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Bolsas nos EUA fecham em patamar recorde e Valor de Mercado Mundial se encontra no maior patamar histórico

sexta-feira, setembro 5th, 2014

Nova York – Em 05 de setembro de 2014, o Índice S&P 500 fechou em novo patamar recorde de alta com variação positiva de 0,5%, a 2.007,71 pontos. O Índice Dow Jones subiu 0,4%, fechando em 17.137 pontos e o Nasdaq subiu 0,45%, fechando em 4.582 pontos.

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Em 05 de agosto de 2014, a Federação Mundial de Bolsas (World Federation of Exchanges) publicou o relatório com as Estatísticas do Mercado do primeiro semestre de 2014.

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Entre os destaques o relatório mostra a continuidade de um forte desempenho dos mercados de ações, com o Valor de Mercado Global atingindo USD 68,7 trilhões, o que representa um crescimento de 21% em relação ao mesmo período de 2013.

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Este valor é o maior patamar histórico do Valor de Mercado Global, se olharmos o Valor de Mercado Global com base nos dados da Mckinsey o topo anterior foi atingido entre o final de 2007 e o estouro da crise financeira em 2008, a única conclusão que podemos tirar é que em breve teremos momentos de correção nos preços das ações, este valor não reflete o momento econômico mundial que ainda não se recuperou plenamente da crise financeira.

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No Brasil, o Índice Bovespa (IBovespa) ainda não ultrapassou a máxima histórica obtida em 20 de maio de 2008, data em que alcançou 73.516 pontos. A euforia ocorreu após a S&P elevar o rating do País para grau de investimento em 30 de abril daquele ano, embora as outras duas agências de classificação de risco (Fitch e Moody’s) tenham tomado a mesma decisão nos meses subsequentes, o índice foi aos poucos se distanciando de sua pontuação histórica e revertendo a tendência de alta a partir do 2º semestre do ano, quando a crise do subprime norte-americano se alastrou pelo mundo.

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Arquivo N especial traça histórico das grandes crises financeiras do mundo

terça-feira, dezembro 20th, 2011

O mercado não é o monstro da crise, diz Financial Times

terça-feira, novembro 22nd, 2011

 “Os investidores não são inimigos dos políticos europeus. Eles são seus amigos”, afirma colunista

Gustavo Kahil, de Exame.com

Getty Images

"Um anti-capitalista em Londres tem mais entendimento sobre como os mercados funcionam que a média de um político alemão", disse um oficial francês

Patrik Stollarz/Getty Images

"Temos que ser capaz de deter os mercados financeiros. Temos todos os instrumentos de tortura no porão”, afirmou Jean-Claude Juncker, presidente do Eurogrupo, no ano passado

Franziska Kraufmann/AFP

“Existe um tipo de batalha sobre qual o poder que os mercados financeiros tem e o espaço disponível para os políticos governarem", disse a chanceler alemã Angela Merkel. "Temos que mostrar a primazia da política", enfatizou

Mario Tama/ Getty Images

"Os políticos precisam tranquilizar os investidores – não fantasiar sobre torturá-los em um porão", diz Rachman

Wikimedia Commons

A Espanha pagou hoje o maior juro em 14 anos para uma emissão de curto prazo e o custo de proteção contra um calote disparou

São Paulo – A ânsia dos políticos em controlar os mercados financeiros durante a crise e acusá-los de culpados pela desconfiança é um erro que precisa ser repensado. “Há muitos mal-entendidos embutidos na crença de que os mercados estão de alguma forma unidos para destruir o euro”, analisa o colunista do Financial Times, Gideon Rachman.

O primeiro equívoco, explica ele, é pensar que os mercados são uma entidade única e não o resultado de uma opinião entre os compradores e vendedores.

Rachman cita uma declaração recente de um alto oficial francês: “Na média, um anti-capitalista em Londres tem mais entendimento sobre como os mercados funcionam que a média de um político alemão”.

“Os mercados não são inimigos dos políticos europeus. Eles são seus amigos. De fato, eles são tudo que está entre os líderes políticos e os cidadãos nervosos”, explica. Ou seja, se os mercados não emprestam aos governos, então os políticos só podem arrecadar de um lugar – os eleitores.

“Como a Europa está descobrindo, isso corresponde a impostos mais altos ou cortes nos gastos públicos. Apenas os mercados estão entre os políticos e a austeridade profunda”, diz. Mesmo assim, alguns mantêm uma posição hostil para com os mercados financeiros.

Torturem eles!

No ano passado, o presidente do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker, esbravejou: “Temos que ser capaz de deter os mercados financeiros. Temos todos os instrumentos de tortura no porão”. Isso é como pedir ao gerente do banco para ampliar o prazo de um empréstimo e depois dizer que, caso não concorde com os termos, você tem o direito de afoga-lo, afirma Rachman.

A Espanha pagou hoje o maior juro em 14 anos para uma emissão de curto prazo. O rendimento médio de uma venda de 3 bilhões de euros em títulos de 3 e 6 meses ficou acima de 5% na de prazo mais curto ante aproximadamente 2,3% na operação realizada no mês passado. O juro para os papéis de seis meses subiu de 3,3% para acima de 5%

O custo para se proteger de um eventual calote da Espanha atingiu mais um recorde hoje. O spread do CDS (Credit Default Swap) do país subiu 15 pontos-base, para 484 pontos–base. O CDS de cinco anos da França avançou três pontos-base, para 237 pontos-base. O juro dos títulos de 10 anos da Espanha disparou 52 pontos-base, para 6,61%.

Rachman lembra também que apesar de ser verdade o fato de que algumas estratégias são realizadas com base na ideia de um calote de algum país europeu ou no rompimento do euro, há também outras que são feitas sob um julgamento diferente. Uma prova disso foi a quebra da corretora MF Global, que apostou no lado errado.

“Na verdade, quase todos – bancos, políticos e, acima de tudo, as pessoas comuns de todo o mundo – têm um enorme interesse na solução da crise da dívida soberana da Europa. Se isso for acontecer, os políticos precisam tranquilizar os investidores – não fantasiar sobre torturá-los em um porão”, conclui.

Fonte: Portal Exame

http://exame.abril.com.br/mercados/noticias/o-mercado-nao-e-o-monstro-da-crise-diz-o-financial-times

Os 29 bancos grandes demais para quebrar

sábado, novembro 5th, 2011

Lista revela instituições que poderiam levar o caos ao sistema financeiro mundial se tivessem de ser liquidadas

Mercados | 05/11/2011 15:48

João Sandrini, de Exame.com

Getty Images

Citigroup: na lista dos bancos grandes demais para quebrar

São Paulo – O G20 (que reúne as 20 principais economias do mundo) divulgou a lista dos bancos que não podem quebrar sem colocar em risco a saúde do sistema financeiro mundial. Para evitar a possibilidade de surgimento de um novo Lehman Brothers, que quebrou em 2008 e espalhou o pânico pelos mercados, os donos de todas as instituições listadas terão, nos próximos anos, de injetar capital para reduzir a alavancagem e tornar o sistema como um todo mais seguro. Veja a seguir a lista dos bancos grandes demais para quebrar:

EUA
Bank of America: 2,2 trilhões de dólares em ativos
BNY Mellon: 322 bilhões de dólares em ativos
Citigroup: 1,9 trilhão de dólares em ativos
Goldman Sachs: 937 bilhões de dólares em ativos
JPMorgan: 2,3 trilhões de dólares em ativos
Morgan Stanley: 831 bilhões de dólares em ativos
State Street: 208 bilhões de dólares em ativos
Wells Fargo: 1,3 trilhão de dólares em ativos

Reino Unido
RBS: 1,6 trilhão de dólares em ativos
Lloyds TSB: 979 bilhões de dólares em ativos
Barclays: 1,5 trilhão de dólares em ativos
HSBC: 2,7 trilhões de dólares em ativos

França
Credit Agricole: 1,6 trilhão de dólares em ativos
BNP Paribas: 1,9 trilhão de dólares em ativos
Banque Populaire: 407 bilhões de dólares em ativos
Societe Generale: 1,2 trilhão de dólares em ativos

Alemanha
Deutsche Bank: 2,3 trilhões de dólares em ativos
Commerzbank: 738 bilhões de dólares em ativos

Itália
Unicredit: 1,3 trilhão de dólares em ativos

Suíça
UBS: 1,4 trilhão de dólares em ativos
Credit Suisse: 1,1 trilhão de dólares em ativos

Bélgica
Dexia: 518 bilhões de dólares em ativos

Holanda
ING: 1,3 trilhão de dólares em ativos

Espanha
Santander: 1,3 trilhão de dólares em ativos

Suécia
Nordea: 924 bilhões de dólares em ativos

Japão
Mitsubishi UFJ: 206 bilhões de dólares em ativos
Mizuho: 156 bilhões de dólares em ativos
Sumitomo Mitsui: 133 bilhões de dólares em ativos

China
Bank of China: 11,5 trilhões de dólares em ativos

Fonte: Portal Exame

http://exame.abril.com.br/mercados/noticias/os-29-bancos-grandes-demais-para-quebrar

Fechamento de 2 bancos aumenta para 87 número de quebras este ano nos EUA

sábado, novembro 5th, 2011

Os bancos Mid City Bank, com sede em Omaha (Nebraska) e SunFirst Bank, localizado em Saint George (Utah), foram fechados, segundo informou a FDIC

inShare

John Zich/AFP

Os bancos com problemas passaram de 888 entre janeiro e março para 865 de abril a junho

Washington – As autoridades reguladoras dos Estados Unidos fecharam nesta sexta-feira dois bancos em Nebraska e Utah, com o que já somam 87 os que foram declarados em quebra neste ano.

A Corporação Federal de Seguro de Depósitos (FDIC, na sigla em inglês) informou em comunicado dos fechamentos de Mid City Bank, com sede em Omaha (Nebraska) e de SunFirst Bank, localizado em Saint George, (Utah).

O primeiro tinha US$ 106,1 milhões em ativos e US$ 105,5 milhões em depósitos, que serão assumidos pelo banco Purdum State, baseado na localidade de Purdum também em Nebraska.

O segundo possuía US$ 253 milhões em depósitos, que serão assumidos em sua totalidade pelo banco Cache Valley da localidade de Logan, e US$ 288 milhões em ativos, dos quais essa mesma entidade assumirá US$ 177,3 milhões.

Além disso, a FDIC e Cache Valley Bank acertaram compartilhar o peso das perdas de US$ 128,9 milhões nos ativos do SunFirst Bank.

Os bancos com problemas passaram de 888 entre janeiro e março para 865 de abril a junho, um trimestre no qual quebraram 22 entidades, frente às 18 do anterior.

Fonte: Portal Exame

http://exame.abril.com.br/economia/mundo/noticias/fechamento-de-2-bancos-aumenta-para-87-numero-de-quebras-este-ano-nos-eua

Crise afeta liquidez e dificulta negócios com ações nos EUA

quarta-feira, outubro 19th, 2011

Operadores dizem que está difícil comprar e vender papéis sem causar uma grande oscilação de preços. Por Tom Lauricella e Gregory Zuckerman | The Wall Street Journal

Em meio às fortes oscilações das últimas semanas, estão aparecendo rachaduras no mecanismo interno do mercado acionário que, segundo alguns investidores profissionais, estão tornando o mercado traiçoeiro demais para aplicar.

Operadores de fundos hedge e administradores de fundos mútuos dizem que está ficando cada vez mais difícil negociar determinada ação sem causar uma grande oscilação no seu preço. Isso levou muitos grandes investidores a se afastar do mercado, para não serem prejudicados pelas dificuldades de se realizar as transações.

As grandes oscilações nos índices de ações vêm chamando a atenção. Mas participantes do mercado dizem que as condições são muito piores quando se analisa cada ação, destacando o nervosismo de investidores de todos os matizes.

Mesmo entre algumas ações das mais negociadas em Wall Street, como a Apple Inc. ou Netflix Inc., os operadores dizem que está mais difícil do que de costume comprar ou vender. O problema é a falta de liquidez, termo que se refere à facilidade de realizar uma operação a um preço aceitável.

Os mercados dependem da existência de muitas ofertas para comprar e vender uma determinada ação, num certo intervalo de preços. Mas como os investidores estão temerosos, muitas dessas ofertas secaram. Isso está causando diferenças mais amplas do que o normal entre os preços que mostram a que nível uma ação pode ser comprada e que nível pode ser vendida – ou seja, a diferença entre o preço “oferecido” e o preço “pedido”.

Muitos grandes investidores, como fundos hedge e fundos mútuos, que às vezes funcionam como amortecedores para as negociações, pois tendem a operar com grandes blocos de ações, têm ficado à margem do mercado. Alguns fundos hedge, por exemplo, dizem que estão contendo os negócios até saberem quanto dinheiro seus clientes vão retirar no fim de outubro, prazo que alguns clientes têm para informar aos fundos sobre suas intenções de resgatar dinheiro no fim do ano.

Já os bancos e outras instituições financeiras de Wall Street têm bem menos apetite para assumir o risco de manter em carteira seja o que for que os clientes estejam comprando ou vendendo.

Alguns analistas e investidores dizem que a baixa liquidez e a turbulência do mercado, que viu a Média Industrial Dow Jones subir ou descer 1% ou mais em 15 dos últimos 20 pregões até ontem, vão persistir enquanto as autoridades governamentais continuarem brigando dos dois lados do Atlântico, com os bancos e outros agentes procurando reduzir o risco das operações e a economia global permanecendo numa base instável.

De certa forma, já era de se esperar que os investidores abandonassem o mercado em tempos de incerteza. Mas os operadores dizem que o êxodo recente é marcante, e ressaltam o nervosismo dos participantes do mercado e a falta de vontade de muitos de efetuar transações. “A liquidez continuará sendo um grande problema”, diz Patrick McMahon, cofundador do fundo hedge MKP Capital.

McMahon diz ter notado uma forte queda da liquidez, ou do volume de negócios do mercado, nos últimos meses. E agora que os bancos globais procuram reduzir sua exposição ao risco, é menos provável que entrem no mercado, seja do lado da compra ou da venda, diz McMahon.

Ele diz que há menos investidores dispostos a comprar ou vender ações, o que cria, na prática, um vácuo. “É por isso que temos altas ou baixas de 5% em questão de minutos”, diz ele. “Quando há vendedores, há poucos compradores, criando um bolsão de ar que pressiona os preços para baixo.”

E não é apenas no mercado acionário que se nota isso. Operadores dizem que a liquidez também foi sugada dos mercados de crédito, seja de títulos de dívida corporativa ou de títulos lastreados em hipotecas. Os bancos internacionais vêm reduzindo sua exposição aos títulos mais arriscados e estão menos propensos a entrar no mercado de dívida, seja do lado da compra ou da venda, diz McMahon.

“Qualquer venda de tamanho razoável está baixando bastante a cotação de um título”, diz Jeffrey Kronthal, cofundador do fundo hedge KLS Diversified em Nova York. Ele diz que o spread entre os preços de procura e de oferta de alguns títulos lastreados em hipotecas residenciais e comerciais mais do que dobrou no último mês. “Realmente, não há operadores aplicando recursos. Muitos papéis simplesmente não estão sendo negociados.”

No mercado acionário, um gerente bem conhecido de um grande fundo hedge disse que recentemente tentou comprar US$ 250 milhões de ações da Tempur-Pedic International Inc., fabricante de colchões com valor de mercado de quase US$ 4 bilhões. O gerente, que não quis dar declarações oficiais, diz que desistiu depois que seu pedido inicial de US$ 20 milhões em ações fez subir demais a cotação do papel. “Você tenta fazer algo em um nível, e se você tira os olhos da tela, aquilo já passa para o próximo nível”, diz David Schiff, vice-chefe de operações acionárias na J.P. Morgan Asset Management. “Não há muita consistência em nenhuma cotação”, afirma.

Fonte: Jornal Valor Econômico – 19/10/2011 – página D2

Por que os investidores erram na crise

quarta-feira, outubro 5th, 2011

Movimento de manada influencia a venda dos papéis na hora errada; para estrategista do Santander, contudo, o melhor momento para comprar ações ainda não chegou

Marcela Ayres, de Exame.com

Divulgação

São Paulo – Apesar da máxima mais batida do mercado financeiro recomendar a compra na baixa e a venda na alta, muitos investidores fizeram exatamente o contrário na crise de 2008. Mas quem se desfez dos ativos na esteira do pessimismo reinante realizou um considerável prejuízo e ainda deixou de embolsar a subida de mais de 80% registrada pelo Ibovespa em 2009.

Desta vez, o imbróglio fiscal na zona do Euro também está penalizando os papéis brasileiros. Do começo do ano até setembro, o tombo do índice já chegou a 24,5%. Por sua vez, as pessoas físicas novamente estão fugindo da renda variável: mais de 15.000 CPFs foram descadastrados da bolsa até agosto.

É verdade que a resolução da crise não deve aparecer no curto prazo. O governo já incorporou uma expectativa de piora generalizada na economia global na decisão de diminuir a Selic, acreditando que a desaceleração lá fora ajudará a conter a inflação por aqui. Para muitos analistas, o fundo do poço será ainda mais baixo que o atingido há três anos.

Ainda assim, o consenso entre os que defendem a aplicação em ações é que no longo prazo o investidor que segurar seus ativos voltará a ser remunerado. Por que então o desconto sofrido pelos papéis até agora não convence o brasileiro a apostar nas companhias de capital aberto?

Para Clayton Calixto, estrategista de investimentos pessoais da Santader Asset Management, acertar a hora certa de aplicar em ações não deixa de ser um mito. “O retorno anualizado do Ibovespa de janeiro de 99 a abril de 2008 foi de 28%. Sem os dez maiores pregões de alta, o percentual caiu para 16%, abaixo dos 16,8% entregues pelo CDI no mesmo período”, diz. Perdendo 10 dias na bolsa em um horizonte de quase 10 anos, portanto, o investidor já embolsaria um rendimento mais modesto que o da renda fixa.

Além disso, pontua Calixto, a pessoa física tende a reproduzir um comportamento de manada. “A ganância impera na alta e o medo na baixa. Todo mundo se sente muito confortável ao comprar o que está todo mundo comprando e vender o que está todo mundo vendendo, pensando que errar em conjunto é melhor que errar sozinho”, afirma.

No estudo “Comportamento dos investidores na crise: uma análise para o Brasil no período de 2005 a 2009″, três pesquisadoras da Universidade Federal de Juiz de Fora investigaram a performance das ações antes e depois do furacão que derrubou os mercados com a quebra do Lehman Brothers, em 2008.

O resultado não chega a surpreender: em períodos de estabilidade econômica os investidores ficaram confiantes e compraram de olhos fechados. Como manda a lei da oferta e da procura, a demanda elevou o preço dos papéis, fazendo com que o valor de mercado das empresas do Ibovespa superasse e muito seu patrimônio líquido.

A tendência se inverteu nos momentos de incerteza, quando os investidores ficaram com temor de adquirir mais ações, venderam seus ativos e acabaram pressionando os preços para baixo.

Para quem acredita que o exemplo ensina que é chegada a hora de garimpar pechinchas, o estrategista do Santander faz um alerta. “Só é razoável investir uma pequena parcela em papéis defensivos, como de telecom e energia elétrica”, sustenta. Em geral, o comportamento destas empresas se distancia do desempenho do Ibovespa, fazendo com que elas sofram menos nos momentos de aversão ao risco. Não por menos, os setores foram os grandes destaques nas carteiras recomendadas por 16 corretoras para outubro.

Na visão de Calixto, a bolsa continuará andando de lado até o final de 2011 e uma recuperação efetiva só virá em dois a três anos. “O momento para fazer uma tacada maior será definido pelo socorro aos países europeus”, acredita. “Ainda estamos vendo planos superficiais, sem grandes estudos. Mas quando for anunciado um pacote de execução viável, este será o grande gatilho para comprar ações e aproveitar a alta dos anos seguintes.”

Fonte: Portal Exame

http://exame.abril.com.br/seu-dinheiro/acoes/noticias/por-que-os-investidores-erram-na-crise?page=1&slug_name=por-que-os-investidores-erram-na-crise

Chance de crise atual repetir a de 2008 é de 62%

terça-feira, setembro 27th, 2011

Há possibilidade de uma crise internacional semelhante ao colapso do banco Lehman Brothers em 2008

Fábio Alves, da Agência Estado

Getty Images

Informação é do relatório do banco JPMorgan

São Paulo – A volatilidade registrada pelos contratos do mercado futuro de real e dólar nas últimas semanas aponta para uma probabilidade de 62% de repetição de uma crise com a mesma severidade do colapso do banco Lehman Brothers em 2008, conforme relatório do banco JPMorgan com um levantamento das cotações no mercado à vista e nos preços de derivativos das principais moedas mundiais.

Mesmo após as intervenções do Banco Central para tentar estabilizar o mercado de câmbio, o sentimento dos investidores refletido nos contratos futuros de real é de que o pior da crise ainda não passou.

“Por causa do movimento agudo das cotações nas últimas duas semanas, muita gente começou a pensar que a maior parte do processo de desalavancagem dos ativos de riscos que precisava ser feito já foi feito nessas últimas semanas”, disse à Agência Estado um dos autores do levantamento, Arindam Sandilya, estrategista de câmbio do JPMorgan em Nova York. “Mas a principal mensagem desse levantamento é que as coisas podem ficar bem pior.”

Os analistas do JPMorgan mediram a volatilidade no mercado à vista dos pares de moedas de países desenvolvidos, como a oscilação na negociação do dólar versus euro ou do dólar versus iene japonês, por exemplo. Para moedas de países emergentes que não são conversíveis, mas tenham negociação no mercado futuro, como o Brasil, foi levada em conta a volatilidade de contratos de derivativos como os non deliverable forwards (NDF), cujos prazos vão de um mês até um ano.

No par euro/dólar, que tem a maior liquidez no mercado mundial de câmbio, a volatilidade das cotações do mercado à vista já aponta uma probabilidade de 70% de repetição de uma crise à la Lehman Brothers. No par dólar/franco suíço, a volatilidade indica 83% de chance.

Fonte: Portal Exame

http://exame.abril.com.br/economia/mundo/noticias/chance-de-crise-atual-repetir-a-de-2008-e-de-62

Goldman ensina como ganhar na crise

quinta-feira, setembro 1st, 2011

Por Susan Pulliam e Liz Rappaport | The Wall Street Journal

Mercado: Relatório sugere a investidores como tirar proveito do cenário catastrófico traçado por analista

Um estrategista de peso do Goldman Sachs Group Inc. traçou um cenário particularmente sombrio para a economia aos clientes de fundos de hedge do banco e deu sugestões de como esses operadores podem tirar vantagem da crise financeira na Europa.

No relatório de 54 páginas enviado para centenas de clientes institucionais do Goldman e publicado em 16 de agosto, Alan Brazil – um estrategista do Goldman que faz parte da mesa de operações do banco – argumenta que serão necessários pelo menos US$ 1 trilhão em capital para recuperar os bancos europeus; que as pequenas empresas nos Estados Unidos, um motor para as contratações no passado, ainda estão se arrastando; e que o crescimento da China pode não ser sustentável.

Entre as sugestões de Brazil para fazer aplicações baseadas nessa análise pessimista: uma opção de investimento sofisticada que permita apostar na queda do euro, e uma aplicação de desvalorização através de um índice de contratos de seguro para o crédito de ações financeiras europeias. O relatório também inclui algumas informações detalhadas sobre as instituições financeiras europeias e esclarece a profundidade dos problemas na Europa, nos EUA e na China.

Um porta-voz do Goldman Sachs disse: “Para o seu conhecimento, as instituições financeiras publicam relatórios sugerindo estratégias para atender às necessidades dos clientes. Se os clientes quiserem fazer hedge de exposições existentes ou assumir posições de compra ou de venda, nosso objetivo é ajudá-los a superar os desafios apresentados pelo mercado.” Por meio do porta-voz, Brazil, que tem 57 anos, não quis comentar.

O relatório é divulgado num momento em que o Goldman e seus principais concorrentes disputam negócios nas áreas de consultoria e de banco de investimento na Europa. Na quarta-feira, o Goldman Sachs e outros dois grandes bancos realizaram uma conferência em Londres na qual o secretário de Economia da Espanha, José Manuel Campa, planejava detalhar as medidas de austeridade fiscal do governo espanhol e apresentar o modelo do país para os investidores, segundo um convite ao qual o “Wall Street Journal” teve acesso. O Goldman tem posição de liderança entre os bancos nas operações de vendas de títulos de dívida soberana da Espanha.

As firmas de Wall Street já tentaram vender sugestões de investimento para fundos de hegde que seriam recompensadas em tempos de crise no passado. Antes da crise financeira de 2008, o Goldman e outros grandes bancos de Wall Street aconselharam seus clientes com apostas na desvalorização do mercado imobiliário envolvendo swaps de crédito – os chamados CDS, semelhantes a contratos de seguro cujo preço sobe quando cai o valor dos ativos em que eles se baseiam – criados pela instituição. O Goldman às vezes foi a parte que apostava na queda, mesmo quando estava vendendo para clientes posições de aposta na alta.

As ideias de negociação do relatório publicadas pelo estrategista Alan Brazil, no entanto, são diferentes dos produtos atrelados às hipotecas vendidos pelo Goldman, porque esses últimos envolvem produtos financeiros que já existem, como opções e índices. Como um “formador de mercado” nos produtos listados no relatório do estrategista, o Goldman está oferecendo unir as alternativas de investimento descritas pelo banco. Quando o Goldman conduz esse tipo de operação, o banco embolsa comissões mais altas do que as operações com ações, que rendem apenas alguns centavos por ação. As posições de investimento do Goldman poderiam, talvez, se beneficiar caso os fundos de hedge e outros clientes façam apostas baseadas no relatório. O Goldman diz em negrito no começo do relatório que outros operadores do banco, ou “empregados do Goldman” podem já ter feito investimentos com base no relatório.

Claro que o estrategista do Goldman não está sozinho em sua visão sombria sobre a Europa: as apostas pessimistas para o mercado europeu predominam em Wall Street. Brazil também não está ligado aos instrumentos financeiros mencionados no relatório. Por exemplo, a unidade de Pesquisa e Estratégia em Commodities e Economia Global do Goldman divulgou um relatório sobre câmbio em julho que menciona as perspectivas de apostas numa queda do euro em relação ao dólar e ao franco suíço. Outros bancos de investimento têm estrategistas que fornecem dicas de investimento para fundos de hedge.

O relatório, divulgado pelo grupo de Estratégia de Fundos de Hedge da divisão de títulos, dá acesso às sugestões de investimento que serão criadas para os fundos de hedge por estrategistas como Brazil, que fazem parte da mesa de operações do Goldman, e não da equipe de pesquisa.

Tais estrategistas sentam lado a lado com os operadores que executam as negociações para os clientes. Ao contrário de analistas das divisões de pesquisa das empresas – que supostamente devem ficar isolados das informações sobre as atividades dos clientes da firma – esses estrategistas das mesas de operação têm uma visão privilegiada do vaivém das apostas de investimento dos clientes.

Eles podem ver se existe um forte interesse entre os fundos de hedge em assumir posições com apostas de baixa para um determinado setor e observam os volumes de negociação secarem ou explodirem. O ponto de vista deles é alimentado mais por informações, frequentemente confidenciais, sobre os clientes do que por opiniões de analistas, fazendo com que suas sugestões sejam altamente valorizadas pelos operadores.

O próprio relatório observa que as informações ali contidas não são consideradas como pesquisa pelo Goldman. “Esse material não se trata de consultoria independente e não é um produto da [unidade] de Pesquisa de Investimento Global”, destaca. Gestores de fundos de hedge são aconselhados a não repassar os relatórios de Brazil, e cada página tem o nome do cliente de fundo de hedge. Não está claro se algum cliente fez aplicações baseadas nessas sugestões.

O relatório de Brazil traz uma linguagem e detalhes sobre os problemas do mercado que normalmente não aparecem em materiais de pesquisa para o público. Os fundos de hedge devem se preparar para tempos difíceis, ele sugere. “Lá vamos nós outra vez”, diz ele no relatório, em meio a vários gráficos mostrando estatísticas negativas semelhantes aos vistos em 2008. Brazil escreve: “Resolver um problema de dívida com mais dívida não resolveu o problema atual. Nos EUA, a alta da dívida do Tesouro financiou o consumo, mas não teve impacto sobre a criação de empregos. Os EUA podem continuar a depreciar a moeda de base mundial?”, pergunta.

Brazil dá detalhes sobre os financiamentos de 77 instituições financeiras da Europa, identificando alguns que são especialmente alavancados. Esses detalhes são valiosos para investidores que estão buscando aplicações com apostas em quedas por meio de swaps de crédito para bancos europeus.

Para os investidores que querem fazer uma aposta mais ampla contra as instituições financeiras europeias, Brazil sugere comprar um contrato de swap de crédito de cinco anos atrelado a um índice, que reflete a nota de crédito de várias empresas europeias. Cerca de 20% dos componentes do índice, o “iTraxx Europe series 9”, são bancos e seguradoras, diz Brazil.

Ele recomenda ainda uma opção de seis meses que permite apostar contra o euro em relação ao fraco suíço. O euro “pode se desvalorizar se pacotes de socorro financeiro adicionais ou medidas de estímulo forem aprovadas pelos governos europeus”, escreve. (Colaborou Sara Schaefer Muñoz.)

Fonte: Jornal Valor Econômico – 01/09/2011 – página C10

A mãe de todas as bolhas?

quinta-feira, novembro 26th, 2009

Ouro, petróleo, moedas de países emergentes, títulos da dívida iraquiana, apartamentos em Hong Kong — tudo se valoriza na euforia que toma conta do mercado financeiro mundial

Tiago Lethbridge e de Nova York, da EXAME

Nova York – No início da década, em meio à ressaca causada pela implosão do mercado acionário após o fim da euforia com a internet, um adesivo de carro tornou-se popular nos Estados Unidos — “Deus, dê-nos mais uma bolha”, era a prece de americanos que haviam perdido o dinheiro de suas aposentadorias em ações que acabaram virando pó.

Demorou alguns anos, mas, como hoje bem se sabe, as preces foram atendidas (a bolha seguinte se provou muito mais letal do que a anterior, mais uma prova de que é mesmo recomendável ter cuidado com aquilo que se deseja).

Após o pânico que devastou o mercado no ano passado, mesmo os mais otimistas viam pela frente anos de vacas magras para os investidores: a inevitável freada econômica jogaria o preço das ações para baixo, e quem quisesse uma nova bolha para compensar a pancada de 2008 teria de rezar dobrado e ter muita paciência. Mas não foi o que aconteceu.

Poucos meses depois da maior crise financeira das últimas décadas, o mercado financeiro mundial já vive um novo período de euforia. Moedas de países emergentes, apartamentos em Hong Kong, petróleo, ouro, ações na Índia, títulos da dívida iraquiana — está tudo se valorizando num ritmo de tirar o fôlego. A nova bolha já chegou?

Poucas perguntas são tão importantes para o futuro da economia mundial. Caso uma bolha esteja realmente em estágios avançados de inchaço, uma nova onda de pânico no mercado financeiro pode arrasar as esperanças de recuperação econômica. Nas últimas semanas, os alertas para os riscos de uma valorização irracional nas bolsas se multiplicaram.

O presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, e técnicos do Fundo Monetário Internacional alertaram para a possível formação de bolhas, especialmente na Ásia. Bill Gross, fundador da Pimco, um dos maiores fundos de investimento do mundo, fez o mesmo.

E, claro, ninguém resumiu melhor esse temor do que Nouriel Roubini, o economista-celebridade, eterno pessimista de plantão, que ganhou status de oráculo ao prever o estouro da bolha anterior.

Para ele, a taxa de juro americana, próxima de zero, está dando origem ao chamado “carry-trade”, fenômeno em que os investidores tomam emprestado em países com juros baixos e aplicam em outros lugares na busca de retornos maiores. Segundo Roubini, é isso que está acontecendo com o dólar. Assim, enquanto a moeda americana perde valor (está em seu nível mais baixo em 15 meses), os outros ativos atingem níveis pouco ligados à realidade.

Roubini apelidou o fenômeno de “mãe de todas as bolhas de ativos”. Qualquer solavanco na economia mundial, continua ele, causará uma reversão desse fenômeno, uma súbita valorização do dólar e mais pânico.

Para os pessimistas, a exuberância dos mercados emergentes em 2009 é a principal evidência da suposta irracionalidade do momento atual. A magnitude da recuperação das bolsas desses países realmente impressiona. Segundo a agência de notícias Bloomberg, todas as dez bolsas líderes em valorização no ano são de mercados emergentes. Na Rússia, a alta foi de 134%.

No Brasil, o índice Bovespa subiu 138% em dólares. Enquanto o SP 500, índice que reúne as ações das maiores empresas americanas, subiu 27% no ano, o índice MSCI, que reúne os principais mercados emergentes, subiu 65%. Essa valorização é impulsionada por um fluxo de dólares de tirar o fôlego.

As bolsas de países emergentes receberam 63 bilhões de dólares no ano, quebrando o recorde de 52,7 bilhões de 2007. No Bric (Brasil, Rússia, Índia e China), o volume é 50% maior do que o recorde anterior. Outra consequência da enxurrada de dólares é a brutal valorização das moedas desses países.

O real é o primeiro da lista: ganhou 26% em relação ao dólar até novembro. Para evitar uma valorização ainda maior, o governo brasileiro vem tentando segurar a onda de dólares com as mãos — mas a criação de uma taxa de 2% para investimentos estrangeiros, em outubro, não conseguiu reverter o fenômeno.

Para o Bank of America Merrill Lynch, o preço justo do dólar é 1,60 real, com ou sem imposto. Outros países decidiram seguir o exemplo brasileiro, numa desesperada tentativa de segurar o câmbio e manter a competitividade de suas exportações. Taiwan foi o primeiro. A Indonésia pode ser o segundo.

Entre os emergentes, nenhum país concentra tantos temores de exuberância irracional quanto a China. Primeiro, porque o país se tornou a locomotiva do crescimento mundial nos últimos dois anos. Uma escorregada chinesa, portanto, causaria convulsões no mundo inteiro.

Segundo, porque a China tem todos os pré-requisitos para o nascimento de uma bolha, a começar pelo principal — crédito farto. Para estimular a economia, o governo criou no ano passado um programa de estímulo orçado em quase 600 bilhões de dólares. Foi um sucesso.

A economia chinesa cresceu 9% no terceiro trimestre, um desempenho espantoso num período de letargia no resto do mundo. Esse desempenho se deve a uma injeção de crédito na veia: o volume de empréstimos cresceu 34% de um ano para cá. Diante disso, começaram a surgir temores de que as coisas estão, na verdade, quentes demais.

O economista Paul Krugman, ganhador do Nobel de Economia do ano passado, afirmou recentemente que o excesso de crédito na economia chinesa está inflando não uma, mas diversas bolhas. Dois mercados são os principais focos de preocupação — a bolsa e o mercado imobiliário.

Segundo um estudo do governo, cerca de 20% do dinheiro do programa de estímulo foi parar diretamente no mercado acionário, criando uma alta de quase 80% no ano. Já o volume de casas vendidas cresceu 85% no país em 2009, e o preço subiu 30% em Xangai, centro financeiro do país.

Em Hong Kong, o apartamento mais caro da história do país foi vendido por 57 milhões de dólares. Hoje, o preço médio das casas chinesas é equivalente a nove vezes a renda das famílias. No resto do mundo, um múltiplo de quatro vezes já seria suficiente para acender o sinal amarelo.

Apesar dos inegáveis sinais de euforia, ainda é muito cedo para afirmar que existe uma bolha, seja na China, seja em outros mercados emergentes. É preciso, antes de qualquer coisa, colocar a recente valorização em seu devido contexto.

A alta das bolsas nos últimos meses foi precedida por quedas ainda maiores no fim de 2008, quando reinava a sensação de que o mundo caminharia para a nova Grande Depressão. A partir de março, quando ficou claro que os bancos americanos voltavam a ganhar dinheiro, os investidores começaram a tirar o dinheiro de debaixo de seus colchões.

A valorização generalizada dos últimos meses, portanto, não tem nada de irracional — é racional mesmo. A cotação do petróleo, que chegou aos 78 dólares após subir mais de 70% no ano, ainda está longe dos quase 150 dólares do ano passado.

No caso das ações, a melhor forma de definir se um mercado está ou não hiperaquecido é observar a relação entre o preço das ações e o lucro das empresas. Quanto mais eufórico o investidor, maior é esse múltiplo.

Segundo cálculos do banco de investimento Morgan Stanley, o atual múltiplo dos mercados emergentes é de 12,9 vezes o lucro previsto para o ano que vem, exatamente a mesma média dos últimos 16 anos. Com base nessa metodologia, conclui-se que os mercados emergentes não estão caros — embora também não estejam baratos.

Uma análise mais detalhada coloca a suposta bolha chinesa em xeque. Os atuais múltiplos da bolsa de Xangai são, realmente, colossais na comparação com os outros países: 24 vezes. Parece muito, mas é pouco se for comparado com a história da própria China. Há dois anos, as ações eram negociadas a um múltiplo de 70 vezes, e a média histórica é de 37 vezes.

Finalmente, o mercado imobiliário também não está tão aquecido quanto parece. Apesar da valorização dos últimos trimestres, o índice nacional de preços de casas subiu apenas 2% de um ano para cá, desempenho muito inferior ao ritmo de pelo menos 6% ao ano de 2004 a 2007. Mais uma vez, o que explica a subida atual é a descida em razão da crise do ano passado.

“A bolsa e o mercado imobiliário estão se valorizando muito rápido, mas ainda não chegaram ao nível de um ano atrás”, diz Andy Rothman, especialista em mercado chinês da corretora CLSA.

Mesmo que a bolha assassina descrita por Roubini e seus seguidores ainda não exista, o risco de que algo parecido com ela ganhe forma nos próximos meses é considerável. Afinal de contas, a política monetária nos países ricos continuará frouxa a perder de vista.

O presidente do Fed, Ben Bernanke, já avisou que as taxas de juro nos Estados Unidos continuarão próximas de zero por um longo período. Com a economia americana capengando e o nível de desemprego superando os 10%, essa não é mesmo a melhor hora de mexer nos juros.

E as pífias taxas de retorno no maior mercado do mundo serão um poderoso incentivo à busca de alternativas de investimento em outros mercados. Segundo o Instituto de Finanças Internacionais, o fluxo de dólares para mercados emergentes deve passar de 348 para 671 bilhões de dólares em 2010.

“Os países emergentes estão liderando a retomada da economia mundial”, diz Philip Suttle, economista-chefe do instituto. “O capital, que busca crescimento, está indo para onde tem de ir.” Finalmente, os emergentes devem começar a subir seus juros antes dos países ricos, já que a retomada econômica está vindo mais cedo. Isso os tornará ainda mais atraentes para investidores estrangeiros.

“O risco de distorções daqui para a frente é real”, diz Suttle. A história mostra que a reversão de períodos de euforia tende a ser traumática, e país nenhum quer ser protagonista de um espetáculo desses.

O governo chinês, por exemplo, já está diminuindo o nível de estímulo à economia — o crescimento do crédito deve baixar dos 34% atuais para 20% até o fim do ano. “Para evitar um possível superaquecimento, o governo deve permitir a valorização do yuan já no primeiro semestre de 2010”, diz Daniel Tenengauzer, chefe de pesquisa para mercados emergentes do Bank of America Merrill Lynch.

Para o banco central de países ricos, o surgimento de uma nova bolha mundial representa um dilema e tanto. Sob o comando de Alan Greenspan e Ben Bernanke, o Fed lavou as mãos para a bolha imobiliária americana — para eles, cabia ao mercado julgar se os preços estavam ou não corretos.

Não há, até agora, sinais de que o Fed esteja preocupado com o preço dos ativos. Pelo contrário. A queda do dólar e a valorização das bolsas parecem agradar a Bernanke. “Isso tudo ajuda a estimular a economia americana, que é sua grande preocupação”, diz o economista Alan Meltzer, o mais renomado estudioso do Fed. Mas o que ele fará caso os preços entrem numa trajetória irracional de alta?

Em novembro, Bernanke classificou esse dilema como o maior problema de política monetária desta década. A dúvida, sempre, é: como esvaziar uma bolha sem atrapalhar a recuperação da economia? “A situação da economia global ainda é muito frágil”, diz Brad DeLong, professor de economia da Universidade da Califórnia em Berkeley.

Apesar do crescimento de 3,5% do último trimestre, ainda sobram dúvidas sobre a forma com que a economia americana reagirá ao fim dos programas de estímulo governamentais. O trauma causado pela queda do castelo de cartas do mercado imobiliário fez com que as bolhas entrassem no centro das preocupações do Fed.

Mas tudo indica que Bernanke não vai começar a se preocupar com o surgimento de uma nova bolha até que a economia americana se recupere do estrago causado pela velha.

Fonte: Portal Exame

http://exame.abril.com.br/revista-exame/edicoes/0957/noticias/mae-todas-bolhas-514423