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Conheça o fundo que rendeu 6.700% acima da inflação

quarta-feira, março 28th, 2012

Pedro Damasceno, da Dynamo, fala de momentos marcantes, das ideias e da filosofia de investimentos de um dos primeiros e mais bem-sucedidos fundos de ações da Bovespa

João Sandrini, de Exame.com

Divulgação

Bombril: investimento da Dynamo na empresa foi um grande fracasso

São Paulo – Quem bate o olho na rentabilidade nominal do Dynamo Cougar, um dos fundos de ações mais antigos do Brasil, acha que está diante de algum equívoco. O fundo teve uma valorização de inacreditáveis 1.014.594% desde que foi criado em setembro de 1993. É lógico que o número está bastante poluído porque a aplicação foi criada em um momento de inflação elevadíssima no Brasil. Mas mesmo o resultado deflacionado pelo IGP-M é capaz de impressionar qualquer investidor. O retorno real do Dynamo Cougar alcança 6.774% desde então, transformando muita gente em milionários.

Para quem acha que acaba de descobrir quem vai contratar para investir algum dinheiro em ações, aqui vai uma má notícia. O Dynamo Cougar está fechado para novas captações. Pedro Damasceno, sócio da gestora de recursos, afirma que não enxerga neste momento oportunidades na Bovespa que justifiquem o investimento de mais recursos. Ele também diz que uma parte dos 6 bilhões de reais sob administração já está em caixa à espera de melhores oportunidades para entrar no mercado. Em palestra realizada na Casa do Saber, em São Paulo, realizada na noite de segunda-feira, Damasceno detalhou a filosofia de investimentos, as ideias e alguns momentos marcantes da história da Dynamo:

Bolsa

A Dynamo sempre foi uma gestora com visão “bullish” [otimista] com o potencial de retorno das empresas brasileiras e pessimista com o Brasil. De 2004 para cá, no entanto, tem sido o contrário. O país vive um bom momento, mas é muito difícil encontrar na bolsa bons negócios a preços razoáveis. As bolsas mundiais estão caras. Estamos devolvendo o dinheiro dos investidores lá fora. Aqui isso não é possível devido aos custos tributários, mas estamos fechados para novas captações e mantemos um percentual acima da média de dinheiro em caixa. O preço que a gente paga por isso é que se a bolsa andar muito, ficaremos para trás. Mas preferimos não fazer nada a investir em ativos que nos deixem desconfortáveis.

É lógico que dentro de alguns anos, vamos olhar para trás e perceber que muitas companhias garantiram retornos excepcionais no período. Mas vejo poucas oportunidades óbvias neste momento. Vou dar exemplos do que mudou. Em meados da década de 1990, a Perdigão valia 50 milhões de reais, a AmBev custava 3 bilhões de reais e o Itaú, 6 bilhões de reais. Não tem nada parecido agora. O Brasil mudou. As empresas têm muito mais acesso a capital, o que é uma mudança estrutural. Nem o mais otimista dos analistas esperaria que a Hering ou a Lojas Renner conseguiriam alcançar os resultados atuais. É preciso buscar as empresas que vão se beneficiar se esse processo continuar, mas sem correr riscos exagerados.

A bolsa é difícil para pessoas físicas

É muito difícil para uma pessoa física ou para que qualquer investidor que não acompanha de perto a bolsa identificar quando uma possível ruptura vai criar uma oportunidade de compra de ações. A pessoa física tem que buscar sua zona de conforto e investir em coisas mais estáveis ou que conhece bem. A própria Dynamo tem dificuldade para acompanhar empresas de tecnologia e de commodities, por exemplo. Já tivemos empresas de matérias-primas em nossa carteira, mas não nos julgamos capazes de prever com precisão o preço futuro do petróleo ou do minério de ferro. Então a gente não dorme tranquilo se tiver uma grande posição disso.

Outro conselho que daria às pessoas físicas é evitar os grandes erros. Um prejuízo grande com apenas uma posição pode estragar a rentabilidade geral. É preciso escolher bons negócios e deixar a magia dos juros compostos multiplicar o dinheiro. Alguns erros muito comuns são a tentação de tentar adivinhar o momento certo de entrar e sair do mercado e aquela fraqueza de vender as ações quando a macroeconomia é desfavorável. Nessa questão de “market timing”, nós mesmos que estamos na bolsa há tanto tempo não nos julgamos capazes de acertar. A gente sempre entra e sai de um investimento muito cedo.

Eu também acho arriscado demais ficar procurando aquele negócio que vai render 100% em um ano. A gente está atrás de companhias que garantam um retorno de 15% a 20% ao ano de forma consistente.

O que é um bom negócio

Hoje a competição entre empresas é muito maior. Diversas multinacionais estão de olho em mercados que antes eram oligopolizados, dominados por poucas empresas brasileiras. Uma preocupação que a gente sempre tem é levantar quais serão as empresas mais afetadas por esse processo. Preferimos as empresas que detêm o canal de distribuição. A lista de multinacionais que investem um bom dinheiro no Brasil e o negócio não deslancha é enorme. A distribuição é a grande barreira de entrada para novos concorrentes.

A AmBev é um bom exemplo disso. A companhia tem uma rede de distribuição que lhe dá uma vantagem competitiva praticamente intransponível. No caso dos bancos de varejo, é a mesma coisa. Bradesco e Itaú conseguem levantar dinheiro barato e repassar os recursos com um bom ganho. Olhando lá fora, a gente vê que o negócio bancário é mais regional mesmo. Poucos são os bancos que conseguem ter uma presença em várias regiões e, ainda assim, serem muito lucrativos. O Santander o HSBC talvez sejam duas exceções a serem destacadas.

Negócios à prova de idiotas

É muito difícil avaliar quando um negócio é bom a partir das pessoas que foram apontadas para geri-lo. Essa não é uma questão de honestidade ou da falta dela. Muitos empresários com quem conversamos acreditam piamente que seus negócios são excelentes. O problema é que muitas vezes os caras estão errados. Perceber se o executivo é ou não bom é ainda mais difícil quando há grande rotatividade na companhia. Pegue o caso da Redecard, por exemplo. O diretor que está na empresa há mais tempo chegou há uns dois anos e meio. Então o que a gente tenta fazer é selecionar aqueles negócios que aguentam muito desaforo mesmo com as pessoas erradas. O Warren Buffett costuma dizer que algum dia um idiota vai gerir a companhia em que você investe. Então é melhor que seja uma empresa boa o suficiente para atravessar essa fase.

A tentação dos investimentos temáticos

A Dynamo nunca se deu bem com investimentos temáticos. Quando a gente acha que algum setor vai ser a bola da vez, sempre erra feio. De 2003 a 2005, por exemplo, gastamos muito tempo estudando o pré-sal. Éramos próximos da Petrobras e já ouvíamos falar do potencial impressionante do negócio. Mesmo considerando que geólogos são sempre bastante otimistas, nós e o mundo inteiro estávamos animados com a nova fronteira de exploração de petróleo.

Começamos a estudar as empresas que estavam com a Petrobras no negócio do pré-sal e montamos um portfólio que incluía ações da Repsol, da Galp e da Statoil. O pré-sal acabou se revelando uma reserva com um potencial muito maior do que qualquer um de nós imaginava. Mas, mesmo assim, nosso investimento foi horroroso. O portfólio de ações de petróleo da Dynamo teve um desempenho inferior à British Petroleum, que protagonizou o maior acidente da indústria petrolífera mundial [a empresa destruiu o Golfo do México com um vazamento em 2010]. A lição que ficou é que investimento temático não funciona. O que é preciso fazer é encontrar os bons negócios e investir neles.

Estratégia

A Dynamo utiliza a estratégia conhecida como “value investing”, baseada nos fundamentos para a escolha das melhores empresas. Isso sempre foi muito comum nos Estados Unidos, mas quando começamos a adotar essa filosofia no Brasil, éramos tratados como um ET. Os investidores não iam às companhias levantar informações enquanto a gente tratava isso como a base de nosso trabalho de analista.

Em primeiro lugar, a gente sempre olhou os números da companhia. Isso é muito simples de fazer. Uma boa faculdade ou um curso de MBA já ensina os alunos a avaliar o balanço de uma empresa. O passo seguinte é olhar o negócio. Gastamos 80% do nosso tempo fazendo isso. É o mais difícil de fazer porque o que é uma boa empresa hoje nem sempre será daqui a algum tempo. A desconstrução do negócio envolve os oito sócios da Dynamo. O investimento só é feito quando há um consenso sobre a atratividade.

O último passo é analisar as regras que normatizam a atuação da companhia. Olhamos os documentos societários, o acordo de acionistas, o estatuto da empresa e as regras da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). No Brasil, tem muito documento público que a maioria dos investidores não lê nem dá a devida atenção. A razão para nossa preocupação é que na década de 1990 havia uma expropriação muito grande dos acionistas minoritários. A Lei das S.A. permitia muitos “abusos”. Tivemos de ir algumas vezes à CVM e à Justiça para fazer valer nossos direitos. Daí veio nossa obsessão por sempre entender as regras do jogo antes de começar a jogar.

Os primórdios

O Brasil da década de 1990 era muito hostil para investimentos em “small caps” [as empresas com baixo valor de mercado]. Naquela época, era quase um investimento de “private equity” em empresas abertas, tamanha era a falta de liquidez da maioria dos papéis negociados em bolsa. A gente tinha de comprar as ações e esperar até que o valor do investimento aparecesse.

Também era difícil levantar dinheiro junto aos investidores, que não conheciam muito bem esse negócio de fundos. Demos muita sorte de ter começado muito bem e apresentado bons resultados logo no início. Através de uma propaganda feita boca a boca, começaram a chegar novos investidores.

Uma posição bem lucrativa

A Dynamo ganhou muito dinheiro com o negócio de adquirentes do setor de cartões. Cielo e Redecard chegaram à bolsa no final da década passada e eram difíceis de analisar. Conhecíamos o balanço dos bancos e sabíamos que esse era um bom negócio, mas era um setor novo na bolsa, o que sempre traz mais dificuldades. O setor passou por uma grande provação em meados de 2010, quando o Banco Central deixou claro que queria mais competição e menores preços nas transações com cartões.

O mercado ficou bem assustado. As ações despencaram. Mas a gente tinha a convicção de que era um negócio muito protegido e vimos a oportunidade de realizar o investimento. A gente sabia que haveria mais concorrência entre a Redecard e a Cielo, mas não achava que seria no mesmo grau que o mercado estava achando. A grande barreira para novos entrantes seria a distribuição. Nos Estados Unidos e na Europa, o banco não era dono do negócio como aqui. O Bradesco, o Banco do Brasil, o HSBC e o Safra oferecem os serviços da Cielo. O mesmo vale para o Itaú com a Redecard.

Outro problema dos entrantes seria a escala. O Pão de Açúcar já pagava pouco pelas transações com cartões. Esse cliente não garantiria uma grande margem para novas empresas. Já o pequeno comerciante gera pouca receita e não garante escala. Até encomendamos um levantamento a um instituto de pesquisas para verificar se a empresa de cartões do Santander estava avançando em São Paulo e em Porto Alegre, onde o banco possui grande participação. Era um questionário aplicado mensalmente que nos mostrava que a Redecard e a Cielo estavam resistindo bem.

Também visitamos diversos países onde o Banco Central dizia que havia forte concorrência no setor de cartões. Falamos ainda como BC, o Cade, o Ministério da Justiça e órgãos de defesa do consumidor. Foi a partir disso que chegamos à conclusão de que o aumento do volume de transações com cartões compensaria a queda das margens do negócio. Esse setor tem crescido 20% ao ano. Então tivemos de nos afastar do dia a dia das notícias ruins, o que não é fácil, e se concentrar no conjunto do negócio. Mas foi recompensador.

Um grande fracasso

Um dos nossos maiores fracassos foi com a Bombril. A gente viu que a empresa tinha problemas e permaneceu até o final com o investimento. A empresa gerava muito caixa, mas era controlada por um cara polêmico, o italiano Sergio Cragnotti. Ele tinha 100% das ações ordinárias da Bombril e também controlava uma grande empresa de alimentos que havia sido estatal na Itália. O Cragnotti usava a Bombril quase como um banco para a operação italiana, que recebia dinheiro emprestado do Brasil. Nós e outros acionistas como a Previ e o BNDES fomos à Justiça contestar. Sabíamos que o empresário não era honesto, mas achávamos que o negócio era tão bom que mesmo assim valia a pena. O fim disso tudo não foi nada virtuoso. A empresa chegou a ser obrigada pela CVM a assinar um termo de ajustamento de conduta que nunca foi cumprido. Depois, o Cragnotti até foi preso na Itália. A lição que ficou foi a de não investir onde as pessoas não são confiáveis.

A Petrobras

A Petrobras é uma das empresas mais ricas do mundo e vai continuar a ser por muitos anos. O governo intervém bastante na empresa, mas isso não é necessariamente um impeditivo para o investimento, já que é o que acontece em quase todas as estatais do setor. O problema da Petrobras é que haverá um gigantesco comprometimento dos fluxos de caixa da companhia por muitos anos devido aos investimentos em novos campos de petróleo. A empresa poderia, por exemplo, abandonar alguns campos em terra e concentrar seus recursos no pré-sal, por exemplo. Mas isso não parece ser do interesse nacional. A empresa também vai ter de se virar para arrumar gente, equipamentos e dinheiro para cumprir todos seus objetivos nos próximos anos.

As incorporadoras

A Dynamo sempre achou que as incorporadoras têm problemas estruturais. Só passamos a investir nesse setor quando entendemos que a natureza do negócio é bem parecida com a indústria de hedge funds. Tanto nós como eles temos mais dificuldade para captar dinheiro quando a economia vai mal e recebemos muitos recursos quando está tudo caro e não tem muito o que fazer com o capital.

A incorporação de imóveis sempre vai ser um negócio bem alavancado e de alto risco. Mas houve uma forte correção nos preços no ano passado a partir do momento em que as empresas corrigiram seus balanços e divulgaram estouros orçamentários. Nós achamos que os preços estavam convidativos e investimentos principalmente nas ações da Helbor. Duas questões pesaram na escolha. Tivemos uma identidade muito forte com o empresário que comanda a empresa e eles criaram uma conselho independente que passou a deliberar sobre os dividendos que serão distribuídos aos acionistas. Na prática, os dividendos só são retidos quando o empresário convence os acionistas de que há fins melhores para aquele dinheiro.

O setor elétrico

A gente gosta de investir no setor elétrico, mas é preciso entender a lógica desse negócio. O setor elétrico é muito regulado e, a cada quatro anos, o governo estuda a estrutura de custos das empresas para definir a taxa de retorno que será garantida ao investidor. Muita gente não entende o impacto disso no caixa das empresas e investe no setor elétrico como se fosse renda fixa. Mas não é assim que funciona. Se uma ação que vale 10 reais hoje cair muito porque o governo definiu que as tarifas cobradas pela empresa precisam ser reduzidas, o valor do papel terá uma forte correção. Investimentos no setor elétrico só são parecidos com renda fixa no período de três anos após a última revisão tarifária. No quarto ano, o papel poderá oscilar bastante tanto para baixo quanto para cima, de acordo com a expectativa sobre as negociações com o governo.

A necessidade de ser global

Criamos a Dynamo Capital em Londres para criar a inteligência necessária para conseguir entender melhor o que está acontecendo aqui. Ao longo dos anos, surgiram várias propostas para que criássemos fundos novos, em renda fixa, long/short, na Argentina… Mas a gente nunca quis porque todos os sócios são analistas de ações. Ao mesmo tempo, a gente sempre olhou para as bolsas e as empresas abertas fora do Brasil com muita curiosidade. Não demorou para percebermos que em alguns setores como a siderurgia, só dá para entender o que está acontecendo aqui quando é analisado o contexto global. Foi isso que nos motivou a constituir um fundo lá fora para investir em empresas dos Estados Unidos e da Europa.

Fonte: Portal Exame

http://exame.abril.com.br/seu-dinheiro/acoes/noticias/o-fundo-que-rendeu-6-700-acima-da-inflacao

4 tipos de aplicações que não dão trabalho

sexta-feira, outubro 21st, 2011

Investimentos simples de entender e operar para quem não tem tempo ou paciência de conhecer melhor o mercado

Julia Wiltgen, de Exame.com

Stock.xchng

Aplicações sugeridas envolvem trabalho inicial, mas depois fica fácil lidar com elas

São Paulo – Montar uma carteira de investimentos diversificada e balanceada dá trabalho e exige empenho em acompanhar o noticiário econômico, informar-se sobre os produtos financeiros e conhecer as empresas negociadas em bolsa. Mas quem não tem tempo ou paciência de se aprofundar nessas questões não precisa simplesmente aceitar a primeira sugestão do gerente do banco. Existem aplicações muito simples de entender e operar, que requerem apenas um esforço inicial por parte do investidor.

Esse esforço consiste, é claro, em definir os objetivos dos investimentos, mas também em pesquisar uma instituição com taxas e produtos vantajosos e fazer os trâmites burocráticos para começar a operar. A partir daí, fica fácil acompanhar a evolução das aplicações, sem precisar de conhecimentos muito aprofundados sobre o mercado.

“No Brasil existe uma concentração dos investimentos nos grandes bancos. É conveniente para o investidor, mas os custos dos produtos bancários são muito elevados”, diz o planejador financeiro Fernando Meibak, que já atuou em bancos como UBS, Citigroup e HSBC.

A pessoa que quer investir sem ter muito trabalho deve priorizar liquidez e taxas baixas. Para os mais preguiçosos e que desejam poupar até 10.000 reais, a aplicação mais simples é realmente a caderneta de poupança, isenta de IR, com liquidez diária, rentabilidade suficiente para preservar o poder de compra e sem nenhum mistério para operar. Para valores a partir de 10.000 reais, o mercado reserva outras boas opções:

1. Tesouro Direto:

Os títulos públicos, no Brasil, combinam boa rentabilidade e liquidez com o baixo risco de serem garantidos pelo governo. O investidor pessoa física pode operá-los diretamente pela plataforma online Tesouro Direto, a taxas muito mais em conta do que as de qualquer fundo de renda fixa ou DI. Há títulos de prazos e perfis variados, adequados a diferentes objetivos. Mas, de acordo com Fernando Meibak, quem não tem tempo mesmo de acompanhar suas aplicações pode comprar um título de longo prazo indexado à Selic (as LFTs) ou ao IPCA (as NTN-Bs), cujos prazos podem chegar a até 30 anos. Nada mal para poupar para uma aposentadoria.

Dedicação inicial: o investidor precisa se cadastrar em um agente financeiro habilitado, que cobre taxas de administração em conta. Também precisa se informar sobre a característica de cada título (atualmente são negociados quatro tipos) e conhecer os riscos, que são baixos, mas existem. Veja como investir no Tesouro Direto.

2. ETFs:

No lado da renda variável, o equivalente “fácil e barato” seriam os ETFs, fundos que acompanham índices como o Ibovespa, o IBrX e o Índice Small Caps. Ao investir em um desses fundos, cujas cotas são negociadas em Bolsa como se fossem ações, é como se o investidor estivesse comprando toda a carteira que compõe aquele índice. As taxas de administração são bem baixas em relação aos fundos de investimento convencionais, não chegando a 1% ao ano.

“O bom dos ETFs é que eles não têm prazo, depois de entrar, você meio que pode esquecer, e sair quando quiser”, diz Meibak. O planejador financeiro acredita que 10% do patrimônio em renda variável já são suficientes, e que os ETFs mais indicados para o investidor menos ativo são os PIBBs, que acompanham o IBrX, e o BOVA11, que segue o Ibovespa.

Quem quiser um diferencial de rentabilidade pode destinar parte de suas aplicações em renda variável para o ETF SMALL11, que segue o índice Small Caps e acumula uma rentabilidade interessante desde sua criação. “Gosto muito de small caps. As empresas menores têm sofrido menos em tempos de crise, e muitas delas têm bom potencial de rentabilidade”, diz o Meibak.

Dedicação inicial: O investidor precisa abrir uma conta em uma corretora cadastrada na BM&FBovespa. Em muitas delas é possível operar tanto ETFs quanto Tesouro Direto. Atenção à taxa de corretagem – procure comparar o valor da cobrança em diferentes instituições.

3. Debêntures e CDBs:

Debêntures são menos acessíveis ao investidor pessoa física, mas podem trazer um diferencial de rentabilidade interessante para a carteira. É preciso, no entanto, ter mais cuidado, pois são mais arriscadas que os títulos públicos, uma vez que são títulos de dívida de empresas. O investimento inicial é geralmente alto, mas já existem papéis cujo valor unitário é de 1.000 reais.

Para tentar mitigar os riscos, o investidor deve procurar aplicar em papéis de empresas de grande porte, com classificação de risco mínima AA por um agente internacional. Mesmo essas costumam pagar ao investidor mais de 100% do CDI, o que é difícil de conseguir num CDB de banco grande, por exemplo.

Entre os CDBs, essa rentabilidade mais alta é encontrada nos papéis emitidos por bancos pequenos e médios. Para investir nesses papéis não é preciso ter conta no banco emissor, mas é bom não aplicar mais que 70.000 reais numa única instituição – esse é o valor máximo de garantia do investimento caso o banco não possa honrar seus compromissos.

Dedicação inicial: O investidor precisa abrir uma conta em um agente financeiro que disponibilize esse tipo de aplicação. As corretoras que possibilitam a compra e venda de títulos públicos muitas vezes também disponibilizam CDBs e debêntures emitidos por diversas instituições.

4. Fundos de investimentos:

Quem realmente não quer se dar ao trabalho de escolher ativos por conta própria – especialmente no caso das ações – pode delegar a tarefa a um gestor profissional, aplicando em um fundo de investimento em renda fixa ou variável. Meibak indica os fundos DI, que investem em títulos públicos atrelados à Selic, os de renda fixa ativa, que compram diferentes tipos de títulos públicos, e fundos de ações não setoriais.

A pessoa que optar por esse caminho deve priorizar dois pontos: liquidez diária – o ideal é que o fundo não tenha prazo de vencimento – e taxas baixas. E dificilmente os fundos mais em conta serão comercializados pelo banco onde você recebe o seu salário. Especialistas recomendam que um fundo de renda fixa não tenha taxa de administração acima de 1% ao ano, enquanto que fundos de ações podem ter essa taxa em torno de 2% ao ano. Fernando Meibak aconselha também a evitar fundos de ações que cobrem taxa de performance.

Dedicação inicial: Num primeiro momento, portanto, o investidor precisará pesquisar fundos em gestoras independentes e se preparar para abrir uma conta. Verificar se o fundo é registrado na CVM, bem como ler seu prospecto e checar o histórico de rentabilidade são tarefas básicas. Saiba como funcionam os fundos de investimento e navegue pelo Ranking de Fundos.

Fonte: Portal Exame

http://exame.abril.com.br/seu-dinheiro/renda-fixa/noticias/4-tipos-de-aplicacoes-que-nao-dao-trabalho

Por dentro de um fundo de ações

quarta-feira, junho 9th, 2010

EXAME acompanhou uma reunião de um fundo para avaliar o investimento milionário em ações do laboratório Fleury; saiba o que aprender com os gestores profissionais

João Sandrini, de Exame.com

Fleury: laboratório recebeu investimento milionário dos fundos da M Square

A crise iniciada em 2008 trouxe à tona diversas incertezas que ainda pairam sobre a economia global, mas também criou um consenso em torno da ideia de que é impossível prever com precisão para onde vão os mercados financeiros. Muitos dos autores que mais venderam livros de economia nos últimos anos são, na verdade, teóricos da aleatoriedade. Em “A Lógica do Cisne Negro”, o ex-operador de bolsa Nassim Nicholas Taleb defende que eventos como o 11 de Setembro ou a pontuação futura do índice Dow Jones não podem ser antevistos porque os seres humanos possuem uma visão limitada e simplista dos fatos. Em “O Andar do Bêbado”, o físico Leonard Mlodinow escreve que a direção dos mercados financeiros seria tão previsível quanto o próximo passo de um homem embriagado após uma noitada. Até mesmo George Soros, um dos mais bem-sucedidos especuladores da história, afirma que as bolsas não trabalham de forma lógica e tendem ao desequilíbrio. No livro “O Novo Paradigma dos Mercados Financeiros”, Soros defende o que ele chama de “princípio da falibilidade radical” – ou seja, que os mercados estão sempre fadados ao erro.

Como se tornou dominante a ideia de que muitos dos riscos associados ao investimento em bolsa são mesmo imprevisíveis, entre os bons gestores de fundos cresceu a importância de gerenciar ao menos os perigos perceptíveis que se avizinham no horizonte. Para entender como funciona o trabalho desses profissionais, o Portal EXAME acompanhou uma reunião da gestora brasileira de recursos M Square, que administra 620 milhões de reais aplicados em fundos de ações. A impressão é que ao menos entre os investidores profissionais, as lições de Soros, Taleb e Mlodinow parecem já ter sido bem assimiladas. Na reunião, cinco analistas avaliaram um investimento milionário em ações do Fleury, o segundo maior laboratório de diagnósticos médicos do Brasil. Durante as três horas de discussão, os membros da equipe buscaram motivos para não investir nos papéis – e não o contrário. “A gente é mesmo cético por definição”, diz Mauricio Bittencourt, sócio-gestor dos fundos da M Square.

O que mais chama a atenção é a quantidade de informações apuradas e de cenários discutidos. Nenhum analista emite opiniões a partir de “achismos”. O debate gira em torno de dados sobre o setor de saúde como um todo, o Fleury e as pessoas que o dirigem, os riscos do negócio e o valor das ações. Para embasar as decisões de investimento, mais de 50 pessoas foram entrevistadas, entre diretores do Fleury, executivos dos concorrentes, funcionários e clientes dos planos de saúde que contratam serviços laboratoriais, diretores da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), representantes de hospitais e consultores da área de saúde, entre outros.

No esforço de tentar prever se uma ação vai para cima ou para baixo, nem mesmo acontecimentos pouquíssimo prováveis ficam de fora do radar. Os analistas debatem, por exemplo, se uma eventual fusão de todas as 300 Unimed do Brasil poderia criar um plano de saúde com poder de fogo suficiente para impor a redução nos preços das tarifas cobradas pelos laboratórios para 15 milhões de usuários. Outra discussão envolve a probabilidade hoje também remota de que o hospital Albert Einstein coloque em prática um plano agressivo de expansão de sua rede laboratorial. A notícia seria particularmente negativa para o Fleury porque o Einstein possui uma marca muito forte entre as classes A e B.

Primeiros passos

O trabalho dos analistas da M Square começou vários meses antes da reunião acompanhada por EXAME. Informações vêm sendo coletadas desde a oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) do Fleury, realizada em dezembro de 2009. Na época, o fundo comprou uma fatia bem pequena de ações do laboratório com dois objetivos: 1) Obrigar-se a estudar o caso de investimento da empresa que estreava na bolsa; e 2) Tornar-se acionista e ganhar acesso ao corpo de executivos responsáveis por dirigir o Fleury. As informações passadas pela área de relacionamento com investidores da empresa, no entanto, servem apenas como pontapé inicial. “Em todas as empresas que visitamos os caras sempre vão ter explicações para tudo”, diz Bittencourt. “Se o dado é frouxo, nosso trabalho é consultar outras pessoas capazes de confirmá-lo ou negá-lo.”

A principal vantagem competitiva do fundo consiste em sua tradição de investimentos no setor de saúde. A M Square já deteve ou ainda possui ações da Dasa, OdontoPrev, SulAmérica e Amil. Muitas das informações garimpadas no passado são úteis para a análise das ações do Fleury. Além disso, os analistas do fundo possuem os balanços divulgados antes de o laboratório se tornar uma empresa aberta – na época do IPO, esses dados foram retirados do site oficial da companhia e não estão mais à disposição dos investidores. Por último, há vários anos os executivos do fundo alimentam diariamente um banco de dados com todas as notícias sobre o setor de saúde publicadas em jornais e revistas de grande circulação.

Todo esse esforço faz com que a M Square tenha condições de fazer uma análise acurada do potencial de crescimento de empresas como o Fleury. “Dá para garantir que temos mais informação que 99% do mercado”, diz Marcelo Magalhães, chefe de análise da M Square. “Sabendo mais que os outros investidores sobre determinada empresa, podemos avaliar com maior precisão quando é hora de comprar ou vender uma ação”, diz Bittencourt.

Oportunidades

O dia a dia de um gestor de fundo consiste em avaliar os riscos e as oportunidades envolvidos num investimento para se chegar ao valor justo para determinada ação. Esse tipo de análise é feita e refeita o tempo todo, mesmo quando as novas informações chegam em finais de semana ou feriados. Semanalmente, a equipe da M Square também se reúne para avaliar com maior profundidade um caso de investimento. Na reunião semanal acompanhada por EXAME, os gestores não falaram em nenhum momento sobre fatos macroeconômicos que estavam mexendo com o mercado, como a crise na Europa. Eles se concentraram em avaliar primeiro o potencial do setor brasileiro de saúde como um todo e depois partiram para a análise direta do Fleury.

O esperado crescimento dos gastos com saúde no Brasil consiste no principal alicerce para a tese de investimentos. A penetração dos planos de saúde é baixíssima no país quando comparada aos níveis de Estados Unidos e Europa. A expectativa de criação de 2 milhões de empregos formais ao ano também deve impulsionar os gastos com saúde – já que são as empresas que pagam para seus funcionários 56% do total de planos comercializados no Brasil. Inovações tecnológicas são vistas como outra fonte de aumento dos gastos com saúde, já que a existência de um maior número de exames certamente elevará a demanda.

O esperado envelhecimento da população brasileira é encarado como um quarto ponto favorável ao investimento. Por último, os analistas da M Square avaliam que, após levantarem mais de 4 bilhões de reais em aberturas de capital nos últimos anos, as empresas do setor de saúde estão prontas para um momento de consolidação – importante para garantir escala e poder de fogo para reajustar preços. Considerados todos esses fatores, os analistas do fundo concluem que é possível que no Brasil aconteça algo bem parecido com o que foi visto nos EUA entre 1999 e 2009. No período, o S&P, principal índice de ações americano, acumulou uma queda de 9% enquanto que as principais empresas do setor de saúde experimentaram uma valorização de três dígitos.

Riscos

Vários riscos a essa tese, no entanto, também foram identificados. Um deles é a forte regulação do setor de saúde. Os laboratórios não estão no foco da ANS, mas uma canetada do governo poderia afetar todos os planos de saúde e prejudicar indiretamente a demanda pelos exames laboratoriais realizados pelo Fleury. Nesse ponto, os analistas concluem que o setor de planos odontológicos é a melhor forma de investir em saúde no Brasil devido aos sinais da ANS de que não deve regular o mercado e também pelo maior potencial de crescimento. O segmento de planos odontológicos é tão bem visto que as ações da OdontoPrev estão entre as três maiores posições dos fundos da M Square – junto com Totvs e Lojas Renner.

Como principal risco para as ações do Fleury, no entanto, os analistas enxergam a possibilidade de que a empresa, no afã de crescer, queime o caixa de 330 milhões de reais levantado no IPO com investimentos pouco rentáveis. O laboratório poderia, por exemplo, comprar rivais como o Hemes Pardini, terceira maior empresas de diagnósticos médicos do Brasil, com uma posição de liderança em Minas Gerais. Pagar um preço muito alto para convencer os atuais donos do Pardini a abrir mão do controle da empresa seria negativo para o desempenho dos papéis em bolsa. Outra possibilidade analisada é o de a empresa abrir diversas unidades em locais pouco interessantes. Principalmente na área de exames de imagem, a expansão dos laboratórios exige capital intensivo. Uma simples máquina chega a custar milhões de reais. Trata-se, portanto, de um investimento que deve ser muito bem analisado previamente.

Na opinião da M Square, o Fleury deveria se concentrar em melhorar os resultados das 24 empresas adquiridas na última década. A empresa consegue obter resultados excepcionais com as marcas Fleury em São Paulo e Weinmann no Rio Grande do Sul. Nos outros cinco estados onde atua, entretanto, o Fleury ainda deixaria a desejar. Mesmo empresas adquiridas há muito tempo não apresentaram até agora o resultado esperado. Nos últimos anos, o Fleury trocou executivos dessas companhias, fechou unidades deficitárias, rescindiu contratos pouco lucrativos, integrou sistemas e agora prepara a consolidação das marcas compradas. As medidas fizeram com a M Square ficasse mais confiante em uma reviravolta com as demais marcas do Fleury e com o cumprimento das metas de crescimento para este ano. No entanto, por conhecerem os executivos da empresa há pouco tempo, os analistas preferem esperar um pouco mais para ver se as medidas funcionam. “Sabemos que eles são bons médicos, mas ainda não temos um histórico suficiente para cravar que são bons executivos”, diz o sócio-gestor Mauricio Bittencourt.

Valor das ações

Somente após todas essas considerações, começa o trabalho de analisar o valor justo para a empresa. Entre os dados avaliados, estão a relação entre o valor de mercado e o lucro do Fleury e de seus concorrentes nacionais e estrangeiros, os ativos que a empresa já possui, as unidades que serão abertas nos próximos anos, um possível crescimento das margens após a reestruturação das outras marcas e até potenciais aquisições. Conforme a tabela abaixo, o valor justo para a ação ficaria entre 14 e 30 reais dependendo de quão bem-sucedido o Fleury será em cada um desses quesitos.

Cenário

Crescimento anual das receitas nas lojas existentes até 2016

Investimentos anuais até 2015

Margem bruta das unidades Fleury

Margem bruta das demais marcas

Preço-alvo da ação

Upside

1 5% zero 50% 26% R$ 14 -13%
2 8% zero 50% 26% R$ 18 7%
3 8% zero 51% 35% R$ 21 26%
4 8% R$ 80 milhões 51% 35% R$ 26 56%
5 8% R$ 120 milhões 51% 35% R$ 30 79%

“Entenda que esse é um bico maluco. A única coisa que a gente sabe é que os cinco cenários estão errados”, diz Bittencourt. O exercício, segundo ele, teria apenas dois propósitos. O primeiro seria o de avaliar quanto o Fleury vale se tudo der certo ou errado – e quando há bons pontos de entrada ou saída na bolsa. O outro benefício do exercício é mostrar claramente quais fatores afetam o valor da empresa. O fundo já possui um ponto de partida para fazer cálculos quando notícias positivas ou negativas chegarem – e, dessa forma, fica mais preparado para tomar decisões rápidas.

Após todos os cálculos, a conclusão da equipe da M Square é que as ações do Fleury possuem um risco baixo de desvalorização. Os papéis poderiam ter uma forte queda se a empresa se aventurar em uma aquisição cara. Outra fonte de pressão para as cotações, ainda que momentânea, seria uma possível venda em massa de papéis detidos por um único grande investidor – já que hoje as ações da empresa estão muito concentradas nas mãos de poucos estrangeiros.

Para o fundo, o cenário mais provável, entretanto, aponta para uma valorização lenta das ações ao longo dos próximos meses. Os papéis estariam, na visão dos analistas, até mais baratos que os de sua principal concorrente na bolsa brasileira, a Dasa. A equipe da M Square decide manter-se com 2% a 3% do dinheiro do fundo investido no Fleury. Adquirida antes da reunião acompanhada por EXAME, posições como essa costumam ser destinadas a empresas com reconhecido potencial de crescimento, mas que ainda não inspiram muita convicção no gestor. A equipe da M Square também decide marcar novas reuniões com gente que conhece o Fleury por dentro e, posteriormente, voltará a avaliar eventuais aumentos ou reduções na posição.

Desde setembro de 2007, quando foram criados, os fundos da M Square acumulam uma valorização de 35,6% – contra uma alta de só 13% do Ibovespa. Os gestores admitem ser impossível gerenciar todos os riscos inerentes a um investimento em bolsa – principalmente aqueles relacionados ao cenário externo – e atribuem os bons resultados à busca incessante por informações. “O nosso trabalho envolve muito risco. Mas temos a honestidade intelectual de não garantir para ninguém que vamos ganhar dinheiro”, diz Bittencourt. A quem planeja começar a comprar ações por conta própria, fica a lição sobre a importância de levantar dados que o resto do mercado não tem para o aprimoramento contínuo da tese de investimentos. “Bem ou mal, já sou analista de investimentos e gestor há 18 anos. Minha única certeza é que daqui a três anos estarei fazendo isso melhor”, afirma Bittencourt.

Fonte: Portal Exame

http://exame.abril.com.br/seu-dinheiro/acoes/noticias/dentro-fundo-acoes-567199

Dez cuidados ao investir em fundos

terça-feira, abril 27th, 2010

Simplesmente perguntar ao gerente do banco em que produto investir pode ser um grande erro; veja o que dizem os especialistas

João Sandrini, de EXAME.com

EXAME

Gustavo Cerbasi: Não pulverize demais seu capital entre vários fundos

Entrar em uma agência bancária sem se informar previamente e pedir ao gerente ajuda para escolher um fundo pode ser a maneira mais fácil de investir seu dinheiro. Será preciso muita sorte, no entanto, para que esse caminho leve a uma rentabilidade espetacular. Abaixo especialistas em finanças pessoais ouvidos pelo Portal EXAME explicam quais são os dez cuidados necessários para contratar um fundo rentável e adequado a seu perfil:

1 – Rentabilidade passada não garante rentabilidade futura

2 – Faça o teste do perfil do investidor

3 – Não procure boas opções de fundos apenas nos bancos

4 – Fuja dos fundos com taxas altas

5 – Comece com passos pequenos

6 – Não pulverize demais o capital

7 – Cuidado com os fundos com poucos cotistas

8 – Se você tiver dinheiro, contrate uma assessoria financeira personalizada

9 – Leia o prospecto antes de investir

10 – Não entre em pânico

1 – Rentabilidade passada não garante rentabilidade futura: Quando precisam decidir onde vão investir dinheiro, em geral as pessoas pedem conselhos ao gerente do banco. Normalmente a pergunta apresentada é quanto “está rendendo” determinado fundo – e não quanto ele rendeu no passado. O gerente então saca o folheto que mostra a rentabilidade dos produtos no último mês ou no último ano e a pessoa imediatamente escolhe o que deu melhor retorno. Quem entende de investimentos pessoais, no entanto, alerta que essa é a forma incorreta de escolher fundos. “Muitos produtos de investimento dizem em seus prospectos que a rentabilidade passada não garante lucros no futuro, mas as pessoas insistem em ignorar esse fato”, diz Mauro Calil, especialista em finanças pessoais. A melhor forma de escolher um investimento é ler bastante e pedir conselhos a várias pessoas com experiência no assunto, ensina Gustavo Cerbasi, o especialista em finanças pessoais que mais vende livros no Brasil. O fato de diversos analistas indicarem determinado investimento não é garantia de que ele vai mesmo apresentar o melhor retorno no futuro. No entanto, Cerbasi diz que as pessoas bem-informadas têm mais chances de evitar erros e aproveitar as boas oportunidades.

2 – Faça o teste do perfil do investidor: Descobrir se você é conservador, moderado ou agressivo é muito importante, segundo o professor Márcio Rodrigues, da investeducar. Uma pessoa que vai perder noites de sono se o patrimônio de seu fundo de ações encolher no curto prazo deve se manter longe da bolsa e concentrar sua carteira em ativos de baixo risco. Já aqueles que têm sangue frio podem aplicar uma parcela maior do patrimônio em investimentos de alta volatilidade. O Portal EXAME oferece o teste do perfil do investidor ( clique aqui e faça ). Os bancos também disponibilizam esse tipo de ferramenta em seus sites. No entanto, quando todas as perguntas são respondidas, os testes dos bancos já sugerem uma carteira detalhada de investimentos aos clientes – o que é visto com alguma desconfiança no mercado. “Eu não conheço ninguém que segue à risca o que é recomendado nesses testes. As pessoas não se enxergam como carteiras de investimentos”, diz o professor William Eid Junior, do Centro de Estudos em Finanças da FGV. Ele recomenda que as pessoas façam um planejamento financeiro mais bem-elaborado e peçam conselhos a especialistas antes de definir como será montada sua carteira. “Algumas perguntas básicas a serem respondidas é qual é o tranco que o investidor aguenta, quanto tempo o dinheiro poderá ficar investido e qual é o objetivo do investimento”, diz Ricardo Nardini, responsável pelo site “Como Investir”, da Anbima, a entidade que representa os bancos de investimento. Alguém que está poupando para fazer uma viagem nas próximas férias ou para comprar um apartamento daqui a três meses precisa optar pelo investimento de curto prazo mais vantajoso. Já alguém bem jovem que começa a poupar dinheiro para sua aposentadoria pode aceitar um pouco de risco no mercado de ações porque haverá tempo para recuperar eventuais perdas.

3 – Não procure boas opções de fundos apenas nos bancos: É muito comum que o gerente do banco tenha uma meta para a venda de algum produto financeiro que precisa ser batida para que ele ganhe uma comissão. Títulos de capitalização, CDBs e fundos de previdência estão entre as opções de investimentos que mais costumam ser “empurradas” nas agências. Desconfie, faça perguntas e teste o conhecimento do bancário sobre o assunto sempre que um produto lhe for oferecido. Especialistas também recomendam que o investidor busque opções de investimento fora da agência bancária. Em geral, gestoras de recursos independentes e corretoras estão mais preparadas que os bancos de varejo para explicar o funcionamento dos produtos de investimento e dar conselhos para a montagem de uma carteira vencedora. Saiba também que os melhores gestores de fundos deixam seus cargos em bancos após alguns anos de trabalho e abrem casas próprias de administração de recursos em busca de uma remuneração maior. O problema é que muitas dessas gestoras só aceitam investir dinheiro de quem possui milhões de reais. Segundo o professor Mauro Calil, uma forma de driblar essas restrições a investimentos iniciais muito altos é por meio dos distribuidores de cotas de fundos. Algumas corretoras cumprem esse papel e oferecem aos clientes cotas de alguns fundos com ótima reputação no mercado e tíquete mínimo acessível.

4 – Fuja dos fundos com taxas altas: Há fundos no Brasil que são completamente inviáveis devido às comissões pagas a seus gestores. Nas últimas décadas, os brasileiros se acostumaram a pagar taxas bem acima da média internacional porque os retornos oferecidos pelas aplicações financeiras no país também eram muito altos. Com a queda dos juros e a alta da bolsa, entretanto, é natural que a remuneração dos fundos brasileiros se aproxime dos retornos médios oferecidos nos países desenvolvidos. No caso dos fundos de renda fixa, especialistas recomendam contratar apenas aqueles que cobrem taxas de administração de até 1% ao ano. Como herança dos tempos dos juros altos, ainda existem aplicações com taxas de até 5%. Nesses casos, é bem provável que o gestor fique com uma parte do lucro maior do que a do próprio dono do dinheiro. Então é recomendável trocar de fundo mesmo que seja necessário pagar mais Imposto de Renda – no Brasil, a alíquota do IR vai caindo à medida que o tempo de aplicação aumenta. Especialistas também afirmam que fundos que exigem mais habilidade e dedicação do gestor podem cobrar taxas maiores. No caso de fundos multimercados, a praxe do mercado é cobrar 2% ao ano de taxa de administração mais uma taxa de performance equivalente a 20% do que o fundo superar sua meta estabelecida em prospecto (benchmark). Já os fundos de ações costumam cobrar o mesmo que os multimercados ou então taxas fixas de até 3% – incluindo performance e administração. Só concorde em pagar mais do que isso se o gestor tiver um histórico de entregar rentabilidades muito acima da média do mercado. Uma exceção é para os fundos com gestão passiva, que seguem um índice de ações. Nesses casos, o trabalho do gestor será bem menor. Então o recomendável é pagar até 1% de taxa de administração. (clique aqui e saiba mais sobre as taxas dos fundos)

5 – Comece com passos pequenos: O conselho vale tanto para quem está começando a aplicar agora quanto para quem quer aumentar a parcela de investimentos de maior risco em sua carteira. Para os iniciantes, é importante lembrar que a educação financeira é um processo de longa maturação. Vale a pena pedir conselhos a especialistas e amigos que entendem mais do assunto, assistir a programas de TV sobre economia e finanças pessoais, acessar sites especializados, ler jornais e revistas e se manter informado sobre o que acontece. Enquanto isso, aplique dinheiro aos poucos nos fundos de investimento que lhe parecerem mais interessantes naquele momento. A mesma dica vale para quem quer investir mais em renda variável. “Não é porque a bolsa está subindo forte em determinado momento que essa será a única oportunidade de ganhar dinheiro com ações”, afirma o professor Márcio Rodrigues. “De tempos em tempos surgirão momentos favoráveis para a bolsa”. Logo, a migração de recursos dos investimentos conservadores para os arrojados deve ser lenta. “Pegue o dinheiro que está na poupança ou na renda fixa e coloque um pouco de cada vez em um fundo multimercado, por exemplo. À medida que as vantagens e desvantagens do produto forem entendidas, o processo de migração poderá avançar”, diz Rodrigues.

6 – Não pulverize demais o capital: Pode parecer um contrassenso, mas não é muito inteligente o investidor dividir seu dinheiro entre vários fundos, principalmente quando o volume de recursos é pequeno, diz Carla dos Santos, da CDS Soluções Financeiras. Em geral, os fundos que exigem uma aplicação inicial mínima de 1.000 reais cobram taxas maiores do que outros bem parecidos destinados a investidores dispostos a colocar a partir de 50.000 reais. Segundo Gustavo Cerbasi, basicamente o mercado trabalha com três faixas de taxas: a mais alta para aplicações de 1.000 a 5.000 reais, uma intermediária para entre 5.000 e 25.000 reais e outra bem mais convidativa para o investimento de 25.000 a 100.000 reais. “Espalhar a pouca poupança em cinco ou seis produtos é um erro”, diz ele. “Esse investidor deveria concentrar seu dinheiro em um único fundo multimercado que tenha uma estratégia completa a um custo interessante.”

7 – Cuidado com os fundos com poucos cotistas: Até a crise de 2008 as pessoas acreditavam que ter o dinheiro em um grande banco era sinal de segurança. Com a quebra de bancos como o Lehman Brothers e as dificuldades financeiras de megainstituições como UBS, Merrill Lynch, Goldman Sachs, Citigroup e Morgan Stanley, essa visão começou a mudar. O ideal agora é colocar seu dinheiro em casas de boa reputação, independente de seu tamanho. Ao investir em um fundo pequeno, no entanto, o investidor deve tomar o cuidado de verificar se as cotas não estão excessivamente concentradas em um único investidor. Em caso positivo, se ele sair, o gestor será obrigado a desmontar boa parte de suas posições rapidamente e provavelmente haverá perdas para os demais cotistas. Nos fundos de pequeno porte, também é necessário checar a reputação do gestor e qual a instituição responsável pela auditoria das contas. Um dos maiores especialistas em fundos do Brasil, o professor William Eid Jr., da FGV, desenvolveu um método próprio para avaliar as melhores aplicações. A cada semestre, ele verifica quais fundos de diversas categorias tiveram os melhores resultados e atribui a eles medalhas de ouro (para os dez primeiros), prata (para os dez que vêm em seguida) e bronze (para os próximos dez). O próximo passo é verificar, ao longo de vários semestres, quais costumam ficar entre os melhores regularmente. É nesses que ele vai investir. Em ações, Eid recomenda os fundos da Tempo Capital e da Geração Futuro. Já os fundos da Polo Capital foram recomendados na categoria dos multimercados. (Clique aqui e veja o ranking EXAME dos melhores e piores fundos de investimento).

8 – Se você tiver dinheiro, contrate uma assessoria financeira personalizada: Em geral, os bancos de varejo não estão preparados para lhe dar um aconselhamento financeiro completo. O gerente do banco costuma ser um profissional atencioso e simpático que pode ajudar na administração de sua conta corrente, mas não tem o devido preparo para dar conselhos de investimento. Para o segmento de alta renda, os grandes bancos já começam a oferecer um serviço de maior qualidade. É possível agendar uma conversa com um gerente especializado em investimentos ou participar de reuniões com funcionários capazes de explicar em detalhes como funciona cada produto do banco. A orientação fica ainda melhor para os clientes do private banking, que costuma atender apenas quem tem mais de 1 milhão de reais depositados na instituição. Para quem ainda não chegou lá, uma opção é contratar um planejador financeiro pessoal para organizar suas finanças. A Anbima fomenta um instituto de planejadores financeiros chamado IBCPF que reúne centenas de profissionais certificados e habilitados a prestar esse tipo de serviço com competência.

9 – Leia o prospecto do fundo antes de investir: O prospecto é um documento de divulgação obrigatória. Nele, o gestor deverá informar o objetivo do fundo, em que ativos vai investir, qual será a meta de retorno buscada (índice de referência ou benchmark), que operações não poderão ser feitas, quais são os riscos do produto, que taxas deverão ser pagas, quem será o gestor responsável por escolher as aplicações, que instituição responde pelo fundo aos órgãos reguladores, que empresa fará a auditoria nas contas, se existem investimentos em derivativos e quais são os prazos para o resgate dos recursos, entre outras informações. Nem sempre o investidor vai entender todas essas informações ao ler o prospecto. Tirar as dúvidas com a instituição responsável pelo fundo é importante tanto para tomar uma decisão de investimento mais acertada quanto para a evolução do processo de educação financeira do cotista. Segundo a Anbima, também é importante verificar se o gestor está cumprindo o prometido no prospecto periodicamente. Uma das formas de fazer isso é comparar os resultados obtidos pelo fundo com seu índice de referência. Se houver uma discrepância muito grande, é possível que o gestor não esteja cumprindo a política de investimento proposta.

10 – Não entre em pânico: Independente do que esteja acontecendo no mercado, é importante manter a calma. Saiba antes de entrar em um fundo que ativos de renda variável apresentam grande volatilidade e que as perdas de curto prazo podem ser severas. Momentos de nervosismo no mercado costumam gerar boas oportunidades de compra desses papéis – e não o contrário. Durante a crise de 2008, muita gente resgatou todo o dinheiro que tinha em fundos de ações e assumiu prejuízos representativos. Já a maioria das pessoas que tiveram sangue frio e ficaram nos fundos onde estavam recuperaram suas perdas cerca de um ano depois. E aqueles que entraram na bolsa no auge da crise e mantiveram-se confiantes na recuperação provavelmente passaram por um de seus melhores períodos de investimento da vida. Também não é necessário entrar em pânico se houver boatos em relação à saúde de alguma instituição financeira onde você investe em fundos. A legislação brasileira estabelece que o dinheiro de um fundo fica em uma conta separada dos demais recursos do banco e pode ser transferido de instituição em caso de quebra. Por isso, os cotistas não são prejudicados – ao contrário dos correntistas que possuem mais de 60.000 reais em conta ou qualquer volume aplicado em CDBs e títulos do próprio banco. Em 2004, quando Banco Santos sofreu intervenção do Banco Central, por exemplo, os investidores só tiveram perdas porque os fundos do banco também investiam nos CDBs da própria instituição. A legislação atual, no entanto, limita a 20% do capital de um fundo o montante que pode ser investido em papéis emitidos pela mesma instituição financeira. Regras como essas tornam o Brasil um dos lugares mais seguros no mundo para o investimento em fundos.

Fonte: Portal Exame

http://exame.abril.com.br/seu-dinheiro/fundos/noticias/dez-cuidados-ao-investir-fundos-553147?page=1&slug_name=dez-cuidados-ao-investir-fundos-553147