking dos países com o sistema financeiro mais desenvolvido

sexta-feira, março 1st, 2013

Estudo do Fórum Econômico Mundial apontou Hong Kong como o sistema financeiro mais eficiente do mundo; Brasil ficou em 32º lugar

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O Relatório de Desenvolvimento Financeiro 2012 é baseado no Índice de Desenvolvimento Financeiro, que fornece uma pontuação e classificação para a amplitude, profundidade e eficiência de 62 sistemas financeiros e mercados de capitais de economias líderes mundiais.

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O relatório completo pode ser acessado através do link: http://www3.weforum.org/docs/WEF_FinancialDevelopmentReport_2012.pdf

O índice analisa os drivers do desenvolvimento do sistema financeiro que suportam o crescimento econômico, e, assim, compara a competitividade global dos sistemas financeiros. Em última análise, o relatório tem como objetivo servir como uma ferramenta tanto para economias avançadas e emergentes para aferir-se, assim, permitindo-lhes identificar e priorizar áreas com necessidades de reforma.

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O relatório define o desenvolvimento financeiro como os fatores, políticas e instituições que levam a intermediação financeira e mercados para a eficácia, bem como amplo e profundo acesso a capitais e serviços financeiros. De acordo com essa definição, as medidas de desenvolvimento financeiro são capturadas através dos sete pilares do Índice:

1. Ambiente institucional: abrange a liberalização do setor financeiro, governança corporativa, questões legais e regulamentares, e execução de contratos

2. Ambiente de negócios: considera o capital humano, impostos, infraestrutura e os custos de fazer negócios

3. Estabilidade financeira: capta o risco de crises cambiais, crises bancárias sistêmicas e crises de dívida soberana

4. Serviços bancários financeiros: medidas de tamanho, a eficiência e a divulgação de informação financeira

5. Serviços financeiros não bancárias: inclui atividades de IPO, Fusões e Aquisições, seguros e securitização

6. Os mercados financeiros: engloba câmbio e mercados de derivativos, e equidade e desenvolvimento mercado de títulos

7. Acesso financeiro: avalia o acesso ao comércio e varejo

 

O índice tem uma visão abrangente na avaliação dos fatores que contribuem para o desenvolvimento dos sistemas financeiros a longo prazo. Tal abordagem permitirá que os tomadores de decisão possam desenvolver uma perspectiva equilibrada ao determinar quais os aspectos do sistema financeiro de seu país são mais importantes, e para calibrar essa visão empírica relativa a outros países.

Um achado importante nos resultados deste ano do índice é que os sistemas financeiros em todo o mundo parecem ter parado. Apenas dois subpilares, desenvolvimento da atividade de IPOs e mercado de capitais, experimentou considerável mudança neste ano sobre o ano anterior nos dados de base para a maioria dos indicadores. Os resultados mostram que:

• Durante o ano passado, a participação média dos processos de IPO diminuiu 11%, enquanto a participação média de IPOs do mundo em número de ofertas diminuiu 14%. Isto sugere que a listagem das empresas nos mercados está ficando mais concentrada.

• De 2010 para 2011, três dos quatro indicadores no subpilar do desenvolvimento do mercado de capitais mudaram significativamente, em média quase 20%. Durante o mesmo período, mais de dois terços dos países experimentaram um declínio no volume de transações de um ano sobre o anterior e número de empresas listadas por 10.000 pessoas, enquanto três quartos dos países viu uma queda no valor de mercado de ações negociadas em relação ao PIB.

Embora a maioria dos subpilares experimentaram movimentos insignificantes, a atividade de IPO e desenvolvimento do mercado acionário pareciam experimentar uma volatilidade significativa. Portanto, um olhar mais atento às variáveis ​​subjacentes em cada uma dessas subpilares em mais de um período de vários anos comprova o informativo. Olhar para as mudanças nas variáveis ​​individuais de uma perspectiva geral e regional lança luz sobre como as economias e regiões se saíram durante a crise. O relatório presta especial atenção para os cinco principais países que hospedam maiores bolsas de valores do mundo, uma vez que representam mais de 50% do valor de mercado mundial das empresas de capital aberto, e, assim, proporcionar uma perspectiva adicional sobre os efeitos da recente crise nos mercados de ações. Alguns dos pontos-chave desta análise são os seguintes:

• A mudança mais significativa ocorreu dentro do indicador valor de mercado doméstico em relação ao PIB. A variável de maior declínio ano sobre ano ocorreu de 2007 a 2008, e níveis de 2011 ainda são substancialmente mais baixos do que em 2006. No entanto, a liquidez parece estar se estabilizando, como destaca o fato de que a velocidade de volume de negócios se recuperou em 2011, aproximando-se dos níveis de 2006.

• Os resultados regionais estão em linha com as tendências acima mencionadas, como capitalização de mercado em relação ao PIB diminuiu na maioria das regiões, com exceção da Ásia/Pacífico. Em contraste, enquanto o quadro geral sugere que a liquidez está se estabilizando, Europa e América Latina estão em diminuição, indicando que demorando problemas de liquidez podem ser específicos dessas regiões.

• Através das cinco principais economias que possuem as maiores bolsas, a liquidez parece estar se estabilizando em linha com a tendência geral, com exceção do Reino Unido. No entanto, a capitalização de mercado doméstico em relação ao PIB ainda está em declínio em três dos cinco países analisados.

Entre os fatores que influenciam essa queda são as quedas nos valores negociados em relação ao PIB, o número de empresas listadas por 10.000 pessoas e atividades de IPO. Embora se possa observar bolsões de melhoria através de alguns indicadores relacionados ao sistema bancário, isso significa apenas um pequeno passo no que será um longo caminho para a recuperação. Volatilidade em todos os mercados de ações também sugere que muitos atores estão sentindo um grau de incerteza. A fim de aproveitar as muito necessárias oportunidades de crescimento, os tomadores de decisão precisam reconhecer que os sistemas financeiros devem progredir. Ao mesmo tempo, os líderes devem manter um olhar atento sobre os indicadores que mostraram declínios e tomar medidas se as condições continuarem a se deteriorar.


Você acredita em tudo que lê? 6 informações falsas que mexeram com os mercados

sexta-feira, novembro 11th, 2011

Publicação errada da S&P sobre o rating da França é um lembrete sobre a velocidade o poder das informações para os investimentos financeiros

Gustavo Kahil, de Exame.com

O mercado e as notícias

São Paulo – Os mercados financeiros se movem baseados em análises sobre o presente, o que poderá vir a acontecer no futuro e também sobre as notícias. Os analistas erram, todos sabem, simplesmente porque – além de projeções que podem estar equivocadas – o mundo muda diariamente.

As agências de notícias também podem ser influenciadas por relatórios divulgados erroneamente ou por declarações oficiais de governos e empresas que posteriormente se mostram equivocadas ou mentirosas. Os rumores viajam na velocidade da luz e têm o potencial de derrubar ou disparar um ativo financeiro.

A publicação equivocada de uma análise da Standard and Poor’s na quinta-feira teve um resultado semelhante. A agência distribuiu um comunicado no qual rebaixava a nota de crédito da França. Os títulos da dívida do governo francês tiveram o pior dia desde a criação do euro em 1999. Relembre alguns casos parecidos que foram capazes de criar euforia e decepção em pouco tempo.

Spencer Platt/ Getty Images

 


A notícia que fez uma ação cair 99,9%

Uma notícia de que a United Airlines iria pedir falência agitou os mercados americanos na manhã de 8 de setembro de 2008. Assim que as bolsas iniciaram os negócios a reação foi incrível. Em apenas 6 minutos, as ações da companhia aérea derreteram 99,9% e os negócios foram paralisados pela bolsa de Nova York. A negativa da United Airlines veio logo em seguida. Depois da paralisação dos negócios, as ordens foram reorganizadas e os papéis foram negociados, na mínima do dia, com uma desvalorização de 27%.

Ao final do dia, as agências de notícias discutiam sobre quem era o culpado sobre o erro. A United disse que uma antiga matéria do jornal Chicago Tribune de 2002 havia sido publicada em um website do The South Florida Sun-Sentinel. Uma empresa de análise teria inserido o link em uma página da Bloomberg, que então teria enviado um alerta baseado no artigo.


ANP e o 3º maior campo de petróleo do mundo

A segunda-feira, 14 de abril de 2008, foi um dia para não ser esquecido pelos investidores da Petrobras. Ainda em meio à euforia sobre as reservas de petróleo da Petrobras na camada do pré-sal, o então diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP), Haroldo Lima, deu declarações que animaram o mercado.

Lima disse durante o 4º Seminário de Petróleo e Gás Natural promovido pela FGV (Fundação Getúlio Vargas) que o bloco BM-S-9, conhecido como Carioca, poderia ser alçado ao posto de terceiro maior campo de petróleo do mundo com reservas de aproximadamente 33 bilhões de barris de óleo equivalente (boe).

Com base na informação divulgada por um membro do governo, o mercado se animou. Os papéis ordinários da Petrobras chegaram a subir 10% e os preferenciais 7% ao longo do dia. No dia seguinte, o diretor recuou. Ele disse que as informações não eram novas e que apenas reproduziu informações publicadas na revista americana “Word Oil” dois meses antes.

A CVM não gostou nada do anúncio realizado de forma não oficial e considerou a declaração como prejudicial ao mercado. A autarquia destacou que esse tipo de informação precisa ser feito exclusivamente pela empresa, principalmente se possuir “potencial de influenciar os preços das ações negociadas no mercado e a decisão dos investidores de comprar ou vender”.

OSCAR CABRAL


O lançamento do primeiro iPhone

Em maio de 2007, a expectativa pelo lançamento do primeiro iPhone era enorme. Os investidores aguardavam apreensivos pelo anúncio do que viria a se tornar um dos telefones celulares mais revolucionários. A data já estava marcada: 28 de junho de 2007. Mas uma notícia publicada pelo site “engadget” baseada em um falso e-mail da empresa dirigido aos funcionários afirmava que o lançamento seria adiado para outubro.

Era tudo mentira. A mensagem enviada pelo remetente “Bullet News” não era da Apple. A empresa logo enviou um novo e-mail desmentindo a informação aos funcionários. “Você deve ter recebido um que parecia ser uma “Bullet News” da Apple. Essa comunicação é falsa e não veio da Apple”, esclareceu. Na mínima daquele dia, as ações da Apple chegaram a cair 3,8%, para 103,42 dólares.

Oli Scarff/Getty Images


A falsa morte de Steve Jobs

Mais uma vez os investidores da Apple sofreram um belo susto. Desta vez, foi a notícia equivocada sobre a morte de seu co-fundador, Steve Jobs, que espantou os investidores e aficionados pela marca. O texto publicado pela Bloomberg no dia 27 de agosto de 2008 às 4:27 da tarde em Nova York destacava as criações e a vida profissional de Jobs no formato de um clássico obituário. A matéria, marcada como “Em espera para publicação – Não use”, foi enviada para milhares de usuários corporativos da agência.

“Steve Jobs, que ajudou a criar computadores pessoais tão fáceis de usar quanto os telefones, mudou a maneira com que os filmes de animação são feitos, persuadiu consumidores a usar a música digital e redesenhou o telefone celular, XXX”, dizia um trecho do texto.

A Bloomberg se retratou e disse que uma matéria foi “inadvertidamente” publicada. “O item nunca foi concebido para publicação e foi recolhido”, informou a agência. O obituário foi flagrado pelo blog Gawker. A gafe histórica trouxe alguns minutos de pânico aos investidores, que já andavam preocupados com a saúde de Jobs – que faleceu no dia 5 de outubro de 2011.

Justin Sullivan/Getty Images/AFP


A S&P e o rating da França

Os mercados financeiros ficaram espantados ontem com a notícia de que a França, um país com a capacidade de pagamento das suas dívidas avaliado em AAA, poderia perder o grau máximo de confiança da sua nota de classificação de risco. Mas tudo não passou de um erro.

A agência Standard and Poor’s distribuiu equivocadamente um comunicado no qual teria rebaixado o triplo A do país. O anúncio levou a uma nova onda de pessimismo à já combalida zona do euro com os problemas na Itália, Portugal e Grécia. Os títulos da dívida do governo francês tiveram o pior dia desde a criação do euro em 1999

O ministro das finanças do país, Francois Baroin, avaliou o ocorrido como “muito chocante” e pediu aos reguladores uma investigação sobre as causas e consequências dele. “Nós temos uma estratégia, um comprometimento em termos de redução do déficit”, disse ele durante uma conferência econômica em Lyon.

Flickr


O IPCA apressado do IBGE

O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) também deu um escorregão na quinta-feira. O órgão deixou vazar os números do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor – Amplo) um dia antes do habitual. Uma “falha no sistema de publicação de informações” na tarde de ontem teria permitido a divulgação antecipada.

A informação não teria aparecido no site, mas pode ser acessada por outras tecnologias, como celulares. Em um ano no qual o controle dos preços tem centrado o debate sobre a economia brasileira, saber do principal índice de inflação do país com antecedência é uma bela ajuda. O IPCA de outubro subiu 0,43%, contra alta de 0,53% em setembro.

Divulgação/IBGE

Fonte: Portal Exame

http://exame.abril.com.br/mercados/noticias/voce-acredita-em-tudo-que-le-6-fatos-errados-que-mexeram-com-os-mercados

Os federais investigam o mercado financeiro

quinta-feira, setembro 15th, 2011

A PF começa a investigar crimes ligados ao mercado de capitais — já há um processo para apurar a inexplicável alta de mais de 1 000% das ações da Mundial

Thiago Bronzatto, da Exame

Cristiano Mariz/EXAME.com

Vieira Leite e delegados da PF: aulas com o FBI e a CVM para apurar irregularidades na bolsa

São Paulo – O caso mais bizarro que ocorreu neste ano na Bovespa foi o desempenho das ações da Mundial, fabricante gaúcha de produtos de cutelaria, talheres e válvulas hidráulicas.

Insignificante para a maioria dos investidores até 2010, a Mundial chamou a atenção nos últimos meses: seus papéis se valorizaram 1 400% de janeiro a julho, chegaram a ser mais negociados que os da Petrobras e, logo em seguida, despencaram 90%. Ninguém sabe o que ocorreu.

Circularam no mercado e-mails anônimos com acusações, mas até agora ninguém provou nada. A Comissão de Valores Mobiliários está investigando a empresa desde abril, algo natural, dado que essa é a função da autarquia. A novidade no caso Mundial é que a Polícia Federal entrou no processo.

Agentes ligados à unidade responsável por crimes financeiros estão analisando a companhia e os investidores que mais compraram e venderam suas ações nos últimos meses. A principal suspeita, dizem fontes ouvidas por EXAME, é de manipulação de mercado.

Não é a primeira vez que a PF analisa problemas ligados à bolsa de valores, mas esse é o primeiro processo com alguma relevância, que pode resultar em ações na Justiça contra os suspeitos. Na prática, está sendo encarado internamente como a estreia dos policiais na investigação de crimes de mercado.

Os mesmos agentes que atuam em ca­sos de lavagem de dinheiro, fraudes ban­cárias e formação de cartel — e foram responsáveis, no passado, por operações como Banestado e Sanguessuga — estão, hoje, avaliando irregularidades em companhias abertas.

A PF não informa quantos casos estão em análise, mas diz receber da CVM, pelo menos uma vez por semana, dados com indícios de problemas no mercado de capitais — que vão de balanços financeiros com informações duvidosas a sinais de manipulação na negociação de ações.

60 horas de aulas

É esperado que a maioria dos processos seja resolvida com consultas às empresas e aos sistemas de dados da CVM e BM&FBovespa. Mas os casos mais complexos podem gerar investigações detalhadas, que geralmente incluem a quebra do sigilo bancário e telefônico dos envolvidos, a exemplo do que ocorre nos Estados Unidos e na Europa.

“Queremos ajudar a CVM a fazer uma faxina nas irregularidades do mercado de capitais”, diz Aderson Vieira Leite, chefe da divisão de repressão a crimes financeiros da PF, em Brasília. Segundo ele, a polícia passou os dois últimos anos se preparando para atuar nessa área, o que incluiu a contratação de novos agentes e a realização de cursos de especialização em economia e finanças.

Quase todos os cerca de 130 policiais que integram a unidade de crimes financeiros da PF são formados em direito e, até pouco tempo atrás, sabiam pouquíssimo sobre o funcionamento do mercado de capitais — operações de day trade, negociações nos mercados futuros e mesmo informações mais básicas, como a composição do Índice Bovespa, eram um mistério para a maioria deles.

Nos últimos 12 meses, os principais policiais assistiram, em média, a 60 horas de aulas com profissionais da CVM, da bolsa, da SEC (a CVM americana) e também com agentes do FBI, que investigam crimes financeiros, e integrantes do Departamento de Justiça dos Estados Unidos.

“O contato com o FBI é interessante porque eles detalham as operações e, assim, a PF aprende novas técnicas”, afirma Alexandre Pinheiro dos Santos, chefe da Procuradoria Federal Especializada, unidade da CVM que analisa irregularidades no mercado de capitais.

O FBI chegou a infiltrar agentes em festas de Wall Street para investigar o cingalês Raj Rajaratnam, sócio da gestora Galleon. Acusado de ganhar 64 milhões de dólares operando com base em informações privilegiadas, Rajaratnam está em prisão domiciliar e pode ser condenado a 19 anos de prisão.

O julgamento está previsto para o fim de setembro. A PF não costuma invadir festas, mas tem experiência em usar agentes disfarçados. Em 2004, policiais se passaram por mendigos para vigiar diretores do banco Santos depois que a instituição quebrou em meio a denúncias de fraude — o relatório da PF serviu de base para o processo na Justiça que acusa Edemar Cid Ferreira, ex-presidente do banco, de formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e gestão fraudulenta, crimes que o condenaram a 21 anos de prisão. Ele recorre em liberdade.

É covardia comparar a estrutura do FBI com a da Polícia Federal. Os americanos investigam crimes financeiros desde 1908. Hoje, contam com 1 200 policiais formados em diversas áreas — economia, contabilidade e até medicina – para analisar denúncias em diferentes setores.

Em 2010, foram abertos quase 9 000 inquéritos e realizadas 150 operações de busca e apreensão, que resultaram na condenação dos acusados. Dessas operações, 35 foram relacionadas ao mercado de capitais. Aqui, a área foi criada em 2003. No ano passado, os 130 policiais brasileiros abriram 1 241 inquéritos e fizeram 20 operações — nenhuma delas ligada a problemas na bolsa de valores.

Até hoje, é impossível fazer um balanço da atuação dos federais na área financeira porque eles não divulgam detalhes dos resultados das investigações — ao contrário do FBI, que publica anualmente relatórios extensos com explicações sobre os processos já concluídos.

Sabe-se que há casos bem-sucedidos no Brasil, como a Operação Paraíso Fiscal, que desmontou um esquema de lavagem de dinheiro e crimes financeiros envolvendo doleiros e auditores da Receita Federal em agosto deste ano.

Mas também há derrapadas memoráveis. Em 2008, a operação Satiagraha, que resultou na prisão do banqueiro Daniel Dantas, do ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta e do investidor Naji Nahas, acusados de desvio de verbas públicas e crimes financeiros, foi repleta de problemas.

A denúncia foi considerada ilegal pelo Superior Tribunal de Justiça porque envolveu a participação de integrantes da Agência Nacional de Inteligência sem autorização judicial. Também ocorreram erros primários de transcrição de trechos de escutas telefônicas de conversas de Daniel Dantas.

Na transcrição, os agentes presumem que “conta curral” teria a ver com paraíso fiscal. Na verdade, o que se diz no áudio é Ponta do Curral, uma localidade no sul da Bahia, onde Dantas tinha uma fazenda. A PF diz que está sendo mais “cuidadosa” com as investigações.

“Estamos atentos. Há muitas especificidades técnicas relacionadas à bolsa de valores”, diz o delegado Rodrigo Sanfurgo, chefe da Delegacia de Repressão a Crimes Financeiros da Superintendência Regional da Polícia Federal em São Paulo, que centraliza a maioria dos processos ligados ao mercado de capitais. Em pouco tempo, saberemos se será mesmo assim.

Fonte: Portal Exame

http://exame.abril.com.br/revista-exame/edicoes/1000/noticias/os-federais-vem-ai?page=1&slug_name=os-federais-vem-ai

 

PF e CVM deflagram operação para apurar manipulação com ações da Mundial

quarta-feira, setembro 14th, 2011

A finalidade é obter provas que instruirão os procedimentos de investigação, diz comunicado

Gustavo Kahil, de Exame.com

DIVULGACAO

Após atingirem o pico de 5,11 reais em julho, os papéis são negociados atualmente em torno dos 53 centavos, uma desvalorização de quase 90%

São Paulo – A Polícia Federal e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), entidade que regula e fiscaliza o mercado de capitais no Brasil, anunciaram nesta quarta-feira à noite uma operação para buscar e apreender provas para investigar as recentes oscilações de preço e volume das ações de emissão da Mundial (MNDL3; MNDL4), fabricante de produtos de beleza, talheres e válvulas hidráulicas. As buscas devem ocorrer em Porto Alegre (RS), cidade onde fica a sede da empresa.

A matéria “Os federais vêm aí” da edição 1000 de EXAME que está nas bancas já antecipava que a Polícia Federal tinha começado a investigar crimes ligados ao mercado de capitais e o primeiro caso é justamente a suposta manipulação das ações da Mundial. As investigações em curso visam a apurar possível manipulação do mercado de capitais, que uma vez confirmada, gera prejuízos não apenas para a companhia aberta envolvida, mas também para a coletividade de investidores e para a sociedade em geral”, mostra um comunicado publicado no site da autarquia.

A análise da CVM sobre a movimentação atípica dos papéis começou em agosto do ano passado, porém se intensificou a partir de abril, conforme antecipou EXAME.com. “Estamos preocupados com a possibilidade de manipulação”, disse o Superintendente de Relações com o Mercado e Intermediários, Waldir de Jesus Nobre, à época. As medidas adotadas hoje são um “poderoso fator de desestímulo à prática de ilícitos contra o mercado de capitais”, afirma um trecho da nota.

Após o anúncio das investigações, o diretor-presidente da empresa, Michael Lenn Ceitlin, disse em uma nota que uma “pseudo-denúncia sobre insider trading” estava por trás da queda das ações da Mundial. Após atingirem o pico de 5,11 reais em julho, os papéis são negociados a 53 centavos, uma desvalorização de quase 90%. Segundo ele, a apuração e o rastreamento da origem da denúncia deverão identificar aqueles que se aproveitaram “para lucrar com as bruscas oscilações nos preços das ações da companhia”.

Histórico

A fabricante de bens de consumo reapareceu para o mercado após concluir, no final do ano passado, o plano de reestruturação da empresa iniciado em 2003. A Mundial contratou uma consultoria de relações com investidores e começou a organizar encontros com investidores e analistas. O resultado foi uma reação quase inacreditável das ações.

A empresa chegou a valer em bolsa 1,734 bilhão de reais e teve as ações negociadas a 31 vezes o valor da empresa sobre o Ebitda (EV/Ebitda) projetado (55 milhões de reais) para 2011. Após isso, contudo, as ações engataram num movimento de expressiva desvalorização.

O volume financeiro girado pelas ações preferenciais chegou a superar os das blue chips OGX (OGXP3), Bradesco (BBDC4), Itaú (ITUB4) e a ordinária da Petrobras (PETR3) em algumas sessões. A euforia em torno da Mundial chegou a fazer com que analistas projetassem a possível entrada da empresa no índice Bovespa, o mais importante da bolsa brasileira.

A BM&FBovespa, contudo, barrou a adesão da Mundial ao índice. Segundo a bolsa, o não ingresso da Mundial nos índices citados acima ocorre por conta da movimentação atípica registrada no volume e nos preços dos negócios realizados com as ações da companhia.

Injeção de capital

Em julho, a empresa anunciou que um fundo da Yorkville chegou a um acordo para investir 50 milhões de dólares para acelerar o programa de amortização dívida fiscal e para financiar a expansão da Mundial. Por meio do Standby Equity Distribution Agreement (SEDA), a Mundial irá vender ações para a Yorkville com emissões privadas de no mínimo 5 milhões de dólares cada, por um período de dois anos.

Cada emissão privada terá o preço calculado levando-se consideração o maior valor entre o equivalente a 97% da média, ponderada pelo volume, das 3 menores cotações diárias durante o período de 10 dias seguidos de negociação a partir do recebimento pelo fundo da requisição de subscrição da companhia.

Fonte: Portal Exame

http://exame.abril.com.br/mercados/noticias/pf-e-cvm-deflagram-operacao-em-porto-alegre-para-apurar-manipulacao-com-a-mundial?page=1&slug_name=pf-e-cvm-deflagram-operacao-em-porto-alegre-para-apurar-manipulacao-com-a-mundial