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Japão reavalia regras para conselho de empresas após Olympus

sábado, novembro 26th, 2011

Governo irá propor obrigatoriedade de indicação de conselheiros independentes nas grandes empresas

Reuters

Yoshikazu Tsuno/AFP

O presidente da Olympus Shuichi Takayama se inclina, em sinal de desculpas, durante entrevista à imprensa, em Tóquio, após revelações de fraudes contábeis

Tóquio – Um painel do governo japonês irá propor a obrigatoriedade de indicação de conselheiros independentes nas grandes empresas, na tentativa de evitar novos escândalos contábeis como o protagonizado pela fabricante de eletrônicos Olympus.

Mas as expectativas de mudanças significativas não são grandes, e especialistas afirmam que o processo de escolha de conselheiros independentes por empresas japonesas também precisaria de ajustes de regras.

O ex-presidente-executivo da Olympus, o britânico Michael Woodford, saiu de um encontro na sexta-feira convencido de que o conselho eventualmente renunciará.

Grandes acionistas estrangeiros têm pedido a volta de Woodford, dizendo que ele pode restaurar a confiança na fabricante de câmeras e endoscópios de 92 anos.

A Olympus demitiu Woodford, um raro presidente-executivo estrangeiro no Japão, alegando que ele falhou em se adaptar à cultura japonesa e ao estilo de gestão da companhia.

Woodford diz que foi demitido por ter questionado duvidosos pagamentos de fusões e aquisições.

Primeiro a Olympus negou qualquer má conduta, mas depois disse que tinha omitido perdas de investimentos dos acionistas por duas décadas e que usou cerca de 1,3 bilhão de dólares em pagamentos de fusões e aquisições para cobrir o rombo.

Um painel consultivo no Ministério da Justiça está trabalhando em um esboço há mais de um ano para revisar a lei corporativa do Japão, incluindo reformas de governança.

Com base no esboço, a ser submetido no mês que vem, o partido governista vai propor a revisão da lei no ano que vem, reportou no sábado o jornal Asahi, sem citar fontes.

Os conselheiros independentes não são empregados ou acionistas da companhia e são vistos como relativamente livres de conflito de interesse que possa afetar a relação com a companhia.

Fonte: Portal Exame

http://exame.abril.com.br/negocios/empresas/noticias/japao-reavalia-regras-para-conselho-de-empresas-apos-olympus

Escândalo Olympus projeta sombra nas empresas japonesas

sexta-feira, novembro 11th, 2011

Analistas acreditam que empresa pode perder clientes devido à fraude

Patrice Novotny, da AFP

Yoshikazu Tsuno/AFP

O presidente da Olympus Shuichi Takayama se inclina, em sinal de desculpas, durante entrevista à imprensa, em Tóquio

Tóquio – As revelações sobre faltas na administração financeira da fabricante japonesa de câmeras fotográficas Olympus prejudicam não apenas a imagem da empresa, mas podem enlamear a reputação de outras firmas japonesas, aos olhos dos investidores estrangeiros.

A Olympus admitiu ter maquiado suas contas para ocultar prejuízos colossais em investimentos financeiros de risco nos anos 90, agravando o escândalo que mancha a imagem da empresa e derruba suas ações na Bolsa. O dinheiro oficialmente declarado para aquisições, serviu, na realidade, para diminuir o passivo de suas contas.

“O escândalo poderá prejudicar as vendas de câmeras fotográficas”, considerou Nanako Imazu, da empresa de corretagem CLSA.

Os hospitais aos quais o grupo fornece endoscópios, uma de suas especialidades, “podem hesitar em voltar a fazer negócios com uma empresa tão mal administrada”, acrescentou.

Com investigações no Japão, Reino Unido e nos Estados Unidos, a Olympus está com sua cotação ameaçada de cancelamento na Bolsa de Tóquio, ao mesmo tempo em que o valor de sua ação perdeu 80% desde 14 de outubro, quando o escândalo chegou à tona.

O professor de economia Yasuyoshi Masuda confessa ter ficado “surpreso com a amplidão” da fraude, com duas décadas de operações complexas avaliadas em um bilhão de euros, segundo a empresa nipônica.

Segundo ele, algumas empresas japonesas, que realizaram investimentos duvidosos nos anos 80 e tiveram prejuízos mais tarde, conseguiram, no conjunto, “sanear seus métodos de gestão, de acordo com as regulações mais estritas editadas após o ano 2000”.

Antes, uma empresa poderia manter em sua contabilidade o mesmo valor de compra de um ativo financeiro, mesmo se seu preço tivesse caído muito com o tempo. Agora, são obrigadas a atualizar regularmente os preços de seus bens.

No entanto, as empresas nipônicas conservam “uma cultura de segredo e de falta de transparência para os olhos ocidentais”, considera James Lawden, presidente do comitê de assuntos jurídicos da Câmara de Comércio europeu do Japão (ECB).

“Somem a isto o culto à harmonia que dissuade qualquer tumulto e a lealdade dos empregados japoneses a sua empresa, obtendo-se um coquetel que favorece o caso Olympus”, prosseguiu.

Para melhorar a governança das empresas nipônicas, Lawden sugeriu reforçar a independência dos encarregados da contabilidade nos conselhos de administração.

Nesta sexta-feira, o governo mostrou-se publicamente comovido com a situação negativa dos negócios nipônicos.

“É triste ver investidores, tanto no Japão, como no exterior, questionar a equidade e a transparência do mercado japonês”, lamentou o ministro delegado dos Serviços Financeiros, Shozaburo Jimi.

Muitos investidores estrangeiros alarmados retiraram aplicações feitas em algumas empresas nipônicas, temendo que o caso Olympus seja, apenas, a ponta de um iceberg.

Fonte: Portal Exame

http://exame.abril.com.br/negocios/empresas/noticias/escandalo-olympus-projeta-sombra-nas-empresas-japonesas–3

Vítimas de Madoff começam a receber as primeiras indenizações

quarta-feira, outubro 5th, 2011

Investidores devem receber US$ 312 milhões a partir de hoje

Marcel Salim, de Exame.com

Getty Images

Bernard Madoff criou um esquema pirâmide que foi considerado uma das piores fraudes financeiras já cometidas na história dos Estados Unidos

São Paulo – O primeiro lote de cheques para indenização de vítimas do caso de fraude financeira cometida pelo megainvestidor americano Bernard Madoff começará a ser entregue a partir desta quarta-feira. O montante de 312 milhões de dólares será distribuído para 1.230 investidores que não retiraram todo o dinheiro que foi aplicado no fundo.

A afirmação foi confirmada por Irving H. Picard, advogado e administrador do fundo responsável por recuperar as parte do dinheiro que foi roubado por meio do esquema de pirâmide descoberto em 2008.

“É o primeiro retorno de fundos roubados para os clientes defraudados por Madoff”, declarou Picard ao blog DealBook do jornal americano The New York Times. “A necessidade do pagamento entre os muitos clientes é urgente, e estamos trabalhando para agilizar as distribuições”, acrescentou.

Os primeiros pagamentos teriam sido feitos na semana passada caso uma decisão do juiz Jed S. Rakoff, do tribunal do distrito de Manhattan nos Estados Unidos, não tivesse limitado Picard a recuperar apenas parte dos lucros que alguns de seus clientes, incluindo os proprietários do New York Mets, time de beisebol de Nova York, conseguiram levantar nos últimos dois anos de fraude.

Se fosse aplicada a outros processos envolvendo vítimas do caso Madoff, a determinação do juiz Rakoff iria reduzir para 6,2 bilhões de dólares o montante que poderia ser recuperado por Picard. No entanto, “o problema foi resolvido”, informou o advogado.

Aproximadamente 10,2 bilhões de dólares já foram recolhidos pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos para cobrir parte do total de 18 bilhões de dólares em perdas contabilizadas por vítimas que aplicaram dinheiro no fundo de investimento de Madoff.

Segundo Picard, o montante de 10,2 bilhões de dólares inclui 7,2 bilhões de dólares de Jeffry Picower, um investidor de longa data de Madoff e que faleceu em 2009, sendo reconhecido como um dos principais beneficiados pelo esquema de pirâmide. No total, 65 bilhões de dólares foram aplicados por investidores no caso Madoff.

Fonte: Portal Exame

http://exame.abril.com.br/mercados/noticias/vitimas-de-madoff-comecam-a-receber-as-primeiras-indenizacoes

Quem é o “cara legal” que perdeu US$ 2 bilhões no UBS

sexta-feira, setembro 16th, 2011

Kweku Abodoli foi algemado enquanto trabalhava na sede londrina do maior banco da Suíça

Gustavo Kahil, de Exame.com

Domínio Público

Kweku Abodoli era visto como uma pessoa tranquila e que não gostava de ostentar riquezas

Abodoli foi acusado de abusar da sua posição para obter ganhos para si enquanto colocava o UBS em risco

A imprensa de Londres deu ampla cobertura para o caso do mais novo “Rogue Trader” do mercado financeiro internacional

Repórteres espiam a casa de Kweku Abodoli

São Paulo – “Eu preciso de um milagre”. Esse foi o último post no perfil do Facebook de Kweku Abodoli, antes de ser algemado. O cara simples e que não gostava de ostentar riquezas, segundo o seu pai John, teve uma quarta-feira diferente. Após anos realizando operações não autorizadas, como ele próprio admite agora, o operador do UBS recebeu uma visita nada agradável do pessoal do controle de risco da unidade londrina, onde ele trabalhava, em sua mesa. Eles queriam saber como Abodoli conseguiu perder 2 bilhões de dólares com as operações de ETFs que gerenciava.

As respostas dele foram suficientes para que o maior banco da Suíça batesse na porta da polícia de Londres. Na quinta-feira, bem cedo, a visita que o “rogue trader” recebeu em sua mesa foi ainda mais desagradável. Desta vez, policiais o cercavam. O “cara legal”, segundo a análise do proprietário de seu ex-apartamento alugado, saiu do prédio já algemado.

O rombo foi tão grande que Abodoli ocupa agora a 3ª posição na galeria dos maiores trapaceiros do mercado financeiro, atrás do quase insuperável ex-operador do banco francês, Société Générale, Jerome Kerviel (US$ 6 bi) e do “Sr.5%” da japonesa Sumitomo Corp. (US$2,6 bi). Ele contratou o escritório de advocacia Kingsley Napley, que defendeu outro integrante do hall da fama, Nick Leeson – que conseguiu quebrar o banco inglês Barings.

Segundo a acusação da polícia, Abodoli “desonestamente abusou da sua posição com a intenção de conseguir ganhos para si, causando perdas para o UBS ou colocando o UBS em risco de perdas”. O operador chorou enquanto ouvia as acusações, disse a mídia britânica hoje. O valor perdido deve arranhar os resultados do banco no 3º trimestre, causar demissões (além a do seu chefe que já pediu pra sair) e por em risco os bônus dos funcionários de todo o banco.

Mas como ele conseguiu perder tanto dinheiro? Abodoli trabalhava com os chamados ETFs sintéticos. Um ETF comum é normalmente uma cesta de ativos que tenta imitar o desempenho de algum índice. O sintético tem a mesma função, porém o faz sem deter os ativos que compõem tal índice de referência, mas com o uso dos derivativos desses ativos. Desta forma, qualquer mudança no câmbio entre o derivativo e o ativo que ele tenta seguir precisa ser protegido (hedge), caso sejam de moedas diferentes.

Para alguns operadores, Abodoli pode ter sido derrubado pela decisão do Banco Nacional da Suíça que fixou uma cotação mínima de 1,2 franco suíço ao euro. O franco suíço despencou 8,7% em relação ao euro em um dia, a maior queda desde a criação da moeda única. Por exemplo, quem estivesse operando um ETF em franco suíço que tenta seguir os constituintes do S&P 500, em dólar, pode ter sofrido uma grande perda sem a proteção. Só um milagre mesmo para livrar a barra de Abodoli.

Fonte: Portal Exame

http://exame.abril.com.br/mercados/noticias/quem-e-o-cara-legal-que-perdeu-us-2-bi-no-ubs?page=1&slug_name=quem-e-o-cara-legal-que-perdeu-us-2-bi-no-ubs

 

Corretor do UBS é formalmente acusado de fraude no Reino Unido

sexta-feira, setembro 16th, 2011

Kweku Adoboli, detido em Londres, terá uma audiência com um juiz ainda nesta sexta-feira

AFP

Ben Stansall/AFP

O UBS anunciou que pode ter um prejuízo de até US$ 2 bilhões pelas operações fraudulentas

Londres – O corretor Kweku Adoboli, detido em Londres, foi acusado nesta sexta-feira em Londres por operações fraudulentas milionárias no banco suíço UBS, anunciou a Polícia britânica.

A porta-voz da Polícia da City (centro financeiro da capital inglesa) de Londres afirmou que Adoboli, de 31 anos, foi acusado de “abuso de posição e fraude contábil”. Ele terá uma audiência com um juiz ainda nesta sexta-feira.

O UBS anunciou nesta quinta-feira que pode ter um prejuízo de até dois bilhões de dólares pelas operações fraudulentas de um de seus corretores.

Adoboli, de origem ganense, foi detido no mesmo dia no escritório londrino do UBS pela polícia, que foi alertada pelo banco.

O corretor trabalhava com produtos financeiros complexos, no departamento de ETF (“Exchange Traded Funds”, fundos cotados na bolsa que se comportam como ações), no setor de ações europeias.

O perfil de Adoboli lembra o de Jerome Kerviel, o corretor que provocou um prejuízo de cinco bilhões de euros ao banco francês Société Générale em 2008 com transações não autorizadas.

Fonte: Portal Exame

http://exame.abril.com.br/negocios/empresas/noticias/corretor-do-ubs-acusado-de-fraude-no-reino-unido-2

 

Silvio Santos chama ex-presidente do PanAmericano de gângster

quinta-feira, setembro 15th, 2011

Empresário atribui a Rafael Palladino a responsabilidade pelas fraudes, segundo O Estado de S.Paulo

Márcio Juliboni, de Exame.com

Roberto Nemanis/Divulgação

Silvio Santos: o topa-tudo por dinheiro de Palladino desagradou o patrão

São Paulo – Acostumado a sorrisos e palavras amáveis, o apresentador e empresário Silvio Santos teve seus momentos de mau humor em depoimento à Polícia Federal sobre as fraudes no banco PanAmericano. Em certo momento, o empresário afirmou que Rafael Palladino, ex-presidente do banco, agiu como um “verdadeiro gângster”.

O depoimento foi reproduzido pelo jornal O Estado de S.Paulo. Palladino foi o braço direito de Silvio durante cerca de 20 anos, e estava à frente do PanAmericano, quando o Banco Central descobriu fraudes em sua contabilidade.

Rombo

As irregularidades referiam-se à manutenção, no balanço, de carteiras de crédito já vendidas – o que inflava os resultados. Para que o banco não quebrasse, o Fundo Garantidor de Crédito emprestou 2,5 bilhões de reais. Descobriu-se, depois, que o rombo era bem maior – 4,3 bilhões. O banco acabou vendido para o BTG Pactual no início deste ano.

Segundo O Estado de S.Paulo, no depoimento que prestou à PF, Silvio afirmou que Palladino era “o mentor intelectual” da fraude. As investigações apontam que 12 pessoas desviaram 76,9 milhões de reais do PanAmericano entre 2008 e 2010. Somente para empresas em nome de Palladino, o desvio teria chegado a 19 milhões.

A essas perguntas, Silvio respondeu com a resposta padrão, segundo o jornal: nunca soube dos saques.

Fonte: Portal Exame

http://exame.abril.com.br/negocios/empresas/noticias/silvio-santos-chama-ex-presidente-do-panamericano-de-gangster

 

Quando a pirâmide vira pó

domingo, agosto 9th, 2009

Livro conta como um imigrante sueco enganou investidores americanos nos anos 20 ao prometer lucro fácil a quem aplicasse dinheiro em sua fábrica de fósforos — e inspirou fraudadores como Bernard Madoff

Guilherme Fogaça, da EXAME

Um homem com muita credibilidade entre investidores oferece, por anos seguidos, uma oportunidade de negócio com ótima rentabilidade. Uma crise repentina e devastadora, no entanto, acaba com a festa. As bolsas desmoronam. Céticos, os aplicadores deixam de injetar dinheiro e começam a pedir explicações. Descobre-se que o lucro resulta de um esquema de pirâmide, em que os recursos das novas aplicações são usados para pagar o retorno de antigos investidores. A sequência de fatos narra perfeitamente a história de ascensão e queda do gestor de recursos Bernard Madoff, ex-presidente da bolsa eletrônica Nasdaq. Apesar da assustadora semelhança, o homem em questão é outro. Trata-se de Ivar Kreuger, um sueco que decidiu aproveitar a euforia de investidores nos Estados Unidos nos anos 20 e se tornou uma espécie de fonte de inspiração para uma série de outros espertalhões, como Madoff, condenado em junho deste ano a 150 anos de prisão. Sua trajetória está esmiuçada em The Match King — Ivar Kreuger, the Financial Genius Behind a Century of Wall Street Scandals (“O rei dos fósforos — Ivar Kreuger, o gênio financeiro por trás de um século de escândalos em Wall Street”, numa tradução livre), escrito por Frank Partnoy, professor de direito e finanças da Universidade de San Diego.

Embora esquemas desse tipo sejam até hoje conhecidos pelo nome de outro fraudador dos anos 20, o italiano Charles Ponzi, Partnoy defende que cabe ao sueco o mérito (se é que a palavra pode ser usada neste caso) de ter mantido a farsa por mais tempo e com artimanhas muito sofisticadas. “O esquema de Charles Ponzi durou apenas alguns meses”, diz Partnoy. A pirâmide de Kreuger durou uma década, num emaranhado de empréstimos que giravam em torno da expansão internacional da fábrica de fósforos de sua família. Tanto Ponzi quanto Kreuger viveram num ambiente especialmente propício à ascensão de fraudadores. Na década de 20, enquanto a Europa buscava formas de se reerguer após a Primeira Guerra, as ruas das principais cidades americanas estavam cheias de carros novos. As famílias de classe média compravam seus primeiros artigos de luxo e um grupo de novos investidores começava a aplicar na bolsa de valores. Na hora de investir, a preferência dos americanos recaía sobre produtos com alta demanda, como automóveis e rádios. Disposto a aproveitar a onda consumista, Kreuger, na época com 42 anos, partiu para os Estados Unidos para oferecer um produto absolutamente simples, necessário para acender lâmpadas de querosene, aquecedores a gás e cigarros: fósforos. Inventados por um químico alemão em 1832, os palitos de fósforo eram considerados perigosos, porque a substância amarela usada para atear fogo era tóxica e podia acender acidentalmente. Os suecos aperfeiçoaram o produto alemão e passaram a produzir um fósforo vermelho, mais seguro e que só acenderia se fosse riscado na superfície da caixa. Em 1922, segundo Partnoy, a Suécia era a maior exportadora mundial de palitos de fósforo — e uma das principais empresas era a Swedish Match Corporation, da família de Kreuger.

Kreuger aportou em Nova York determinado a seduzir investidores locais que sustentassem a expansão internacional da empresa da família — em troca, oferecia a promessa de lucro fácil. Com o dinheiro, convenceria governos europeus, que na época penavam para se reerguer do pós-guerra, a conceder a ele o monopólio do mercado de fósforos. “A equação se completava: os americanos tinham dólares e queriam investir, os governos europeus tinham o poder de garantir monopólios em seus territórios e a indústria de fósforos tinha um potencial de retorno alto para oferecer aos americanos”, diz Partnoy. “O que estava faltando era um mediador para unir esses três grupos.” Kreuger levou a proposta ao Lee Higginson & Co., de Nova York, um dos bancos de investimento mais lucrativos da época. Com o apoio do banco, ele criou uma companhia mundial, a International Match, e emitiu títulos aos investidores americanos com a promessa de retorno anual de 25%.

Após a operação, Kreuger tinha 16 milhões de dólares nas mãos — e os investidores, apenas uma promessa. Para conquistar a confiança do mercado, Kreuger não podia demorar muito para conseguir algum monopólio na Europa e avistou sua melhor chance na instabilidade política da Polônia, cujo presidente havia sido assassinado no final de 1922. O país recebeu a proposta de Kreuger, que incluía um empréstimo em troca da exclusividade na produção dos fósforos, como uma solução para seus problemas financeiros. Até o fim de 1927, Kreuger havia fechado acordos de monopólio em uma dúzia de países. As ações da International Match tinham triplicado de valor e Kreuger começou a usá-las como moeda para a compra de outros negócios, como bancos, mineradoras, ferrovias e distribuidoras de filmes. No caminho, criou um mecanismo para continuar a crescer sem dar poder aos investidores: dividiu as ações da empresa em duas classes e ofereceu aos investidores um novo tipo de papel, chamado de tipo B, que dava direito a um milésimo de voto. “Depois da iniciativa de Kreuger, muitas companhias seguiram seu exemplo”, diz Partnoy.

Kreuger construiu um império na economia real, mas financeiramente a conta não fechava. Os empréstimos oferecidos aos governos europeus rendiam muito menos do que o retorno prometido aos investidores, e as operações da International Match não eram suficientes para cobrir a diferença. Já que o negócio em si não dava o retorno necessário, Kreuger aproveitava sua reputação no mercado para levantar mais dinheiro com novos investidores e cumprir suas obrigações com os antigos. No meio da euforia, os investidores pouco se importavam com a falta de informações sobre as operações da companhia e nem sequer prestavam atenção nos raros dados que eram divulgados. Ninguém percebia nem mesmo erros crassos, como o fato de o balanço da International Match, por exemplo, mostrar a evolução das receitas da empresa desde 1921, apesar de a companhia ter sido criada apenas em 1923.

Em 1929, no entanto, a situação mudou. A chegada da crise levou pânico a Wall Street e as bolsas desmoronaram. Segundo Partnoy, Kreuger sabia que não poderia perder o que era seu principal negócio: a credibilidade com os investidores. Ele próprio comprou diversos títulos de sua companhia na tentativa de evitar a queda nos preços. Independentemente dos bons resultados apresentados pela International Match, a falta de confiança havia tomado conta do mercado — e Kreuger ficou abalado com a nova realidade. Pela primeira vez, os bancos de investimento questionavam suas transações. Para evitar interrogatórios desagradáveis, Kreuger ficava isolado o máximo de tempo possível. Em 1932, pouco antes de uma reunião com o banco de investimento Lee Higginson e seus auditores em Paris, ele se suicidou. Os papéis da International Match desabaram e os legisladores americanos tomaram o exemplo de Kreuger como algo que nunca poderia acontecer de novo. “Ele se transformou num símbolo dos excessos da década de 20. As investigações do Congresso em suas companhias resultaram em regras de segurança que governam os mercados até hoje”, diz Partnoy. Segundo o autor, o escândalo de Kreuger teria sido o embrião de um movimento que culminou na criação da SEC, órgão que regula o funcionamento do mercado financeiro americano, em 1934.

De lá para cá, muitas coisas mudaram — na legislação, na sofisticação dos produtos vendidos pelas empresas e nos tipos de aplicação oferecidos aos investidores. Mas, como os inúmeros seguidores de Kreuger mostraram, certas características do mercado financeiro — e da natureza humana — nunca mudam.

 

Fonte: Portal Exame

http://exame.abril.com.br/revista-exame/edicoes/0949/noticias/quando-piramide-vira-po-489973?page=1&slug_name=quando-piramide-vira-po-489973