“O craque era o Silvio”, diz Palladino

Acusado de quatro crimes, Rafael Palladino se defende atacando

Thiago Bronzatto, da EXAME

Germano Lüders/EXAME.com

Rafael Palladino: cachaça, amendoim e maria-mole

São Paulo – Ex-personal trainer, formado em educação física e primo da mulher de Silvio Santos, Ra­fael Palladino, de 61 anos, é acusado de ser um dos líderes da organização criminosa que provocou um rombo de 4,3 bilhões de reais no PanAmericano.

Inquieto e com olheiras profundas, o ex-presidente do banco deu entrevista a EXAME no escritório de sua advogada, em São Paulo. Leia os principais trechos da entrevista que faz parte de uma matéria exclusiva da revista que já está disponível nas bancas.

EXAME – Silvio Santos disse em depoimento à PF que o senhor é o craque da fraude, que não é possível que o senhor não seja o autor…

Ra­fael Palladino – O craque era ele. Eu sou empregado dele. Quem dera eu fosse craque como ele. Eu poderia fazer ilações, mas não vou fazer.

EXAME – O senhor disse que Wilson de Aro, o seu braço direito no banco, teria assumido a responsabilidade pelas inconsistências contábeis porque ele não queria que o PanAmericano quebrasse. Então, ele o pegou de surpresa com a história da fraude? 

Ra­fael Palladino – O Wilson era o cara de confiança do grupo. Ele comandava comitês financeiros do grupo inteiro. Ele me contou o que eles haviam feito e que, se não tivessem feito isso, o banco quebraria. Eu fui pego de surpresa, sim. A Deloitte fazia relatórios trimestrais.

O comitê de auditoria fazia relatórios mensais. A KPMG ficou um ano lá fazendo auditoria para a Caixa. Na minha posição, eu jamais teria conhecimento da fraude. Só se eu fosse o contador.

EXAME – E como se explica o CDB do investidor mineiro que rendeu 697% em menos de um ano? Foi milagre?

Ra­fael Palladino – Todo mundo diz que ganhei com essa história. Sim, ganhei. Sabe o que ganhei? Uma cesta de produtos de Minas: cachaça, amendoim e maria-mole.

Eu nem conhecia o cara. O que aconteceu: na crise do banco Santos, o cara comprou um CDB de dez anos. Obviamente, a taxa estava alta. No ano seguinte, renegociamos para 21%.

EXAME – Mas não chamou a sua atenção o retorno desse CDB?

Ra­fael Palladino – Passou despercebido por todo mundo. Não teve rolo nenhum. Ninguém ganhou nada. Eu só ganhei a cesta. E depois desmanchamos o negócio.

EXAME – O senhor é acusado pela PF de ter criado empresas-laranja para lavar dinheiro, de não declarar seu patrimônio no exterior à Receita Federal…

Ra­fael Palladino – Está tudo declarado. O dinheiro que eu mandei, mandei pelo Banco Central. E outra coisa: mandei à polícia um dossiê com a minha vida todinha, com tudo o que comprei e vendi. Não tem nada.

EXAME – Uma ex-funcionária disse à PF que os administradores do banco assinavam pagamentos para suas respectivas empresas sem aprovação da assembleia- geral, como determina o estatuto do Grupo SS. Era uma prática comum no banco?

Ra­fael Palladino – Não, todos os pagamentos eram aprovados pela holding. Tudo era pago pela holding. A gente só recebia salário e bônus como pessoa jurídica. Nunca se fez um pagamento sem que a holding tivesse aprovado antes.

EXAME – Em que vai se basear sua defesa?

Ra­fael Palladino – Eu não sabia de nada.

Fonte: Portal Exame

http://exame.abril.com.br/revista-exame/edicoes/1004/noticias/o-craque-era-o-silvio-diz-palladino

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