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A produtividade limita o crescimento da renda na América Latina

sábado, março 2nd, 2013

No artigo Cara a cara com a produtividade, de Eduardo Lora e Carmen Pagés, mostra que apesar da maioria dos países da America Latina suportarem melhor a crise financeira mundial do que as economias avançadas a projeção para os próximos anos é de que o crescimento da renda per capita não passara de 2% a 3% ao ano. Sustentar esse ritmo de crescimento não seria ruim, mas não permitiria a região alcançar rapidamente as economias avançadas, como já fizeram economias dinâmicas como Japão e Coréia ou como a China vem fazendo agora.

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Apesar dos frequentes pedidos de mais investimento na região, esse não e o principal motivo do baixo crescimento. O problema mais sério da America Latina e a fraca expansão da produtividade ou, mais especificamente, da produtividade total dos fatores (PTF), a relação entre o total de bens e serviços que uma economia produz e os fatores de produção: capital, mão de obra, capacidade humana.

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A falta de atenção a produtividade tem um alto preço. Se a PTF na America Latina tivesse aumentado no mesmo ritmo que nos EUA desde 1960, hoje a renda per capita seria 54% maior — e a renda per capita relativa ainda seria um quarto da dos EUA (e comum usar os EUA como referência por causa de sua economia diversificada e sua liderança no ranking da renda mundial desde o início do século XX).

Chile e Costa Rica são as duas economias da região que melhor utilizam seus recursos, mas, ainda assim, sua PTF equivale a 75% da dos EUA. Se um país típico da região alcançasse a eficiência produtiva dos EUA, sua renda per capita dobraria. Ademais, o aumento da produtividade criaria mais incentivos ao investimento em capital humano e físico, o que aceleraria a convergência da renda para a das economias avançadas.

Acelerar o crescimento da produtividade é uma tarefa complexa e vai além de promover a inovação e o desenvolvimento tecnológico. A baixa produtividade muitas vezes e o resultado indesejado de diversas falhas do mercado e políticas ruins, que tendem a ser mais comuns nos países em desenvolvimento, como os latino-americanos. Essas falhas diminuem os incentivos a inovação, desestimulam a concorrência, impedem o crescimento das empresas eficientes e promovem a sobrevivência e expansão das menos produtivas.

Os países em desenvolvimento podem aumentar a eficiência de suas economias de varias maneiras, como a promoção da concorrência, o aprofundamento dos mercados de crédito e a melhoria das políticas tributarias e sociais.

Normalmente as analises da produtividade e da competitividade tendem a se concentrar apenas no setor industrial, perdendo de vista o todo. A agricultura, que respondia por 40% dos empregos na America Latina em 1970, tem sido o destaque na maioria dos países da região. A produtividade do trabalho agrícola cresceu de forma constante nos últimos 50 anos, a taxas de pelo menos 2% ao ano. Trata-se de um nítido contraste com o desempenho da indústria e, em especial, do setor de serviços, em que o crescimento da produtividade do trabalho despencou durante a década de 1980 e se manteve estagnado nas duas décadas seguintes.

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Leia o artigo completo no link.


O Brasil enfrenta o desafio da produtividade

sexta-feira, fevereiro 1st, 2013

O estudo Brazil: Confronting the Productivity Challenge do Boston Consulting Group (BCG) mostra que a década passada foi extraordinária para o Brasil. O país ultrapassou a marca do PIB per capita de US$ 10.000 e tornou-se a sexta maior economia do mundo. As companhias abertas brasileiras de maior liquidez criaram um valor substancial, produzindo em média um Retorno Total ao Acionista (RTA) – valorização do preço de das ações mais dividendos – de 19% de 2004 a 2011. Estes retornos foram em grande parte o resultado do rápido crescimento da receita na maioria dos setores da economia brasileira.

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No entanto, a demanda que alimentou o crescimento passado está mudando. É esperada uma desaceleração na expansão do consumo interno do Brasil e uma economia mundial com crescimento lento vai enfraquecer a demanda pelas commodities brasileiras.

Do lado da oferta, a produtividade tem emergido como o principal desafio para o Brasil e as para as empresas que operam no Brasil. A análise mostra que cerca de 74% do crescimento do PIB durante a última década foi devido ao aumento do número de pessoas que trabalham e apenas cerca de 26% foram atribuídos ao aumento de produtividade. Isto é muito diferente do crescimento orientado pela produtividade de outras economias em rápido desenvolvimento. Como a expansão da força de trabalho enfraquece, será fundamental para o Brasil aumentar a produtividade de forma significativa para cumprir a sua aspiração de crescimento do PIB de mais de 4% ao ano.

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Para prosperar nesse novo ambiente, as empresas devem procurar novas formas de criar valor para os acionistas, que são menos dependentes do crescimento. A estratégia correta será diferente para cada empresa. No entanto, o ajuste do portfólio de negócios e a melhora da produtividade serão importantes drives de valor na maioria dos casos.

A próxima década no Brasil irá impor novos desafios, mas também oferecerá altas recompensas. O que funcionou no passado não pode ser uma receita para o futuro. Empresas capazes de enfrentar esses desafios, particularmente, aumentando a produtividade, estarão bem posicionadas para atender ao considerável mercado interno do Brasil, tirando proveito da posição de vantagem do país em recursos naturais, e continuando a criar valor.

Um ciclo econômico virtuoso

Durante a última década, o Brasil experimentou um ciclo econômico virtuoso: o crescimento levou ao aumento do emprego, que por sua vez levou a um aumento do consumo interno e mais crescimento. O país ultrapassou a marca de US$ 10.000 de PIB per capita e tornou-se a sexta maior economia do mundo. Este ciclo foi impulsionado, principalmente, pelos seguintes três fatores:

Macroeconomia Favorável. Dívida pública do Brasil como proporção do PIB caiu de 60% em 2002 para 36% em 2011. Déficit orçamentário do país caiu de 5,2% do PIB em 2003 para 2,6% em 2011. Enquanto isso, a inflação está em um dígito desde 2005. Esta estabilidade macroeconômica abriu o caminho para baixar as taxas de juros nominais, que caiu de 19% em 2001 para 11% em 2011 e 8% em meados de 2012. Juntos, esses fatores formaram a base para mais investimento, que passou de US$ 275 bilhões em 2001 para US$ 458 bilhões em 2011.

Expansão do Mercado Interno. A maior disponibilidade de crédito ao consumidor (o crédito cresceu cinco vezes de 2001 a 2011) e do aumento do poder de compra do consumidor (com a ajuda de uma inflação mais baixa, os salários mínimos mais altos, e políticas sociais distributivas, como o Bolsa Família) promoveram o crescimento do mercado interno do Brasil. Outro fator que contribuiu para o crescimento do mercado brasileiro foi o bônus demográfico do país: a população em idade de trabalho tornou-se maior do que a população dependente (jovens e idosos).

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Essa expansão do consumo doméstico fez do Brasil um mercado importante para muitas indústrias globais. Por exemplo, há dez anos, o Brasil era o décimo maior mercado automotivo do mundo, o oitavo maior mercado de PCs e terceiro maior mercado de massa para cosméticos. Hoje, o Brasil está em quinto, quarto e primeiro, respectivamente.

Demanda por Commodities. O crescimento econômico global impulsionado pelos mercados emergentes impulsionou a demanda por commodities brasileiras. De 2001 a 2011, as exportações de produtos básicos cresceu significativamente. As exportações de minério de ferro cresceu a uma taxa anual composta de 30%, chegando a US$ 42 bilhões, as exportações de soja cresceram a uma taxa anual composta de 16%, chegando a US$ 24 bilhões.

Este ciclo econômico virtuoso lançou as bases para as empresas no Brasil experimentarem um crescimento significativo e criação de valor na última década. A população brasileira também se beneficiou muito com este ciclo positivo. Em um estudo recente, The Boston Consulting Group descobriu que durante os últimos cinco anos, o Brasil fez um trabalho melhor do que todos os outros países analisados na transformação do desenvolvimento econômico em melhorias sustentáveis ​​do bem-estar de sua população. (Veja From Wealth to Well-being: Introducing the BCG Sustainable Economic Development Assessment, relatório da BCG, Novembro de 2012.)

 

Criação de Valor passado: impulsionada pelo crescimento

Para os acionistas de empresas que operam no Brasil, esse ciclo econômico virtuoso levou a uma criação de valor significativa, tendo o crescimento (crescimento das receitas como reflexo do aumento da demanda por bens e serviços) como o principal responsável pelos resultados. Para ilustrar, foi analisada a criação de valor das empresas de capital aberto mais líquidas do Brasil no período de 2004 a 2011. Este prazo se estende a fase de expansão após as crises que ocorreram no início da primeira década deste século (o estouro da bolha da internet e a transição política do Brasil) e da turbulência global que se seguiu à crise financeira global em 2008.

Nestes oito anos, o Retorno Total ao Acionista (valoração das ações mais dividendos) médio foi de 19% ao ano (calculado em moeda local e não ajustados pela inflação, que foi em média 5,3% ao ano). Este retorno é significativo quando comparado com o retorno médio para as empresas em todo o mundo durante o mesmo período – 4,8% de acordo com o mesmo Índice Mundial MSCI(1).

Na análise dos seis componentes do Retorno Total ao Acionista (RTA) (crescimento da receita, mudança na margem de lucro, mudança do múltiplo de avaliação, rendimento de dividendos, mudança no número de ações em circulação e mudança na alavancagem) revelou que a principal driver pela criação de valor foi o crescimento da receita, que representou para cerca de 80% da criação de valor no período.

Isso foi verdade para a maioria das companhias que tiveram os melhores desempenhos. Para seis das dez empresas que geraram o maior RTA – variando 24,7-36,6% ao ano o crescimento da receita foi a principal driver por trás da criação de valor.

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A análise dos melhores desempenhos também mostrou a importância do rendimento de dividendos, o que contribuiu seis pontos percentuais, para os retornos deste grupo e foi o principal driver para três das empresas de alto desempenho.

Todos os setores da economia no Brasil tiveram retornos médios elevados durante o período de 2004 a 2011. No entanto, houve variação significativa dentro dos setores. Por exemplo, o RTA médio no setor de bens industriais foi de 13%, mas o RTA para empresas de bens industriais individuais variou de -3% a 32% por ano.

Além disso, se encontra uma variação significativa entre os setores quando olhamos para as diferentes fases do período de oito anos.

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Durante a fase de turbulência após a crise de crédito global (de 2008 a 2011), as empresas brasileiras nos setores financeiro, de bens industriais e aqueles com alta exposição aos mercados internacionais enfrentaram desafios de criação de valor.

Graças à resistência do mercado interno, no entanto, o RTA para empresas brasileiras de bens de consumo foi de 29% ao ano durante esta fase.

Nota: (1) O MSCI World Index reflete o resultado de empresas classificadas como grande e médio porte pelo seu valor de mercado em 24 países de Mercados Desenvolvidos. Com 1.610 companhias, o índice abrange aproximadamente 85% da capitalização de mercado free-float ajustado de cada país.

O estudo completo pode ser acessado diretamente no site da BCG através do link.