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Só 1/3 das debêntures vai ao mercado secundário

sábado, novembro 5th, 2011

Apesar de a instrução 476 da CVM ter elevado o número de emissões de debêntures desde 2009, o aumento é pela concentração dos papéis nas mãos de poucos investidores

Cynthia Decloedt, da Agência Estado

Ana Maria

Debêntures ficam concentradas nas mãos de um pequeno grupo

São Paulo – A instrução 476 da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) de esforços restritos de distribuição de títulos de renda fixa tem elevado o número de emissões de debêntures desde 2009, quando foi aprovada. Segundo dados da Associação das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), foram emitidas R$ 25,48 bilhões debêntures em 2009, 52% das quais por meio da instrução 476; R$ 49,29 bilhões em 2010, com 67% por meio da 476; e R$ 36,7 bilhões até setembro, 93% pela 476.

A elevação está sendo acompanhada, no entanto, da concentração desses papéis nas mãos de um pequeno grupo de investidores, algumas vezes de um único subscritor, levantando questionamentos sobre seu impacto no ainda minguado mercado secundário.

A eficiência da instrução para a abertura do mercado de capitais a um leque maior de empresas e no fortalecimento desse instrumento como opção de captação, ao tornar o processo de emissão mais rápido, é inquestionável entre a maioria dos agentes e participantes desse mercado.

A instrução CVM 476 dispensa a emissão de registro prévio na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) por se destinar a investidores qualificados, ou seja, que conhecem os riscos de mercado. A instrução também permite que empresas de capital fechado emitam o papel. A instrução CVM 400, por sua vez, exige que somente empresas de capital aberto emitam o papel, com registro prévio na CVM e, por ser direcionada também ao investidor de varejo, as empresas têm de conduzir uma série de ações relacionadas à informação dos investidores, especialmente sobre fatores de risco.

“A instrução 476 preenche uma lacuna, já que muitas empresas deixavam de utilizar a debênture como instrumento de captação quando havia somente a instrução 400”, disse o diretor executivo comercial e de produtos da Cetip, Carlos Ratto.

Mas entre os participantes do mercado de debêntures crescem comentários de que algumas boas emissões estão sendo mantidas na carteira de uma única instituição que coordena a operação, ou distribuídas a um grupo muito pequeno de investidores, algumas vezes, empresas da própria coordenadora da colocação. “Os bancos fazem a operação para comprá-la inteira, recebendo a remuneração de um emissor que é normalmente de primeira linha”, disse fonte de um banco que não quis ser identificada.

Bancos ficam com a maior parte

O vice-presidente da Anbima, Alberto Kiraly, disse que os bancos sempre absorveram grande parte das debêntures, mas que esse montante subiu de 50% antes da instrução 476 para 70% após a entrada em vigor da mesma. A Anbima tem liderado os esforços para dar liquidez ao mercado secundário, envolvendo-se principalmente na iniciativa de criação do Novo Mercado de Renda Fixa.

“Apenas um terço do que é emitido chega ao mercado secundário atualmente”, relatou Kiraly. “O mercado de debêntures sempre absorveu grande parte dos papéis. Os bancos têm interesse, precisam de bons créditos e sempre houve esse movimento de carregar em carteira as operações”, disse. Para ele, a questão do mercado secundário vai além e diz que quando for mais ativo, os bancos terão interesse em se desfazerem desses papéis.

O superintendente de distribuição do BES Investimento do Brasil, Jorge Simão, acrescentou que a própria natureza do mercado tende à concentração, citando que os fundos de pensão e as assets, por conta da característica suas operações, tendem a manter os papéis em carteira, se desfazendo dos ativos somente quando há algum resgate e necessitam realocar ativos.

Simão pondera também que parte da concentração está relacionada ao fato de que uma fatia das debêntures emitidas por meio da instrução 476 são de empresas de capital fechado e que outras não têm interesse em se adequar as exigências de transparência do mercado de capitais. “Algumas emissões jamais conseguiriam ser colocadas no mercado de varejo”, disse.

Para ele, o ponto importante de tal discussão é que desde 2010 o mercado está mudando, com o surgimento de novas casas de administração de recursos focadas em diversificar investimentos e aumento no interesse pelo crédito privado por fundações e pelas empresas de private equity. “No futuro, com o crescimento do mercado de capitais – com o ingresso de novas empresas, com as operações aumentando de volume e a ampliação do leque de investidores – teremos de repensar a limitação de distribuição da 476 para que não haja injustiça (de distribuição)”, disse. A instrução 476 prevê que a emissão seja mostrada a 50 investidores qualificados e distribuída para 20 deles.

O superintendente de registro de valores mobiliários da CVM, Felipe Claret da Mota, diz que a instrução 476 é anterior as discussões de fomento à liquidez do mercado secundário de renda fixa privada e que a subscrição por um único investidor está prevista inclusive na instrução 400. “A 476 tem várias vantagens e a principal é facilitar a vida da companhia em um momento de necessidade de recursos, ainda abrindo a possibilidade de também companhias fechadas acessarem o mercado de capitais, quem sabe, incentivando-a a abrir o capital”, diz Mota. “Para o secundário crescer, é preciso haver operações”, conclui.

O advogado José Eduardo Carneiro Queiroz da empresa de advocacia Mattos Filho, acrescenta que a debênture é um título de dívida e, por isso, tem característica de crédito, e que uma eventual baixa distribuição pode estar relacionada ao fato de o mercado ser ainda muito pequeno e pouco desenvolvido. “Uma distribuição maior, portanto, dependeria da evolução do mercado de debêntures, em termos de eficiência”, diz.

Fonte: Portal Exame

http://exame.abril.com.br/mercados/noticias/so-1-3-das-debentures-vai-ao-mercado-secundario

4 tipos de aplicações que não dão trabalho

sexta-feira, outubro 21st, 2011

Investimentos simples de entender e operar para quem não tem tempo ou paciência de conhecer melhor o mercado

Julia Wiltgen, de Exame.com

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Aplicações sugeridas envolvem trabalho inicial, mas depois fica fácil lidar com elas

São Paulo – Montar uma carteira de investimentos diversificada e balanceada dá trabalho e exige empenho em acompanhar o noticiário econômico, informar-se sobre os produtos financeiros e conhecer as empresas negociadas em bolsa. Mas quem não tem tempo ou paciência de se aprofundar nessas questões não precisa simplesmente aceitar a primeira sugestão do gerente do banco. Existem aplicações muito simples de entender e operar, que requerem apenas um esforço inicial por parte do investidor.

Esse esforço consiste, é claro, em definir os objetivos dos investimentos, mas também em pesquisar uma instituição com taxas e produtos vantajosos e fazer os trâmites burocráticos para começar a operar. A partir daí, fica fácil acompanhar a evolução das aplicações, sem precisar de conhecimentos muito aprofundados sobre o mercado.

“No Brasil existe uma concentração dos investimentos nos grandes bancos. É conveniente para o investidor, mas os custos dos produtos bancários são muito elevados”, diz o planejador financeiro Fernando Meibak, que já atuou em bancos como UBS, Citigroup e HSBC.

A pessoa que quer investir sem ter muito trabalho deve priorizar liquidez e taxas baixas. Para os mais preguiçosos e que desejam poupar até 10.000 reais, a aplicação mais simples é realmente a caderneta de poupança, isenta de IR, com liquidez diária, rentabilidade suficiente para preservar o poder de compra e sem nenhum mistério para operar. Para valores a partir de 10.000 reais, o mercado reserva outras boas opções:

1. Tesouro Direto:

Os títulos públicos, no Brasil, combinam boa rentabilidade e liquidez com o baixo risco de serem garantidos pelo governo. O investidor pessoa física pode operá-los diretamente pela plataforma online Tesouro Direto, a taxas muito mais em conta do que as de qualquer fundo de renda fixa ou DI. Há títulos de prazos e perfis variados, adequados a diferentes objetivos. Mas, de acordo com Fernando Meibak, quem não tem tempo mesmo de acompanhar suas aplicações pode comprar um título de longo prazo indexado à Selic (as LFTs) ou ao IPCA (as NTN-Bs), cujos prazos podem chegar a até 30 anos. Nada mal para poupar para uma aposentadoria.

Dedicação inicial: o investidor precisa se cadastrar em um agente financeiro habilitado, que cobre taxas de administração em conta. Também precisa se informar sobre a característica de cada título (atualmente são negociados quatro tipos) e conhecer os riscos, que são baixos, mas existem. Veja como investir no Tesouro Direto.

2. ETFs:

No lado da renda variável, o equivalente “fácil e barato” seriam os ETFs, fundos que acompanham índices como o Ibovespa, o IBrX e o Índice Small Caps. Ao investir em um desses fundos, cujas cotas são negociadas em Bolsa como se fossem ações, é como se o investidor estivesse comprando toda a carteira que compõe aquele índice. As taxas de administração são bem baixas em relação aos fundos de investimento convencionais, não chegando a 1% ao ano.

“O bom dos ETFs é que eles não têm prazo, depois de entrar, você meio que pode esquecer, e sair quando quiser”, diz Meibak. O planejador financeiro acredita que 10% do patrimônio em renda variável já são suficientes, e que os ETFs mais indicados para o investidor menos ativo são os PIBBs, que acompanham o IBrX, e o BOVA11, que segue o Ibovespa.

Quem quiser um diferencial de rentabilidade pode destinar parte de suas aplicações em renda variável para o ETF SMALL11, que segue o índice Small Caps e acumula uma rentabilidade interessante desde sua criação. “Gosto muito de small caps. As empresas menores têm sofrido menos em tempos de crise, e muitas delas têm bom potencial de rentabilidade”, diz o Meibak.

Dedicação inicial: O investidor precisa abrir uma conta em uma corretora cadastrada na BM&FBovespa. Em muitas delas é possível operar tanto ETFs quanto Tesouro Direto. Atenção à taxa de corretagem – procure comparar o valor da cobrança em diferentes instituições.

3. Debêntures e CDBs:

Debêntures são menos acessíveis ao investidor pessoa física, mas podem trazer um diferencial de rentabilidade interessante para a carteira. É preciso, no entanto, ter mais cuidado, pois são mais arriscadas que os títulos públicos, uma vez que são títulos de dívida de empresas. O investimento inicial é geralmente alto, mas já existem papéis cujo valor unitário é de 1.000 reais.

Para tentar mitigar os riscos, o investidor deve procurar aplicar em papéis de empresas de grande porte, com classificação de risco mínima AA por um agente internacional. Mesmo essas costumam pagar ao investidor mais de 100% do CDI, o que é difícil de conseguir num CDB de banco grande, por exemplo.

Entre os CDBs, essa rentabilidade mais alta é encontrada nos papéis emitidos por bancos pequenos e médios. Para investir nesses papéis não é preciso ter conta no banco emissor, mas é bom não aplicar mais que 70.000 reais numa única instituição – esse é o valor máximo de garantia do investimento caso o banco não possa honrar seus compromissos.

Dedicação inicial: O investidor precisa abrir uma conta em um agente financeiro que disponibilize esse tipo de aplicação. As corretoras que possibilitam a compra e venda de títulos públicos muitas vezes também disponibilizam CDBs e debêntures emitidos por diversas instituições.

4. Fundos de investimentos:

Quem realmente não quer se dar ao trabalho de escolher ativos por conta própria – especialmente no caso das ações – pode delegar a tarefa a um gestor profissional, aplicando em um fundo de investimento em renda fixa ou variável. Meibak indica os fundos DI, que investem em títulos públicos atrelados à Selic, os de renda fixa ativa, que compram diferentes tipos de títulos públicos, e fundos de ações não setoriais.

A pessoa que optar por esse caminho deve priorizar dois pontos: liquidez diária – o ideal é que o fundo não tenha prazo de vencimento – e taxas baixas. E dificilmente os fundos mais em conta serão comercializados pelo banco onde você recebe o seu salário. Especialistas recomendam que um fundo de renda fixa não tenha taxa de administração acima de 1% ao ano, enquanto que fundos de ações podem ter essa taxa em torno de 2% ao ano. Fernando Meibak aconselha também a evitar fundos de ações que cobrem taxa de performance.

Dedicação inicial: Num primeiro momento, portanto, o investidor precisará pesquisar fundos em gestoras independentes e se preparar para abrir uma conta. Verificar se o fundo é registrado na CVM, bem como ler seu prospecto e checar o histórico de rentabilidade são tarefas básicas. Saiba como funcionam os fundos de investimento e navegue pelo Ranking de Fundos.

Fonte: Portal Exame

http://exame.abril.com.br/seu-dinheiro/renda-fixa/noticias/4-tipos-de-aplicacoes-que-nao-dao-trabalho