Archive for the ‘Fraudes e Manipulação do Mercado’ Category

Japão reavalia regras para conselho de empresas após Olympus

sábado, novembro 26th, 2011

Governo irá propor obrigatoriedade de indicação de conselheiros independentes nas grandes empresas

Reuters

Yoshikazu Tsuno/AFP

O presidente da Olympus Shuichi Takayama se inclina, em sinal de desculpas, durante entrevista à imprensa, em Tóquio, após revelações de fraudes contábeis

Tóquio – Um painel do governo japonês irá propor a obrigatoriedade de indicação de conselheiros independentes nas grandes empresas, na tentativa de evitar novos escândalos contábeis como o protagonizado pela fabricante de eletrônicos Olympus.

Mas as expectativas de mudanças significativas não são grandes, e especialistas afirmam que o processo de escolha de conselheiros independentes por empresas japonesas também precisaria de ajustes de regras.

O ex-presidente-executivo da Olympus, o britânico Michael Woodford, saiu de um encontro na sexta-feira convencido de que o conselho eventualmente renunciará.

Grandes acionistas estrangeiros têm pedido a volta de Woodford, dizendo que ele pode restaurar a confiança na fabricante de câmeras e endoscópios de 92 anos.

A Olympus demitiu Woodford, um raro presidente-executivo estrangeiro no Japão, alegando que ele falhou em se adaptar à cultura japonesa e ao estilo de gestão da companhia.

Woodford diz que foi demitido por ter questionado duvidosos pagamentos de fusões e aquisições.

Primeiro a Olympus negou qualquer má conduta, mas depois disse que tinha omitido perdas de investimentos dos acionistas por duas décadas e que usou cerca de 1,3 bilhão de dólares em pagamentos de fusões e aquisições para cobrir o rombo.

Um painel consultivo no Ministério da Justiça está trabalhando em um esboço há mais de um ano para revisar a lei corporativa do Japão, incluindo reformas de governança.

Com base no esboço, a ser submetido no mês que vem, o partido governista vai propor a revisão da lei no ano que vem, reportou no sábado o jornal Asahi, sem citar fontes.

Os conselheiros independentes não são empregados ou acionistas da companhia e são vistos como relativamente livres de conflito de interesse que possa afetar a relação com a companhia.

Fonte: Portal Exame

http://exame.abril.com.br/negocios/empresas/noticias/japao-reavalia-regras-para-conselho-de-empresas-apos-olympus

Escândalo Olympus projeta sombra nas empresas japonesas

sexta-feira, novembro 11th, 2011

Analistas acreditam que empresa pode perder clientes devido à fraude

Patrice Novotny, da AFP

Yoshikazu Tsuno/AFP

O presidente da Olympus Shuichi Takayama se inclina, em sinal de desculpas, durante entrevista à imprensa, em Tóquio

Tóquio – As revelações sobre faltas na administração financeira da fabricante japonesa de câmeras fotográficas Olympus prejudicam não apenas a imagem da empresa, mas podem enlamear a reputação de outras firmas japonesas, aos olhos dos investidores estrangeiros.

A Olympus admitiu ter maquiado suas contas para ocultar prejuízos colossais em investimentos financeiros de risco nos anos 90, agravando o escândalo que mancha a imagem da empresa e derruba suas ações na Bolsa. O dinheiro oficialmente declarado para aquisições, serviu, na realidade, para diminuir o passivo de suas contas.

“O escândalo poderá prejudicar as vendas de câmeras fotográficas”, considerou Nanako Imazu, da empresa de corretagem CLSA.

Os hospitais aos quais o grupo fornece endoscópios, uma de suas especialidades, “podem hesitar em voltar a fazer negócios com uma empresa tão mal administrada”, acrescentou.

Com investigações no Japão, Reino Unido e nos Estados Unidos, a Olympus está com sua cotação ameaçada de cancelamento na Bolsa de Tóquio, ao mesmo tempo em que o valor de sua ação perdeu 80% desde 14 de outubro, quando o escândalo chegou à tona.

O professor de economia Yasuyoshi Masuda confessa ter ficado “surpreso com a amplidão” da fraude, com duas décadas de operações complexas avaliadas em um bilhão de euros, segundo a empresa nipônica.

Segundo ele, algumas empresas japonesas, que realizaram investimentos duvidosos nos anos 80 e tiveram prejuízos mais tarde, conseguiram, no conjunto, “sanear seus métodos de gestão, de acordo com as regulações mais estritas editadas após o ano 2000”.

Antes, uma empresa poderia manter em sua contabilidade o mesmo valor de compra de um ativo financeiro, mesmo se seu preço tivesse caído muito com o tempo. Agora, são obrigadas a atualizar regularmente os preços de seus bens.

No entanto, as empresas nipônicas conservam “uma cultura de segredo e de falta de transparência para os olhos ocidentais”, considera James Lawden, presidente do comitê de assuntos jurídicos da Câmara de Comércio europeu do Japão (ECB).

“Somem a isto o culto à harmonia que dissuade qualquer tumulto e a lealdade dos empregados japoneses a sua empresa, obtendo-se um coquetel que favorece o caso Olympus”, prosseguiu.

Para melhorar a governança das empresas nipônicas, Lawden sugeriu reforçar a independência dos encarregados da contabilidade nos conselhos de administração.

Nesta sexta-feira, o governo mostrou-se publicamente comovido com a situação negativa dos negócios nipônicos.

“É triste ver investidores, tanto no Japão, como no exterior, questionar a equidade e a transparência do mercado japonês”, lamentou o ministro delegado dos Serviços Financeiros, Shozaburo Jimi.

Muitos investidores estrangeiros alarmados retiraram aplicações feitas em algumas empresas nipônicas, temendo que o caso Olympus seja, apenas, a ponta de um iceberg.

Fonte: Portal Exame

http://exame.abril.com.br/negocios/empresas/noticias/escandalo-olympus-projeta-sombra-nas-empresas-japonesas–3

“O craque era o Silvio”, diz Palladino

quinta-feira, novembro 10th, 2011

Acusado de quatro crimes, Rafael Palladino se defende atacando

Thiago Bronzatto, da EXAME

Germano Lüders/EXAME.com

Rafael Palladino: cachaça, amendoim e maria-mole

São Paulo – Ex-personal trainer, formado em educação física e primo da mulher de Silvio Santos, Ra­fael Palladino, de 61 anos, é acusado de ser um dos líderes da organização criminosa que provocou um rombo de 4,3 bilhões de reais no PanAmericano.

Inquieto e com olheiras profundas, o ex-presidente do banco deu entrevista a EXAME no escritório de sua advogada, em São Paulo. Leia os principais trechos da entrevista que faz parte de uma matéria exclusiva da revista que já está disponível nas bancas.

EXAME – Silvio Santos disse em depoimento à PF que o senhor é o craque da fraude, que não é possível que o senhor não seja o autor…

Ra­fael Palladino – O craque era ele. Eu sou empregado dele. Quem dera eu fosse craque como ele. Eu poderia fazer ilações, mas não vou fazer.

EXAME – O senhor disse que Wilson de Aro, o seu braço direito no banco, teria assumido a responsabilidade pelas inconsistências contábeis porque ele não queria que o PanAmericano quebrasse. Então, ele o pegou de surpresa com a história da fraude? 

Ra­fael Palladino – O Wilson era o cara de confiança do grupo. Ele comandava comitês financeiros do grupo inteiro. Ele me contou o que eles haviam feito e que, se não tivessem feito isso, o banco quebraria. Eu fui pego de surpresa, sim. A Deloitte fazia relatórios trimestrais.

O comitê de auditoria fazia relatórios mensais. A KPMG ficou um ano lá fazendo auditoria para a Caixa. Na minha posição, eu jamais teria conhecimento da fraude. Só se eu fosse o contador.

EXAME – E como se explica o CDB do investidor mineiro que rendeu 697% em menos de um ano? Foi milagre?

Ra­fael Palladino – Todo mundo diz que ganhei com essa história. Sim, ganhei. Sabe o que ganhei? Uma cesta de produtos de Minas: cachaça, amendoim e maria-mole.

Eu nem conhecia o cara. O que aconteceu: na crise do banco Santos, o cara comprou um CDB de dez anos. Obviamente, a taxa estava alta. No ano seguinte, renegociamos para 21%.

EXAME – Mas não chamou a sua atenção o retorno desse CDB?

Ra­fael Palladino – Passou despercebido por todo mundo. Não teve rolo nenhum. Ninguém ganhou nada. Eu só ganhei a cesta. E depois desmanchamos o negócio.

EXAME – O senhor é acusado pela PF de ter criado empresas-laranja para lavar dinheiro, de não declarar seu patrimônio no exterior à Receita Federal…

Ra­fael Palladino – Está tudo declarado. O dinheiro que eu mandei, mandei pelo Banco Central. E outra coisa: mandei à polícia um dossiê com a minha vida todinha, com tudo o que comprei e vendi. Não tem nada.

EXAME – Uma ex-funcionária disse à PF que os administradores do banco assinavam pagamentos para suas respectivas empresas sem aprovação da assembleia- geral, como determina o estatuto do Grupo SS. Era uma prática comum no banco?

Ra­fael Palladino – Não, todos os pagamentos eram aprovados pela holding. Tudo era pago pela holding. A gente só recebia salário e bônus como pessoa jurídica. Nunca se fez um pagamento sem que a holding tivesse aprovado antes.

EXAME – Em que vai se basear sua defesa?

Ra­fael Palladino – Eu não sabia de nada.

Fonte: Portal Exame

http://exame.abril.com.br/revista-exame/edicoes/1004/noticias/o-craque-era-o-silvio-diz-palladino

Dez anos depois, Enron ainda é ferida aberta

terça-feira, outubro 18th, 2011

Executivos, auditores e reguladores parecem ter ignorado as lições da quebra da empresa em 2001. Por Andrew Hill | Financial Times

Sede da Enron, em Houston: caso virou sinônimo de descontrole empresarial

Sob a superfície dos atuais protestos anticapitalistas – de Wall Street à City londrina -, há uma ferida que, mesmo dez anos depois, ainda não cicatrizou. Em 16 de outubro de 2001, ao anunciar seus resultados financeiros, pela primeira vez a Enron alertou o mundo sobre a toxicidade de seus esquemas de lançamentos contábeis fora do balanço. O comunicado desencadeou uma espiral fatal. Em 2 de dezembro, a Enron estava falida. Um ano depois, a Arthur Andersen, a auditoria externa, havia se desintegrado.

O caso Enron foi transformado em livros, filmes, peça de teatro e em sinônimo de descontrole empresarial, descumprimento fiduciário e fraudes. Mas as verdadeiras lições não foram ouvidas.

Em vez disso, muitos leram os sermões – sobre a importância da ética, da governança e da transparência, do perigo de complexidades, da visão de curto prazo e unilateral sobre os incentivos – da mesma forma que tinham lido “Liar’s Poker”, de Michael Lewis, sobre o escândalo no Salomon Brothers em meados dos anos 1980: não como uma advertência, mas, nas palavras do autor, “como um manual de usuário”.

Há muitas coisas que o mundo deveria ter aprendido com a Enron. Uma delas é que a cultura ruim começa no topo.

Como líderes da companhia, Ken Lay e Jeff Skilling assumiram o crédito pelo crescimento da Enron, mas foi deles a responsabilidade por permitir que um emaranhado de conflitos de interesse e escândalos a derrubassem. As empresas que faliram durante a crise financeira atual – AIG, Bear Stearns, Lehman Brothers, entre outras – foram ao colapso em grande parte devido ao senso de arrogância de seus líderes quanto a sua própria invulnerabilidade.

Outra lição que deveria ter sido aprendida é que os desfechos infelizes muitas vezes resultam de muitos pequenos passos, e não de saltos individuais imprudentes.

A absurda decisão do conselho de administração da Enron de renunciar a seu código de conduta e permitir que seu diretor financeiro atuasse como sócio de um “veículo” não incluído em suas demonstrações financeiras foi o ápice de uma série de decisões menores. Os conselheiros foram levados, passo a passo, ao desastre.

Um outro ponto que o mundo deveria ter aprendido é que conflitos de interesse e incentivos monetários concedidos irrefletidamente induzem comportamentos inadequados.

Sherron Watkins, o funcionário delator na Enron, disse-me na semana passada: “Estou falando sobre isso há dez anos e cheguei à triste conclusão de que, quando um monte de dinheiro está sendo despejado em cima de sua cabeça, isso realmente tolda seu discernimento”.

As consequências da “panelinha” formada pelos conselheiros da Enron (lubrificada por pagamentos por consultoria ou doações a instituições de caridade favoritas de alguns dos conselheiros) foram agravadas por conflitos na Andersen, que faturou mais por serviços de consultoria prestados à Enron do que por auditar sua contabilidade.

Apesar disso, os conselhos das empresas americanas continuam sendo bastiões de resistência aos freios e contrapesos da democracia dos acionistas. As agências reguladoras europeias só recentemente retomaram a luta contra as firmas de auditoria e consultoria no que diz respeito ao conflito de interesses entre os dois tipos de atividades.

Embora tenha diminuído o número de empresas que incluem opções de compra de ações diretamente em seus pacotes de remuneração, estruturas de remuneração inadequadas corromperam as decisões dos bancos no período imediatamente anterior à crise e fomentaram uma visão de curto prazo que ainda tolda grande parcela das tomadas de decisões empresariais.

Outra lição dos problemas da Enron é a que a complexidade obscurece as fragilidades. Os complicados derivativos e veículos externos aos balanços que minaram os bancos na crise financeira foram os herdeiros das sociedades de propósito específico exoticamente denominadas – Chewco, Jedi, os “Raptors” – que contribuíram para emaranhar os negócios legítimos da Enron.

Tendo construído essas estruturas, seus arquitetos, se é que ainda as compreendiam, naturalmente preferiram nebulosidade à transparência.

O mundo deveria ter aprendido ainda que a falta de confiança destrói a boa vontade. Fraude e formação de quadrilha foram as acusações que renderam tempo de cadeia para Lay, que morreu pouco depois da sentença, e para Skilling, que continua apelando. Mas o fim de jogo começou com o colapso da confiança nas operações de trading no cerne da Enron. Nas atuais palavras de um ex-funcionário da companhia: “Os fatos continuavam mostrando-se piores do que as revelações”. Isso soa estranhamente semelhante à crise de confiança que afligiu e, em alguns casos, continua afligindo os bancos.

Há algum consolo. A Lei Dodd-Frank aprovada na esteira da crise bancária foi mais sensata do que a reação instintiva embutida na lei Sarbanes-Oxley, aprovada após o caso Enron. Os conselhos de administração estão, de modo geral, mais receosos diante de manifestações de pensamento único.

Mas, como os sábios da Renascença que tinham um crânio em suas mesas para lembrá-los de sua mortalidade, executivos, conselheiros, auditores e reguladores deveriam manter à mão a mensagem aos acionistas de Lay e Skilling em 2000 (“A Enron [é] a empresa certa, com o modelo certo, na hora certa”).

Seis ou sete anos após a mais rápida queda em desgraça entre todas as empresas na lista Fortune 500, praticamente esquecemos os erros fatais que a causaram. Em vez disso, fomentamos um escândalo ainda maior, mais ganancioso e mais sistêmico. Essa cegueira deliberada faz com que me preocupe com quais catástrofes estamos cultivando para os anos à frente.

Fonte: Jornal Valor Econômico – 18/10/2011 – página D9

Como ser hacker

sábado, outubro 8th, 2011

Em um livro de memórias, um dos criminosos digitais mais famosos do mundo revela técnicas de invasão. Algumas das mais perigosas nada têm a ver com alta tecnologia

André Faust, da Exame

Divulgação

"Ghost in the Wires — My Adventures as the World’s Most Famous Hacker", de Kevin Mitnick

São Paulo – Quem, em sã consciência, ditaria em voz alta pelo telefone sua senha de e-mail a um estranho? Talvez pouca gente. Mas e se fosse um tipo de desconhecido especial?

Um desconhecido com autoridade (que se apresente como chefe de seu chefe) ou um estranho que inspirasse confiança (que saiba tudo sobre seu trabalho)? Em um cenário mais sedutor: imagine alguém que alegasse, entre outras coisas, que trabalha na mesma empresa que você. E que estivesse precisando, urgentemente, de uma pequena ajuda. Qual é mesmo sua senha?

Poucas invenções foram tão determinantes para a modernização de empresas quanto redes de telefone e de computadores. O tráfego virtual de informações e mensagens acelerou processos, encurtou caminhos, permitiu novas formas de trabalho em equipe. Os dados a circular por fios e cabos, claro, chamaram a atenção desde o início.

Em pouco tempo, proteger vulnerabilidades de redes e computadores que conversam entre si se tornou uma prioridade. Bilhões de dólares começaram a escorrer dos cofres de grandes companhias para a criação de firewalls, mecanismos de autenticação, códigos de acesso.

É inegável que a evolução dos sistemas trouxe mais segurança para relações entre máquinas em empresas. Mas nem de longe eles foram capazes de resolver todos os lados da questão. Um deles, em especial, diz respeito a um aspecto bastante humano do problema: o contato direto entre pessoas.

Talvez ninguém tenha explorado tão bem essas vulnerabilidades quanto o californiano Kevin Mitnick. Nos anos 90, quando questões de segurança ainda começavam a ganhar importância na agenda de executivos, Mitnick fez fama ao perpetrar invasões de algumas das maiores companhias do mundo — Sun Microsystems, NEC, Motorola e Nokia entre elas.

Suas façanhas eram de deixar qualquer um de cabelo em pé: cópia de informações estratégicas, roubo de senhas de administradores de redes, clonagem de números de telefones de empresas. Em um julgamento, um juiz chegou a dizer que Mitnick seria capaz de iniciar uma guerra nuclear com um “assovio ao telefone”.

Versões de suas peripécias foram contadas por veículos como The New York Times e a revista Time e viraram até tema de filme. Num tempo em que hackers fugiam de exposição na mídia, Mitnick se tornaria conhecido como o criminoso digital mais perigoso — e mais procurado — do mundo.

Anos depois de passar uma boa temporada na prisão, chega a vez de Mitnick contar sua própria história no recém-publicado Ghost in the Wires (“Fantasma na rede”, em tradução livre). Em boa medida, as memórias de Mitnick trazem detalhes sobre habilidades conhecidas de hackers comuns, como quilos de conhecimento técnico e uma memória fora do comum para senhas e códigos.

Mas o livro revela que é outro talento, que pouco tem a ver com o uso de computadores, o verdadeiro responsável pela maioria de seus feitos. Fosse simulando ser um agente de polícia, fosse imitando a postura de um funcionário de help desk de uma empresa, Mitnick descobriu que era possível persuadir qualquer pessoa a fornecer informações sigilosas.

Ao conjunto dessas habilidades, o autor dá o nome de engenharia social. “As pessoas, como descobri desde cedo, confiam demais”, escreve Mitnick.

Ao contar capítulos de sua história, o autor reacende uma antiga crítica a sistemas de segurança modernos. Por mais robustos ou sofisticados que ambientes virtuais possam ser, os responsáveis por operar as máquinas são quase sempre pessoas.

E pessoas, Mitnick soube desde cedo, são diferentes de computadores. Pessoas confiam, choram, ficam cansadas e, mais grave ainda, correm apressadas ao banheiro deixando à mostra senhas de acesso sobre mesas de trabalho.

Como no exemplo do desconhecido que pergunta uma senha de acesso, vale tudo para enganar alguém: fazer cara de funcionário, falsificar crachás, mudar o tom de voz, produzir trilha sonora para falar ao telefone.

Mitnick alega não ter roubado um único dólar em suas empreitadas. Mas nem por isso ficou livre de aguentar as consequências de seu estilo de vida. Durante quase duas décadas, ele se viu envolvido em um jogo de gato e rato com as autoridades. No caminho, teve de trocar de identidade e mudar de cidade várias vezes.

Para qualquer interessado em segurança, as revelações de Mitnick são um valioso olhar sobre a mente do inimigo. Por vezes, passagens do livro detalhando suas táticas chegam a ser tão didáticas que parecem saídas de uma espécie de manual do delinquente digital. Algumas dessas técnicas, diz ele aos 47 anos de idade, agora consultor de segurança, funcionam até hoje.

Fonte: Portal Exame

http://exame.abril.com.br/revista-exame/edicoes/1001/noticias/como-ser-hacker?page=1&slug_name=como-ser-hacker

Vítimas de Madoff começam a receber as primeiras indenizações

quarta-feira, outubro 5th, 2011

Investidores devem receber US$ 312 milhões a partir de hoje

Marcel Salim, de Exame.com

Getty Images

Bernard Madoff criou um esquema pirâmide que foi considerado uma das piores fraudes financeiras já cometidas na história dos Estados Unidos

São Paulo – O primeiro lote de cheques para indenização de vítimas do caso de fraude financeira cometida pelo megainvestidor americano Bernard Madoff começará a ser entregue a partir desta quarta-feira. O montante de 312 milhões de dólares será distribuído para 1.230 investidores que não retiraram todo o dinheiro que foi aplicado no fundo.

A afirmação foi confirmada por Irving H. Picard, advogado e administrador do fundo responsável por recuperar as parte do dinheiro que foi roubado por meio do esquema de pirâmide descoberto em 2008.

“É o primeiro retorno de fundos roubados para os clientes defraudados por Madoff”, declarou Picard ao blog DealBook do jornal americano The New York Times. “A necessidade do pagamento entre os muitos clientes é urgente, e estamos trabalhando para agilizar as distribuições”, acrescentou.

Os primeiros pagamentos teriam sido feitos na semana passada caso uma decisão do juiz Jed S. Rakoff, do tribunal do distrito de Manhattan nos Estados Unidos, não tivesse limitado Picard a recuperar apenas parte dos lucros que alguns de seus clientes, incluindo os proprietários do New York Mets, time de beisebol de Nova York, conseguiram levantar nos últimos dois anos de fraude.

Se fosse aplicada a outros processos envolvendo vítimas do caso Madoff, a determinação do juiz Rakoff iria reduzir para 6,2 bilhões de dólares o montante que poderia ser recuperado por Picard. No entanto, “o problema foi resolvido”, informou o advogado.

Aproximadamente 10,2 bilhões de dólares já foram recolhidos pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos para cobrir parte do total de 18 bilhões de dólares em perdas contabilizadas por vítimas que aplicaram dinheiro no fundo de investimento de Madoff.

Segundo Picard, o montante de 10,2 bilhões de dólares inclui 7,2 bilhões de dólares de Jeffry Picower, um investidor de longa data de Madoff e que faleceu em 2009, sendo reconhecido como um dos principais beneficiados pelo esquema de pirâmide. No total, 65 bilhões de dólares foram aplicados por investidores no caso Madoff.

Fonte: Portal Exame

http://exame.abril.com.br/mercados/noticias/vitimas-de-madoff-comecam-a-receber-as-primeiras-indenizacoes

Quem é o “cara legal” que perdeu US$ 2 bilhões no UBS

sexta-feira, setembro 16th, 2011

Kweku Abodoli foi algemado enquanto trabalhava na sede londrina do maior banco da Suíça

Gustavo Kahil, de Exame.com

Domínio Público

Kweku Abodoli era visto como uma pessoa tranquila e que não gostava de ostentar riquezas

Abodoli foi acusado de abusar da sua posição para obter ganhos para si enquanto colocava o UBS em risco

A imprensa de Londres deu ampla cobertura para o caso do mais novo “Rogue Trader” do mercado financeiro internacional

Repórteres espiam a casa de Kweku Abodoli

São Paulo – “Eu preciso de um milagre”. Esse foi o último post no perfil do Facebook de Kweku Abodoli, antes de ser algemado. O cara simples e que não gostava de ostentar riquezas, segundo o seu pai John, teve uma quarta-feira diferente. Após anos realizando operações não autorizadas, como ele próprio admite agora, o operador do UBS recebeu uma visita nada agradável do pessoal do controle de risco da unidade londrina, onde ele trabalhava, em sua mesa. Eles queriam saber como Abodoli conseguiu perder 2 bilhões de dólares com as operações de ETFs que gerenciava.

As respostas dele foram suficientes para que o maior banco da Suíça batesse na porta da polícia de Londres. Na quinta-feira, bem cedo, a visita que o “rogue trader” recebeu em sua mesa foi ainda mais desagradável. Desta vez, policiais o cercavam. O “cara legal”, segundo a análise do proprietário de seu ex-apartamento alugado, saiu do prédio já algemado.

O rombo foi tão grande que Abodoli ocupa agora a 3ª posição na galeria dos maiores trapaceiros do mercado financeiro, atrás do quase insuperável ex-operador do banco francês, Société Générale, Jerome Kerviel (US$ 6 bi) e do “Sr.5%” da japonesa Sumitomo Corp. (US$2,6 bi). Ele contratou o escritório de advocacia Kingsley Napley, que defendeu outro integrante do hall da fama, Nick Leeson – que conseguiu quebrar o banco inglês Barings.

Segundo a acusação da polícia, Abodoli “desonestamente abusou da sua posição com a intenção de conseguir ganhos para si, causando perdas para o UBS ou colocando o UBS em risco de perdas”. O operador chorou enquanto ouvia as acusações, disse a mídia britânica hoje. O valor perdido deve arranhar os resultados do banco no 3º trimestre, causar demissões (além a do seu chefe que já pediu pra sair) e por em risco os bônus dos funcionários de todo o banco.

Mas como ele conseguiu perder tanto dinheiro? Abodoli trabalhava com os chamados ETFs sintéticos. Um ETF comum é normalmente uma cesta de ativos que tenta imitar o desempenho de algum índice. O sintético tem a mesma função, porém o faz sem deter os ativos que compõem tal índice de referência, mas com o uso dos derivativos desses ativos. Desta forma, qualquer mudança no câmbio entre o derivativo e o ativo que ele tenta seguir precisa ser protegido (hedge), caso sejam de moedas diferentes.

Para alguns operadores, Abodoli pode ter sido derrubado pela decisão do Banco Nacional da Suíça que fixou uma cotação mínima de 1,2 franco suíço ao euro. O franco suíço despencou 8,7% em relação ao euro em um dia, a maior queda desde a criação da moeda única. Por exemplo, quem estivesse operando um ETF em franco suíço que tenta seguir os constituintes do S&P 500, em dólar, pode ter sofrido uma grande perda sem a proteção. Só um milagre mesmo para livrar a barra de Abodoli.

Fonte: Portal Exame

http://exame.abril.com.br/mercados/noticias/quem-e-o-cara-legal-que-perdeu-us-2-bi-no-ubs?page=1&slug_name=quem-e-o-cara-legal-que-perdeu-us-2-bi-no-ubs

 

Corretor do UBS é formalmente acusado de fraude no Reino Unido

sexta-feira, setembro 16th, 2011

Kweku Adoboli, detido em Londres, terá uma audiência com um juiz ainda nesta sexta-feira

AFP

Ben Stansall/AFP

O UBS anunciou que pode ter um prejuízo de até US$ 2 bilhões pelas operações fraudulentas

Londres – O corretor Kweku Adoboli, detido em Londres, foi acusado nesta sexta-feira em Londres por operações fraudulentas milionárias no banco suíço UBS, anunciou a Polícia britânica.

A porta-voz da Polícia da City (centro financeiro da capital inglesa) de Londres afirmou que Adoboli, de 31 anos, foi acusado de “abuso de posição e fraude contábil”. Ele terá uma audiência com um juiz ainda nesta sexta-feira.

O UBS anunciou nesta quinta-feira que pode ter um prejuízo de até dois bilhões de dólares pelas operações fraudulentas de um de seus corretores.

Adoboli, de origem ganense, foi detido no mesmo dia no escritório londrino do UBS pela polícia, que foi alertada pelo banco.

O corretor trabalhava com produtos financeiros complexos, no departamento de ETF (“Exchange Traded Funds”, fundos cotados na bolsa que se comportam como ações), no setor de ações europeias.

O perfil de Adoboli lembra o de Jerome Kerviel, o corretor que provocou um prejuízo de cinco bilhões de euros ao banco francês Société Générale em 2008 com transações não autorizadas.

Fonte: Portal Exame

http://exame.abril.com.br/negocios/empresas/noticias/corretor-do-ubs-acusado-de-fraude-no-reino-unido-2

 

Silvio Santos chama ex-presidente do PanAmericano de gângster

quinta-feira, setembro 15th, 2011

Empresário atribui a Rafael Palladino a responsabilidade pelas fraudes, segundo O Estado de S.Paulo

Márcio Juliboni, de Exame.com

Roberto Nemanis/Divulgação

Silvio Santos: o topa-tudo por dinheiro de Palladino desagradou o patrão

São Paulo – Acostumado a sorrisos e palavras amáveis, o apresentador e empresário Silvio Santos teve seus momentos de mau humor em depoimento à Polícia Federal sobre as fraudes no banco PanAmericano. Em certo momento, o empresário afirmou que Rafael Palladino, ex-presidente do banco, agiu como um “verdadeiro gângster”.

O depoimento foi reproduzido pelo jornal O Estado de S.Paulo. Palladino foi o braço direito de Silvio durante cerca de 20 anos, e estava à frente do PanAmericano, quando o Banco Central descobriu fraudes em sua contabilidade.

Rombo

As irregularidades referiam-se à manutenção, no balanço, de carteiras de crédito já vendidas – o que inflava os resultados. Para que o banco não quebrasse, o Fundo Garantidor de Crédito emprestou 2,5 bilhões de reais. Descobriu-se, depois, que o rombo era bem maior – 4,3 bilhões. O banco acabou vendido para o BTG Pactual no início deste ano.

Segundo O Estado de S.Paulo, no depoimento que prestou à PF, Silvio afirmou que Palladino era “o mentor intelectual” da fraude. As investigações apontam que 12 pessoas desviaram 76,9 milhões de reais do PanAmericano entre 2008 e 2010. Somente para empresas em nome de Palladino, o desvio teria chegado a 19 milhões.

A essas perguntas, Silvio respondeu com a resposta padrão, segundo o jornal: nunca soube dos saques.

Fonte: Portal Exame

http://exame.abril.com.br/negocios/empresas/noticias/silvio-santos-chama-ex-presidente-do-panamericano-de-gangster

 

Os federais investigam o mercado financeiro

quinta-feira, setembro 15th, 2011

A PF começa a investigar crimes ligados ao mercado de capitais — já há um processo para apurar a inexplicável alta de mais de 1 000% das ações da Mundial

Thiago Bronzatto, da Exame

Cristiano Mariz/EXAME.com

Vieira Leite e delegados da PF: aulas com o FBI e a CVM para apurar irregularidades na bolsa

São Paulo – O caso mais bizarro que ocorreu neste ano na Bovespa foi o desempenho das ações da Mundial, fabricante gaúcha de produtos de cutelaria, talheres e válvulas hidráulicas.

Insignificante para a maioria dos investidores até 2010, a Mundial chamou a atenção nos últimos meses: seus papéis se valorizaram 1 400% de janeiro a julho, chegaram a ser mais negociados que os da Petrobras e, logo em seguida, despencaram 90%. Ninguém sabe o que ocorreu.

Circularam no mercado e-mails anônimos com acusações, mas até agora ninguém provou nada. A Comissão de Valores Mobiliários está investigando a empresa desde abril, algo natural, dado que essa é a função da autarquia. A novidade no caso Mundial é que a Polícia Federal entrou no processo.

Agentes ligados à unidade responsável por crimes financeiros estão analisando a companhia e os investidores que mais compraram e venderam suas ações nos últimos meses. A principal suspeita, dizem fontes ouvidas por EXAME, é de manipulação de mercado.

Não é a primeira vez que a PF analisa problemas ligados à bolsa de valores, mas esse é o primeiro processo com alguma relevância, que pode resultar em ações na Justiça contra os suspeitos. Na prática, está sendo encarado internamente como a estreia dos policiais na investigação de crimes de mercado.

Os mesmos agentes que atuam em ca­sos de lavagem de dinheiro, fraudes ban­cárias e formação de cartel — e foram responsáveis, no passado, por operações como Banestado e Sanguessuga — estão, hoje, avaliando irregularidades em companhias abertas.

A PF não informa quantos casos estão em análise, mas diz receber da CVM, pelo menos uma vez por semana, dados com indícios de problemas no mercado de capitais — que vão de balanços financeiros com informações duvidosas a sinais de manipulação na negociação de ações.

60 horas de aulas

É esperado que a maioria dos processos seja resolvida com consultas às empresas e aos sistemas de dados da CVM e BM&FBovespa. Mas os casos mais complexos podem gerar investigações detalhadas, que geralmente incluem a quebra do sigilo bancário e telefônico dos envolvidos, a exemplo do que ocorre nos Estados Unidos e na Europa.

“Queremos ajudar a CVM a fazer uma faxina nas irregularidades do mercado de capitais”, diz Aderson Vieira Leite, chefe da divisão de repressão a crimes financeiros da PF, em Brasília. Segundo ele, a polícia passou os dois últimos anos se preparando para atuar nessa área, o que incluiu a contratação de novos agentes e a realização de cursos de especialização em economia e finanças.

Quase todos os cerca de 130 policiais que integram a unidade de crimes financeiros da PF são formados em direito e, até pouco tempo atrás, sabiam pouquíssimo sobre o funcionamento do mercado de capitais — operações de day trade, negociações nos mercados futuros e mesmo informações mais básicas, como a composição do Índice Bovespa, eram um mistério para a maioria deles.

Nos últimos 12 meses, os principais policiais assistiram, em média, a 60 horas de aulas com profissionais da CVM, da bolsa, da SEC (a CVM americana) e também com agentes do FBI, que investigam crimes financeiros, e integrantes do Departamento de Justiça dos Estados Unidos.

“O contato com o FBI é interessante porque eles detalham as operações e, assim, a PF aprende novas técnicas”, afirma Alexandre Pinheiro dos Santos, chefe da Procuradoria Federal Especializada, unidade da CVM que analisa irregularidades no mercado de capitais.

O FBI chegou a infiltrar agentes em festas de Wall Street para investigar o cingalês Raj Rajaratnam, sócio da gestora Galleon. Acusado de ganhar 64 milhões de dólares operando com base em informações privilegiadas, Rajaratnam está em prisão domiciliar e pode ser condenado a 19 anos de prisão.

O julgamento está previsto para o fim de setembro. A PF não costuma invadir festas, mas tem experiência em usar agentes disfarçados. Em 2004, policiais se passaram por mendigos para vigiar diretores do banco Santos depois que a instituição quebrou em meio a denúncias de fraude — o relatório da PF serviu de base para o processo na Justiça que acusa Edemar Cid Ferreira, ex-presidente do banco, de formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e gestão fraudulenta, crimes que o condenaram a 21 anos de prisão. Ele recorre em liberdade.

É covardia comparar a estrutura do FBI com a da Polícia Federal. Os americanos investigam crimes financeiros desde 1908. Hoje, contam com 1 200 policiais formados em diversas áreas — economia, contabilidade e até medicina – para analisar denúncias em diferentes setores.

Em 2010, foram abertos quase 9 000 inquéritos e realizadas 150 operações de busca e apreensão, que resultaram na condenação dos acusados. Dessas operações, 35 foram relacionadas ao mercado de capitais. Aqui, a área foi criada em 2003. No ano passado, os 130 policiais brasileiros abriram 1 241 inquéritos e fizeram 20 operações — nenhuma delas ligada a problemas na bolsa de valores.

Até hoje, é impossível fazer um balanço da atuação dos federais na área financeira porque eles não divulgam detalhes dos resultados das investigações — ao contrário do FBI, que publica anualmente relatórios extensos com explicações sobre os processos já concluídos.

Sabe-se que há casos bem-sucedidos no Brasil, como a Operação Paraíso Fiscal, que desmontou um esquema de lavagem de dinheiro e crimes financeiros envolvendo doleiros e auditores da Receita Federal em agosto deste ano.

Mas também há derrapadas memoráveis. Em 2008, a operação Satiagraha, que resultou na prisão do banqueiro Daniel Dantas, do ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta e do investidor Naji Nahas, acusados de desvio de verbas públicas e crimes financeiros, foi repleta de problemas.

A denúncia foi considerada ilegal pelo Superior Tribunal de Justiça porque envolveu a participação de integrantes da Agência Nacional de Inteligência sem autorização judicial. Também ocorreram erros primários de transcrição de trechos de escutas telefônicas de conversas de Daniel Dantas.

Na transcrição, os agentes presumem que “conta curral” teria a ver com paraíso fiscal. Na verdade, o que se diz no áudio é Ponta do Curral, uma localidade no sul da Bahia, onde Dantas tinha uma fazenda. A PF diz que está sendo mais “cuidadosa” com as investigações.

“Estamos atentos. Há muitas especificidades técnicas relacionadas à bolsa de valores”, diz o delegado Rodrigo Sanfurgo, chefe da Delegacia de Repressão a Crimes Financeiros da Superintendência Regional da Polícia Federal em São Paulo, que centraliza a maioria dos processos ligados ao mercado de capitais. Em pouco tempo, saberemos se será mesmo assim.

Fonte: Portal Exame

http://exame.abril.com.br/revista-exame/edicoes/1000/noticias/os-federais-vem-ai?page=1&slug_name=os-federais-vem-ai