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China tornou-se a maior potência comercial do mundo em 2012

sábado, fevereiro 9th, 2013

A China tornou-se a maior potência comercial do mundo em 2012, medido pela soma de exportações e importações de mercadorias, a potência asiática pela primeira vez superou os Estados Unidos, segundo os mais recentes dados oficiais dos dois países.

O Departamento de Comércio norte-americano revelou na sexta-feira (08/02/2013) que a balança comercial do país, a soma de importações e exportações, totalizou 3,82 trilhões de dólares (2,86 trilhões de euros), poucas semanas depois de as alfândegas chinesas terem anunciado uma subida da sua balança para 3,87 trilhões de dólares (2,9 trilhões de euros).

Enquanto a balança comercial chinesa é excedentária em 231,1 bilhões de dólares, a norte-americana é deficitária em 727,9 bilhões de dólares.

A China era o maior exportador mundial desde 2009, com os Estados Unidos a reterem o “título” de maior mercado importador.

Ainda assim, a economia norte-americana continua a ter uma dimensão muito superior à chinesa, mais do dobro (15 trilhões de dólares face a 7,3 trilhões). O crescimento econômico chinês tem sido mais forte, atingindo uma média de 9,9% entre 1978 e 2012.


Os pessimistas contra o dragão chinês

quarta-feira, fevereiro 8th, 2012

A China vem carregando a economia mundial nas costas — mas há gente apostando que tudo vai dar errado

Mariana Segala, da EXAME

Imagine China/Latinstock

Construção na China: Dubai multiplicada por mil?

São Paulo – O investidor americano Jim Chanos é um especialista na arte de encontrar problemas onde reina o oba-oba. Gestor de um fundo de 6,5 bilhões de dólares, Chanos é o mais famoso “urso” do mercado americano — apelido dado aos investidores que apostam contra empresas que julgam problemáticas.

Sua fama foi catapultada em 2001, quando apostou pesado na queda das ações da companhia de energia Enron. Muito antes da divulgação de que os balanços da empresa eram tão verdadeiros quanto uma nota de 3 dólares, Chanos fez as contas e viu que nada, ali, parava em pé. À época, as ações valiam 90 dólares.

O resultado da história é conhecido: a cúpula da Enron foi parar na prisão, as ações caí­ram para 1 dólar e Chanos ficou ainda mais rico do que já era. Se encontrar problemas em companhias é sua especialidade, de uns tempos para cá ele decidiu inovar.

Uma década depois de faturar com o ocaso da Enron, ele aposta, agora, contra um país inteiro: a China, que, com seu incrível crescimento econômico, vem ajudando a impulsionar ações de empresas do mundo inteiro, sobretudo no Brasil.

Areia movediça

Como sempre acontece com investidores do contra, Chanos não economiza adjetivos e advérbios ao descrever o que identifica como indícios de que a China é um castelo de cartas prestes a desmoronar. Para ele, o país que vem carregando a economia mundial nas costas não passa de uma “Dubai multiplicada por mil”. Seu alvo principal é o sistema bancário chinês.

“Ele está construído em areia movediça. Os bancos deviam agradecer à Itália e à Grécia por tirar a atenção de cima deles”, disse recentemente. Uma de suas apostas são as ações do Agricultural Bank of China, um dos maiores do país.

Segundo Chanos, a instituição mantém no balanço papéis podres remanescentes de crises bancárias ocorridas desde o fim da década de 90 que somam o equivalente a 120% de seu valor contábil. Sua estratégia tem sido encorajada pelo desempenho da bolsa chinesa.

Em 12 meses, enquanto o principal índice de ações do mercado americano subiu minguados 2%, o da bolsa de Xangai caiu 13%, e o índice de instituições financeiras chinesas do país, 14%. Mesmo com o espantoso crescimento econômico dos últimos anos, portanto, a bolsa chinesa está longe de ser um bom lugar para investir.

Quando apostam contra uma determinada empresa, os ursos — como os pessimistas são conhecidos — têm uma estratégia básica. Primeiro, alugam ações dessa empresa, para depois vendê-las e, se tudo der certo, recomprá-las a um preço mais baixo.

Quando os ursos apostam contra o dragão, no entanto, essa estratégia é impraticável, já que as bolsas chinesas impedem as vendas a descoberto de ações (a exceção é a bolsa de Hong Kong). A solução é encontrar empresas estrangeiras que se beneficiam do fenômeno chinês e apostar contra elas.

Chanos, por exemplo, escolheu a brasileira Vale como um de seus alvos preferenciais. Nos últimos dez anos, as ações da empresa valorizaram 1 195% em razão da demanda chinesa por minério de ferro.

Pouso suave ou colapso?

Outros gestores buscaram formas menos usuais de apostar contra a China. Um deles é o investidor britânico Hugh­ Hendry — que, com seu jeito fanfarrão, gosta de entrar em guerras verbais contra gente como o Nobel Joseph Stiglitz (num debate na TV sobre a crise grega, Hendry perguntou a Stiglitz: “Em que planeta você vive?”).

O britânico se tornou uma celebridade anti-China depois de uma viagem ao país em 2009, quando produziu e postou na internet um vídeo mambembe de 5 minutos. Nele, mostrava prédios e mais prédios desocupados nas cidades — um sinal, para os ursos, de que a China vive em estágio avançado a sua própria bolha imobiliária.

A fama de Hendry se consolidou em 2011, quando sua carteira dedicada à China, lançada em 2010, teve retorno de 46%. Nada mal para um ano em que 60% dos fundos de hedge ficaram no vermelho, segundo a consultoria Hedge Fund Intelligence. “O mundo faz um julgamento incorreto, associando o crescimento de PIB à criação de riqueza.

A China é imbatível para gerar PIB, mas em detrimento da criação de riqueza”, diz Hendry. Seu malabarismo envolveu montar uma carteira com seguros de proteção contra calote (credit-default swaps, ou CDS) de cerca de 20 empresas japonesas que exportam para a China. O custo do seguro, em 0,50% ao ano, estava baixo demais para companhias que sofreriam com a desaceleração chinesa, avaliou Hendry.

Apostas tão contundentes doem aos ouvidos de entusiastas da economia chinesa, como o veterano investidor Jim Rogers. Embora admita que o país sofrerá reveses no percurso, o ex-sócio do bilionário George Soros vê a China a caminho de se tornar a maior economia do mundo — portanto, um dos melhores lugares para investir.

No ano passado, em um almoço em Singapura, onde mora, Rogers fez um alerta ao colega Chanos, que visitava a Ásia. “Disse que, se ele realmente acredita que a China é Dubai vezes mil, como tem falado, ou não entendeu Dubai ou não entende a China”, disse Rogers a EXAME.

A frase de Chanos, sobre a bolha imobiliária do Emirado Árabe que desembocou em uma crise de dívida em 2009, virou seu bordão. E se os gestores estão fazendo dinheiro, diz Rogers, é pelas razões erradas. “Hendry só ganhou com os CDS do Japão porque lá houve um terremoto e um tsunami que afetaram o desempenho de todas as empresas, o que levou o preço do seguro às alturas.”

Não é difícil entender que previsões catastróficas sobre a China, como as de Chanos e de Hendry, sejam vistas com reserva. Gordon Chang, colunista da revista Forbes, é autor de um livro, publicado em 2001, no qual previa o colapso da economia e do sistema político do país em cinco a dez anos — coisa que, bem se sabe, não passou nem perto de acontecer.

Hoje ele está ainda mais pessimista, e, claro, totalmente desacreditado. À parte os exageros, o fato é que a desaceleração da economia chinesa se tornou o cenário-base para investidores do mundo inteiro — mesmo os líderes políticos do país consideram o ritmo dos últimos três anos insustentável.

Esse fenômeno será acompanhado com especial atenção pelos investidores brasileiros, dado que o vaivém da Bovespa, tão dependente das empresas de commodities, tornou-se umbilicalmente ligado ao desempenho da economia chinesa. Há sinais de que essa freada já começou.

Os preços dos imóveis na China, por exemplo, vêm declinando desde setembro, enquanto as vendas de terrenos nas 130 maiores cidades caíram 31% no ano passado. O que ninguém sabe é se essa desaceleração seguirá do jeitão atual (ou seja, suave) ou descambará para um pouso forçado cheio de mortos e feridos.

Para os brasileiros, o melhor é torcer para que tudo caminhe da forma mais tranquila possível. Quanto aos ursos, sabe-se muito bem qual é a torcida deles.

Fonte: Portal Exame

http://exame.abril.com.br/seu-dinheiro/acoes/noticias/as-acoes-que-mais-vao-pagar-dividendos-em-2012

Chineses vão ao exterior buscar produção barata

quinta-feira, novembro 10th, 2011

Por Rahul Jacob | Financial Times, em Dongguan

Frank Leung, dono da empresa de sapatos femininos New Wing Footwear, de Hong Kong, tem ido a lugares que nunca imaginara visitar. Ele foi a Dhaka (Bangladesh) e Adis Abeba (Etiópia) em busca de outras bases de produção além de sua fábrica em Dongguan, no sul da China. Mas, apesar de muito procurar, ficou decepcionado.

A pressão para transferir produção é clara. Os custos de mão de obra na China subiram entre 15% e 20%, anualmente, nos últimos dois anos, estreitando as margens e criando dificuldades para Guangdong, o centro da indústria de transformação chinesa.

Os custos mais elevados, junto com a alta do yuan, forçaram Leung a reduzir o número de funcionários em Dongguan, de 8.000 há três anos para os atuais 3.000.

Os salários em Bangladesh, diz ele, são de 20% a 30% inferiores aos da China. Além disso, as pessoas trabalham 48 horas por semana, mais do que a norma legal de 40 horas na China. O governo oferece isenção tributária por 10 anos.

Mas, em vez de ficar animado, Leung está abalado. “Eles têm congestionamentos de tráfego insanos e todo mundo usa gerador nas fábricas [porque o suprimento de energia elétrica é irregular]”, diz. “A logística torna muito difícil trabalhar de forma eficiente.”

Algumas semanas após ir a Dhaka, Leung voou para Adis Ababa. Os salários lá são ainda mais baixos que os de Bangladesh, mas ele não conseguiu encontrar indústrias fornecedoras, como fabricantes de solas de sapato e papelão.

“Na Etiópia, os congestionamentos são menores, mas eles estão no meio do nada”, diz. A pobreza opressiva na Índia desestimulou-o por completo, após uma visita a Chennai. Agora, Leung já não tem certeza se vai, afinal, levar sua produção para fora da China.

O clima para os industriais em Guangdong levou muitos a se deslocarem para países no sul e sudeste da Ásia. Na semana passada, a GaveKal Dragonomics, empresa de pesquisas, previu que o crescimento das exportações da China cairá para apenas 9% no próximo ano. Deduzido o aumento de preços que os fabricantes chineses repassaram aos compradores no Ocidente, neste ano os volumes de exportação aumentaram só 12% nos primeiros três trimestres.

Muitos donos de fábricas, como David Liu, cuja empresa produz bolsas, avaliaram a possibilidade de mudar para países como o Vietnã, mas optaram por permanecer em Dongguan porque as redes de fornecedores e a produtividade da mão de obra são melhores. Liu fez viagens a Hunan, na China central, para ver se uma fábrica lá seria viável. Mais uma vez, a distância dos fornecedoras liquidaram a ideia.

Ele então optou por tentar reter seus trabalhadores mais antigos e qualificados em Dongguan, dando, por exemplo, quartos particulares aos casais e instalando ar-condicionado. O usual é que os trabalhadores vivam em dormitórios com seis a oito pessoas.

Liu diz que suas margens de lucro caíram de 10% para 3%, mas ele repassou aumentos de preços de 8% ao ano a varejistas europeus, onde suas elegantes bolsas são vendidas por € 300 a € 400.

Liu é a regra, não a exceção. O preço unitário das exportações chinesas para a UE subiu 10% entre janeiro e agosto. Essa alta foi ligeiramente superior à da Turquia, mas bem inferior à de México (17%) e Índia (23%), diz a GaveKal.

Apesar disso, a decisão de Pequim de dobrar os salários dos operários com aumentos do salário mínimo ano a ano durante os próximos anos incentivará as fábricas a emigrar da China.

Algumas empresas optaram por manter bases na China e expandir no exterior. A Texhong Textile abriu fábricas de fios para tecelagem no Vietnã em três etapas, entre 2007 e este ano, segundo Charles Hui, diretor financeiro da empresa, que tem ações negociadas em Hong Kong. Os salários no Vietnã equivalem a 1,2 mil yuans por mês, em comparação com 2 mil yuans na China. E as fábricas vietnamitas são mais automatizadas e exigem menos trabalhadores.

Hui diz que empresas de donos chineses relutam em se mudar porque “não estão familiarizadas com a gestão de trabalhadores que não têm a mesma cultura”.

A GaveKal descobriu que mesmo setores tão intensivos em emprego de mão de obra como o têxtil, de vestuário e de brinquedos, para os quais as manchetes sugerem que as fábricas estão fugindo para o Sudeste Asiático, os fabricantes chineses elevaram seus preços em 10% a 20%, neste ano, “sugerindo que eles ganharam algum poder de fixação de preços”.

Para Dong Tao, economista do Credit Suisse, o motivo é simples: “Nenhum país em desenvolvimento que pode igualar metade da eficiência que a China oferece.” A combinação de enorme contingente de mão de obra e maior produtividade, bem como portos e estradas melhores que em outros países, torna difícil encontrar uma alternativa.

Fonte: Jornal Valor Econômico – 10/11/2011 – página A12

Preço de casas deve cair 30% na China

quarta-feira, novembro 9th, 2011

Por Bloomberg

Os preços das moradias deverão cair até 30% na China no ano que vem, graças às restrições à habitação impostas pelo governo. A afirmação está em um relatório da Barclays Capital Research.

A correção ao setor imobiliário terá um impacto sobre o crescimento econômico do país, embora seja improvável que isso leve a um colapso financeiro, afirmam os economistas da Barclays Capital baseados em Hong Kong e liderados por Huang Yiping, no relatório divulgado ontem. Eles citam o baixo grau de alavancagem das famílias chinesas.

“Os preços deverão ter uma correção maior nas grandes cidades”, afirmam eles no estudo. “Mas também é importante lembrar que o propósito do governo não é provocar um crash no mercado imobiliário residencial, uma vez que isso teria consequências devastadoras para a economia.”

Os preços das moradias na China caíram pelo segundo mês seguido em outubro, segundo a SouFun Holdings. O primeiro-ministro Wen Jiabao disse no mês passado que o governo vai manter “firmemente” seu controle sobre o mercado imobiliário mesmo enquanto tenta fazer um “ajuste fino” em outras políticas econômicas.

O governo deverá fazer um “microajuste” ou mesmo reverter restrições de política se os preços das moradias caírem 20%, pois “não ficará sentado observando uma queda livre” dos preços, escreveram os economistas da Barclays Capital.

Uma queda de 10% a 30% nos preços dos imóveis eliminaria pelo menos de 0,5 a 1 ponto porcentual do crescimento do PIB no ano que vem.

Neste ano, a China aumentou as exigências de entrada e taxas de financiamento imobiliário sobre algumas moradias e impôs restrições à compra de casas em cerca de 40 cidades.

As perspectivas de crédito para os incorporadores imobiliários chineses ficarão “cada vez mais severas” em meio aos esforços do governo para conter a alta dos preços das moradias, informou a agência Standard & Poor’s (S&P) em um relatório divulgado em 27 de setembro.

As incorporadoras vão reduzir seus preços por estarem enfrentando uma grave crise de liquidez, na medida em que a fraqueza das vendas de imóveis persiste, diz a agência.

A Gemdale, quarta maior incorporadora imobiliária da China, disse ontem que as vendas fechadas caíram 29,4% em outubro. As vendas na China Vanke, a maior incorporadora do país, caíram 33%.

A Centaline Property Agency, a maior imobiliária do país, disse em 4 de novembro que vai fechar 60 escritórios e demitir cerca de mil funcionários na cidade de Shenzhen, no sul da China, por causa da queda nas vendas de imóveis.

Fonte: Jornal Valor Econômico – 09/11/2011 – página A11

Estudo já vê migração de emprego da China aos EUA

sexta-feira, outubro 7th, 2011

Indústria – Alta dos custos de produção chineses favoreceria “repatriação”

Por Peter Marsh | Financial Times, de Londres

Os crescentes custos trabalhistas chineses estão mudando a equação econômica da produção mundial e poderão contribuir para a criação de 3 milhões de novos empregos nos Estados Unidos até 2020, segundo um estudo divulgado ontem.

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A análise do Boston Consulting Group diz que os novos empregos serão gerados por uma “repatriação” da atividade manufatureira perdida para a China nos últimos dez anos. A “repatriação” faz parte da crescente tendência geral de reversão da produção, de volta para os EUA”, disse Hal Sirkin, sócio sênior da consultoria, ao Financial Times.

O Boston Consulting Group estima que a tendência poderá reduzir o déficit da balança comercial americana em relação ao resto do mundo – sem incluir a conta do petróleo – de US$ 360 bilhões em 2010 para cerca de US$ 260 bilhões até o fim desta década. A reversão também reduziria o crescente déficit americano em relação à China, que atingiu US$ 273 bilhões em 2010 e desencadeou uma intensa controvérsia política nos EUA sobre a política cambial chinesa.

“Enquanto os custos trabalhistas chineses estão crescendo, a competitividade dos EUA tem melhorado”, diz Xu Mei, que nasceu na China e é sócio na Chesapeake Bay Candle, que produz velas e outros “produtos aromáticos” domésticos. “Podemos investir em automação para produzir nossas velas numa fábrica perto de Baltimore por um custo similar, em vez de fazer o mesmo trabalho na China.”

A Chesapeake Bay Candle criou 50 postos de trabalho, e provavelmente criará outros 50 no ano que vem, depois que começou a investir em sua produção nos EUA. Metade da produção da empresa está agora baseada nos EUA. No ano passado, todos os seus produtos eram produzidos na China. Segundo Xu, sua empresa agora pode responder mais rapidamente aos pedidos atendendo às características especificadas pela clientela americana, eliminando esperas devidas a atrasos de transportes e burocracia alfandegária.

A pesquisa repercutirá na Casa Branca, onde o presidente Barack Obama propôs o reforço da atividade industrial como peça-chave de seu plano para a recuperação da economia americana.

John Heppner, executivo-chefe da divisão de segurança da Fortune Brands, uma empresa americana de bens de consumo, disse que a fábrica de cadeados da empresa, em Wisconsin, contratou 100 funcionários após “uma reavaliação para aferir se fazia sentido basear uma parte tão grande de nossa produção na China”.

Outros, no entanto, são céticos quanto a uma sustentabilidade do crescimento dessa “repatriação” (do emprego). Scott Paul, da Alliance for American Manufacturing, um grupo lobista, disse: “O que vai impedir que o atual ‘gotejamento’ de empregos extras se torne uma tendência substancial é o persistente esforço do governo chinês para encontrar maneiras de ajudar seus fabricantes nacionais”.

Fonte: Jornal Valor Econômico – 07/10/2011 – página A13

A queda do império americano da ciência

segunda-feira, fevereiro 21st, 2011

Os Estados Unidos deixarão de dominar a pesquisa científica no mundo já na próxima década, afirma estudo da Universidade Penn State

EXAME.com

Países como China e Índia terão importância crescente no cenário da pesquisa científica mundial

São Paulo — Uma mudança no cenário da pesquisa científica mundial irá reposicionar os Estados Unidos como um personagem importante, mas não mais como líder dominante. E essa mudança ocorrerá já na próxima década, afirma estudo feito na Universidade Penn State, nos Estados Unidos.

Por outro lado, a análise, apresentada no dia 18 na reunião anual da American Association for the Advancement of Science (AAAS), em Washington, aponta que o país poderá se beneficiar do novo panorama, caso adote políticas para compartilhar o conhecimento com a comunidade científica mundial. “O que está emergindo é um sistema científico mundial no qual os Estados Unidos serão um participante entre muitos outros”, disse Caroline Wagner, professora da Penn State e autora do estudo.

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Segundo ela, a entrada de mais países tem mudado o cenário da pesquisa mundial. De 1996 a 2008, a porcentagem de artigos científicos publicados pelos Estados Unidos em relação ao total mundial caiu 20%. Caroline atribui esse resultado não a uma queda nos esforços de pesquisa no país, mas ao crescimento observado em países como China e Índia.

A mudança principal está entre os chineses, que já ultrapassaram os norte-americanos na publicação de artigos em áreas como ciência natural e engenharia. Se as taxas de crescimento atuais forem mantidas, de acordo com a análise, a China publicará mais que os Estados Unidos em todas as áreas do conhecimento já em 2015.

De acordo com Caroline Wagner, embora a China ainda esteja atrás dos Estados Unidos na qualidade – medida por indicadores como fator de impacto e citações –, a diferença nesse ponto também está diminuindo. A China ainda deverá se tornar o primeiro país em número de cientistas. O estudo aponta que recomendações típicas para estimular a pesquisa, como aplicar mais dinheiro no setor, não serão suficientes para garantir a supremacia científica norte-americana.

No lugar da estratégia tradicional do baixo retorno sobre o investimento, Caroline recomenda que os Estados Unidos passem a adotar uma política mais eficiente de compartilhar o conhecimento ao atrair ao país especialistas que desenvolveram melhores capacidades do que seus colegas norte-americanos em determinadas áreas. Outros países também podem fazer o mesmo com relação aos pesquisadores norte-americanos.

A autora do estudo discute a possibilidade de uma comunidade global nos moldes da “universidade invisível”, termo que deriva do século 17 e que descreve as conexões entre cientistas de disciplinas e locais diversos para criar uma sociedade científica mundial.

Fonte: Portal Exame

http://exame.abril.com.br/tecnologia/ciencia/noticias/a-queda-do-imperio-americano-da-ciencia?page=1&slug_name=a-queda-do-imperio-americano-da-ciencia