4 tipos de aplicações que não dão trabalho

Investimentos simples de entender e operar para quem não tem tempo ou paciência de conhecer melhor o mercado

Julia Wiltgen, de Exame.com

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Aplicações sugeridas envolvem trabalho inicial, mas depois fica fácil lidar com elas

São Paulo – Montar uma carteira de investimentos diversificada e balanceada dá trabalho e exige empenho em acompanhar o noticiário econômico, informar-se sobre os produtos financeiros e conhecer as empresas negociadas em bolsa. Mas quem não tem tempo ou paciência de se aprofundar nessas questões não precisa simplesmente aceitar a primeira sugestão do gerente do banco. Existem aplicações muito simples de entender e operar, que requerem apenas um esforço inicial por parte do investidor.

Esse esforço consiste, é claro, em definir os objetivos dos investimentos, mas também em pesquisar uma instituição com taxas e produtos vantajosos e fazer os trâmites burocráticos para começar a operar. A partir daí, fica fácil acompanhar a evolução das aplicações, sem precisar de conhecimentos muito aprofundados sobre o mercado.

“No Brasil existe uma concentração dos investimentos nos grandes bancos. É conveniente para o investidor, mas os custos dos produtos bancários são muito elevados”, diz o planejador financeiro Fernando Meibak, que já atuou em bancos como UBS, Citigroup e HSBC.

A pessoa que quer investir sem ter muito trabalho deve priorizar liquidez e taxas baixas. Para os mais preguiçosos e que desejam poupar até 10.000 reais, a aplicação mais simples é realmente a caderneta de poupança, isenta de IR, com liquidez diária, rentabilidade suficiente para preservar o poder de compra e sem nenhum mistério para operar. Para valores a partir de 10.000 reais, o mercado reserva outras boas opções:

1. Tesouro Direto:

Os títulos públicos, no Brasil, combinam boa rentabilidade e liquidez com o baixo risco de serem garantidos pelo governo. O investidor pessoa física pode operá-los diretamente pela plataforma online Tesouro Direto, a taxas muito mais em conta do que as de qualquer fundo de renda fixa ou DI. Há títulos de prazos e perfis variados, adequados a diferentes objetivos. Mas, de acordo com Fernando Meibak, quem não tem tempo mesmo de acompanhar suas aplicações pode comprar um título de longo prazo indexado à Selic (as LFTs) ou ao IPCA (as NTN-Bs), cujos prazos podem chegar a até 30 anos. Nada mal para poupar para uma aposentadoria.

Dedicação inicial: o investidor precisa se cadastrar em um agente financeiro habilitado, que cobre taxas de administração em conta. Também precisa se informar sobre a característica de cada título (atualmente são negociados quatro tipos) e conhecer os riscos, que são baixos, mas existem. Veja como investir no Tesouro Direto.

2. ETFs:

No lado da renda variável, o equivalente “fácil e barato” seriam os ETFs, fundos que acompanham índices como o Ibovespa, o IBrX e o Índice Small Caps. Ao investir em um desses fundos, cujas cotas são negociadas em Bolsa como se fossem ações, é como se o investidor estivesse comprando toda a carteira que compõe aquele índice. As taxas de administração são bem baixas em relação aos fundos de investimento convencionais, não chegando a 1% ao ano.

“O bom dos ETFs é que eles não têm prazo, depois de entrar, você meio que pode esquecer, e sair quando quiser”, diz Meibak. O planejador financeiro acredita que 10% do patrimônio em renda variável já são suficientes, e que os ETFs mais indicados para o investidor menos ativo são os PIBBs, que acompanham o IBrX, e o BOVA11, que segue o Ibovespa.

Quem quiser um diferencial de rentabilidade pode destinar parte de suas aplicações em renda variável para o ETF SMALL11, que segue o índice Small Caps e acumula uma rentabilidade interessante desde sua criação. “Gosto muito de small caps. As empresas menores têm sofrido menos em tempos de crise, e muitas delas têm bom potencial de rentabilidade”, diz o Meibak.

Dedicação inicial: O investidor precisa abrir uma conta em uma corretora cadastrada na BM&FBovespa. Em muitas delas é possível operar tanto ETFs quanto Tesouro Direto. Atenção à taxa de corretagem – procure comparar o valor da cobrança em diferentes instituições.

3. Debêntures e CDBs:

Debêntures são menos acessíveis ao investidor pessoa física, mas podem trazer um diferencial de rentabilidade interessante para a carteira. É preciso, no entanto, ter mais cuidado, pois são mais arriscadas que os títulos públicos, uma vez que são títulos de dívida de empresas. O investimento inicial é geralmente alto, mas já existem papéis cujo valor unitário é de 1.000 reais.

Para tentar mitigar os riscos, o investidor deve procurar aplicar em papéis de empresas de grande porte, com classificação de risco mínima AA por um agente internacional. Mesmo essas costumam pagar ao investidor mais de 100% do CDI, o que é difícil de conseguir num CDB de banco grande, por exemplo.

Entre os CDBs, essa rentabilidade mais alta é encontrada nos papéis emitidos por bancos pequenos e médios. Para investir nesses papéis não é preciso ter conta no banco emissor, mas é bom não aplicar mais que 70.000 reais numa única instituição – esse é o valor máximo de garantia do investimento caso o banco não possa honrar seus compromissos.

Dedicação inicial: O investidor precisa abrir uma conta em um agente financeiro que disponibilize esse tipo de aplicação. As corretoras que possibilitam a compra e venda de títulos públicos muitas vezes também disponibilizam CDBs e debêntures emitidos por diversas instituições.

4. Fundos de investimentos:

Quem realmente não quer se dar ao trabalho de escolher ativos por conta própria – especialmente no caso das ações – pode delegar a tarefa a um gestor profissional, aplicando em um fundo de investimento em renda fixa ou variável. Meibak indica os fundos DI, que investem em títulos públicos atrelados à Selic, os de renda fixa ativa, que compram diferentes tipos de títulos públicos, e fundos de ações não setoriais.

A pessoa que optar por esse caminho deve priorizar dois pontos: liquidez diária – o ideal é que o fundo não tenha prazo de vencimento – e taxas baixas. E dificilmente os fundos mais em conta serão comercializados pelo banco onde você recebe o seu salário. Especialistas recomendam que um fundo de renda fixa não tenha taxa de administração acima de 1% ao ano, enquanto que fundos de ações podem ter essa taxa em torno de 2% ao ano. Fernando Meibak aconselha também a evitar fundos de ações que cobrem taxa de performance.

Dedicação inicial: Num primeiro momento, portanto, o investidor precisará pesquisar fundos em gestoras independentes e se preparar para abrir uma conta. Verificar se o fundo é registrado na CVM, bem como ler seu prospecto e checar o histórico de rentabilidade são tarefas básicas. Saiba como funcionam os fundos de investimento e navegue pelo Ranking de Fundos.

Fonte: Portal Exame

http://exame.abril.com.br/seu-dinheiro/renda-fixa/noticias/4-tipos-de-aplicacoes-que-nao-dao-trabalho

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